quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva - Laços de família

Minhas primas moraram fora do Brasil quase que desde sempre e nós passamos anos da nossa infância e adolescência trocando cartas, postais, cartões e bilhetinhos entre a gente. A nossa maior alegria era quando alguém ia ou vinha de onde eles estavam (Recife, Fortaleza, Bolivia, Honduras, Espanha) e trazia pacotes e mais pacotes de cartas e fotos, que tinham sido escritas durante semanas, contando como ia a vida delas, como estava a escola, as primeiras paixões, as viagens que elas faziam e etc.

Essa era a nossa única forma de comunicação, ligações internacionais eram caras e só eram feitas nos aniversários e outras datas especiais. Às vezes chegavam também fitas de vídeo com as aventuras da família, às quais nós (eu e minha irmã mais nova) assistíamos muitas e muitas vezes. Outras vezes eram fitas cassete, com os hits em Espanhol do momento, com falas e propagandas de rádio mal gravadas, e tudo era motivo de festa para gente, tudo era visto como a possibilidade de estarmos perto, mesmo que tão longe. 

Além da gente, eu me lembro do meu avô carregando as fotos dos netos "estrangeiros" pra cima e pra baixo, mostrando pra todos os amigos na padaria e na lotérica, contando orgulhoso do que via quando ia visitá-los, esperando ansioso por um fax do meu tio (que quase sempre dava problema, chegava cortado, a tinta acabava, mas era o ápice da modernidade no começo dos anos 90).

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Vinte anos depois, hoje eu me vejo longe do meu país, criando meu filho longe da família. E isso é triste. Eu vejo o tempo passando e a minha mãe perdendo os pequenos momentos do dia-a-dia da vida do neto, as gracinhas, as palavras novas, os abraços e os beijos melados que só uma criança de um ano e meio sabe dar. 

Quando decidi me mudar para Israel, filhos, apesar de estarem nos planos e nos sonhos, ficavam longe da minha realidade. Quando eu me vi grávida e sem ninguém para me acompanhar nos ultrassons, sem ninguém pra fazer compras comigo, percebi que quando da minha vinda, essas pequenas alegrias não estavam na minha cabeça e que hoje elas são importantes sim.

Mas não fico me lamuriando, eu fiz as minhas escolhas e não me arrependo delas, e como não há maneira de termos tudo na vida, vamos levando e tirando o melhor de todas as situações. Não tendo outra alternativa, fico felizes com que temos. 

E graças às maravilhas da modernidade e da tecnologia, hoje temos muito mais recursos do que apenas fitas de vídeo ou cartas escritas à mão!!

Eu sempre adorei registrar todos os momentos da gravidez e chegada do Uri para que ele um dia possa ver como foi querido desde sempre, como as pessoas vibravam com a vinda e a vida dele. Comecei um blog e nele contei (e conto) com detalhes sobre tudo o que aconteceu desde que ele foi concebido, para que todos, mesmo de longe, possam acompanhá-lo e expressar seu carinho por ele. Um dia quero imprimir os posts do blog e dar pra ele de presente. 

Colecionei todos os emails, mensagens, cartões, recados e comentários no facebook desde o dia em que descobri a gravidez e colei tudo em um caderno decorado. São fotos de US, poemas escrito pela bisavó, mensagens de amigos. Me deu muito trabalho fazer isso, mas foi uma forma legal de registrar esses momentos pra mim e pra ele, tenho certeza de que um dia ele vai gostar de ver o carinho de pessoas de longe para com ele. Eu mesma peguei o caderno outro dia e me emocionei com a expectativa de todo mundo, realmente, é uma delícia recordar esses momentos. Hoje em dia eu guardo mensagens e cartões em datas especiais, como o primeiro aniversário, não dá mais para salvar, imprimir, recortar e colar todos os recadinhos!






Fora isso, eu coloco muitas fotos e muitas atualizações da nossa vida no facebook, maldito e bendito facebook! Eu às vezes sinto que me exponho demais, mas essa é a maneira da família de longe acompanhar o que acontece por aqui.

Eu tenho uma irmã no Brasil e outra que trabalha num navio e cada dia está num lugar. Tenho primas nos Estados Unidos, no Brasil e na Espanha (as das cartas), que por sua vez têm filhas, que são as únicas priminhas do Uri. Meu marido tem família no Uruguai, um irmão em Israel, outro na República Dominicana e outra em Cuba. Fora os amigos... Ou seja, o Uri tem tios espalhados por todo canto e para que eles possam estar a par do q acontece na nossa vida, o facebook é uma maravilha.

Tem também o Skype e vira e mexe tem algum tio vendo o Uri comer, brincar e fazer gracinhas. No começo ele não entendia e ficava mudo, hoje em dia ele interage, "conversa", manda beijos e faz tchau. O iphone também me deixa mandar fotos, vídeos e mensagens instantâneas pra muita gente, contar os detalhes mais (in)significantes e nos aproxima muito da família e dos amigos de longe.

A minha mãe não é uma pessoa nada tecnológica, não tem e nem sabe usar um computador, então ela conta com a boa vontade do meu tio e das minhas irmãs para ver fotos e videos do neto e para promover conversas no Skype quando dá. 

Hoje em dia, as ligações internacionais são muito mais baratas (além das que podem ser feitas gratuitamente no computador ou smartphones, como no Viber ou FaceTime), um minuto para o Brasil pode ser mais barato do que um minuto dentro de Israel mesmo. Eu ainda tenho mais sorte, pois minha conta de telefone é paga pela empresa. Eu não abuso, mas sei que posso ligar sem custo algum para quem eu quiser (e a empresa sabe disso, antes que me chamem de aproveitadora). A nova onda do Uri é pegar o telefone e "conversar" com quem está do outro lado. Tirando o "auô" e o "taaaau... byyeee", não se entende muito o q ele diz (mas minha mãe deve achar que é Hebraico fluente), mas ele faz a alegria de muita gente. 

Não falo tanto quanto gostaria com a minha família porque todos são ocupados e o fuso horário atrapalha muito, mas entre mensagens no facebook, um comentário numa foto, uma ligação no Skype e outra no telefone, todos nos comunicamos minimamente bem.

Outra coisa que nós usamos muito por aqui são fotos. Eu gosto muito de porta-retratos, minha casa está cheia deles e nós sempre mostramos fotos pro Uri, ensinamos quam é quem e aos poucos ele vai "convivendo" com a família, nem que seja a estática, conversa com eles, aponta, ri, dá beijos.


As portas de entrada em Israel são de ferro, sempre, por motivos de segurança e como uma maneira de segurar o fogo no caso de um incêndio. Assim, temos um grande painel de ímãs à nossa disposição. Quando o Uri começou a engatinhar, coloquei ímã em uma foto da minha mãe e em uma da minha irmã e o ensinei quem era a vovó e quem era a titia. Ele aprendeu a reconhecê-las e era só falar em uma delas que ele apontava pra porta, desde uns 9 meses. E de vez em quando a gente o pega dando uns beijos nas duas... Meu objetivo era aos poucos encher a porta de fotos, mas confesso que deixei passar.

Em janeiro vamos pela primeira vez ao Brasil, eu e ele. Acho que como ele já vai estar perto dos dois anos, vai entender melhor, se socializar, formar laços com a parte da família que está lá, e a gente vai fortalecê-los na volta. Em junho passado fomos à Espanha visitar as minhas primas e até hoje ele "fala" delas. 

E assim vamos levando... Sempre morrendo de saudades, às vezes com o coração apertado, mas sempre fazendo possível para estarmos "juntos". 



Quer saber como outras expatriadas garantem o convívio dos pequenos com as famílias? Clica aqui!

3 comentários:

  1. Que linda a idéia do caderno! E que trabalhão :)
    Que delícia que vocês vão ao Brasil em janeiro, tenho certeza que o Uri vai adorar ver um pedaço da família 'ao vivo'. Bjs, Ana Paula

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  2. Amei o texto, Neide. Muito lindo. :)
    Bj

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  3. Que delícia Lu! Sabe que tenho 3 amigas, 2 no Brasil e 1 nos EUA, que temos um chaveiro e um diário em comum...cada uma fica 3 meses com o chaveiro (que a nossa foto) e o diário, depois manda pra outra...é UMA DELÍCIA DEMAIS! Me fez lembrar da sua relação com suas primas, eu não tive muito essa proximidade com as minhas primas.

    Aqui também espalho foto por toda parte, principalmente na porta da geladeira, para que o Elias possa sempre ver. Qdo o skype "chama" o Elias corre de onde ele estiver e vem olhar o computador, já entende que alguém está ligando...mas qdo meus pais aparecem ele fica meio puto, fala um pouco mas depois fica com raiva. Acho q é pq ele não entende pq pode ver mas não pode tocar...

    Beijos mil pra vcs!!!

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