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terça-feira, 18 de março de 2014

O parto da Lia - parte I

Meu primeiro filho, Uri, nasceu no dia 17 de fevereiro de 2011, às 40 semanas e 3 dias, no Hospital Leniado em Netanya, Israel. Apesar de toda a minha (então presumida) preparação, tive um parto ruim, traumatizante. Não vou entrar em detalhes sobre ele aqui (porque já tenho muito o q escrever sobre o meu segundo parto), mas foi um parto induzido (usando prostaglandina sintética, Citotec), relativamente rápido, mas extremamente dolorido. Meu corpo teve uma reação péssima ao indutor, tive contrações insanas, fui de 0 a 10 de dilatação em menos de 1 hora, os batimentos dele caíram muito e passamos horas observando o monitor e rezando para q eles subissem, foi usado o aparelho de vácuo para tirá-lo às pressas, pois ele estava em sofrimento fetal, levei muitos pontos dados por um médico insensível q se irritou com a minha dor, sofri muito durante e após o parto, com dores horríveis por mais de 2 semanas e um trauma q só foi apagado exatamente 3 anos depois.

Não me cabe nem adianta julgar os motivos pelos quais aquele parto foi induzido, nem a falta de sorte com a equipe q me atendeu naquele dia. Graças a D-us meu filho nasceu bem e nem de longe tem alguma sequela da sua (triste e confusa) chegada ao mundo. E pra mim isso é muito importante.

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Três anos depois, me vi grávida e com muita vontade de mudar essa história, de trazer minha filha ao mundo de uma maneira mais gentil, mais feliz e mais emocionante. Li mais, conversei mais, procurei saber mais. Na gravidez do Uri, tudo me parecia natural: “Assim como ele entrou, ele sairá. Vai doer, vai demorar, mas ele vai chegar e vai ser bom”. Bom foi tê-lo comigo, mas a chegada não foi boa. E eu queria muito mudar isso.

Aqui em Israel, o médico q te acompanha na gravidez muito provavelmente não estará no seu parto. Aliás, ele nem vai saber q você teve contrações e q foi pro hospital quando a tua bolsa estourar (se a bolsa estourar). Você vai se dirigir ao hospital mais próximo (ou o q tiver escolhido) e quem vai te ajudar será uma parteira. As parteiras se revezam entre uma sala de parto e outra, atendendo todas as parturientes e há um ou dois médicos de plantão para quando a coisa complica, mas enquanto tudo estiver bem, quem vai te ajudar é a parteira e sinceramente, não há perigo nenhum nisso, todas são extremamente profissionais e capazes e um médico não faz falta (acredite, brasileira!).

Tenho um ginecologista e obstetra do qual eu gosto muito (tanto q o chamo de Dr. Queridinho) e q me acompanha desde a gravidez do Uri. Ele me atende tanto na clínica do plano de saúde quanto no Hospital Leniado, onde trabalha duas vezes por semana.

Dessa vez, na vontade e esperança de ter uma experiência mais legal, resolvi usar um serviço especial do Leniado: A contratação de uma parteira particular, q me conheceria antes do parto, saberia dos meus medos e ansiedades e estaria comigo o tempo todo. É um serviço caro, o marido perguntou se era mesmo necessário um gasto tão grande numa época tão economicamente conturbada na nossa pequena família com a chegada de outro filho, mas eu fui clara – “Eu posso discutir tudo com você, decidir todos os nossos gastos juntos, mas como quem passou e passará por isso sou eu e somente eu, me dou o direito de tomar essa decisão sozinha” e ele ficou sem opção e concordou. Para ilustrar, esse serviço especial me custou metade do q somente um ginecologista cobra pra fazer um parto normal no Brasil.

Conversando com a minha acupunturista (aka, minha guru), recebi indicação de uma das parteiras q trabalham no Leniado, a Avigail. Meu médico e várias outras pessoas também a recomendaram. Mas eu tinha q falar com ela logo no ínicio da gestação, ou ela não estaria disponível. Me lembro q falei com ela ao telefone em setembro, com menos de 3 meses de gestação. Ela anotou a minha data provável do parto e pediu pra eu entrar em contato quando estivesse com 30 semanas de gestação.
Paralelo a isso, uma amiga querida, a Elza, q além de amiga, de família brasileira em Israel e dona da creche onde o Uri vai é doula também, se ofereceu para estar conosco no parto.


Assim como a primeira gravidez, essa também correu bem, com alguns incômodos, mas sem nenhum problema grave q fosse de real preocupação. Aliás, apesar dos enjoos q senti dessa vez (enjoei pouco na gravidez do Uri), me senti muito melhor nesses nove meses do q tinha me sentido então. Mais leve, mais disposta, mais ativa (com uma criança pequena em casa não tinha outra opção).

A única coisa q de fato me preocupou no final foi a quantidade de líquido amniótico, q estava mais baixa do q o normal desde a semana 30. Passei a fazer um controle semanal com o meu médico, ultrasom e cardiotoco e tudo estava controlado, alguma semanas com mais líquido, outras semanas com menos, mas sempre tudo sob controle.

Até q no dia do meu aniversário, dia 11 de fevereiro, o Ariel me fez uma surpresa e foi me encontrar na clínica onde eu fazia US. Dessa vez a quantidade de LA não era suficiente e o médico se assustou e me assustou. Me mandou ir ao hospital encontrá-lo no dia seguinte, quarta feira. Disse q se a quantidade de LA não subisse, ele iria precisar induzir meu parto.

Mesmo já estando na semana 36 da gravidez, eu não estava pronta pro nascimento dela. Eu precisava de mais uma semana, pelo menos, para terminar de preparar tudo para a sua chegada e eu queria poder comemorar o aniversário de três anos do Uri, q seria na semana seguinte. Parece fútil, mas me entenda – Aos três anos, ele já entende e vibra o seu dia especial e esperava por ele há meses. Teríamos uma festinha no dia 14 na creche e outra em casa, na data mesmo. Uma festa pequena, para poucos convidados, mas cheia de amor de dois pais cansados mas q queriam q ele curtisse aquele seu dia. A decoração ia ser mais simples, as comidas mais práticas, mas a festa precisava acontecer.

De qualquer maneira, sem saber o q ia me acontecer no dia 12, terminei de arrumar a mala do hospital, deixei uma malinha pronta pro Uri, caso ele precisasse ir dormir em outro lugar e rezei para q o melhor acontecesse. Ah, e tomei muita, muita água e vários banhos de banheira pra tentar ajudar a aumentar a quantidade de LA.

A sala de cardiotoco- muito amor


Chegando no hospital, o médico me olhou e riu: “Eu ouvi mesmo nas notícias q o nível de água do Mar da Galiléia desceu de tanta água q você tomou. Pode voltar pra casa, ela não nasce hoje”. E assim foi naquela quarta feira, na sexta seguinte e no domingo também. Eu chegava e saía do hospital, pois o nível de LA se mantinha minimamente OK para a segurança da minha filha. Tive tempo de participar das duas festas do Uri e de curtir o aniversário de três anos dele da maneira como tínhamos planejado e sonhado.









Naquela semana, tirei três dias de folga do trabalho – a 2a feira, dia 17, por conta do aniversário dele, a 3ª e a 4ª para descansar, colocar os pés pra cima e organizar a casa e a chegada da nenê. Estava tão cansada no dia seguinte à festa dele q não tive forças pra sair da cama. Tinha chegado ao meu limite naquela gravidez, precisava diminuir uma marcha, descansar, dormir. E foi o q eu fiz, só sai da cama para levá-lo e buscá-lo na creche.

Na 4ª feira, dia 19, ele veio para a minha cama cedinho, como faz às vezes. Me beijou e abraçou tanto q eu tive certeza de q ele sabia q daquela consulta de controle do hospital eu não voltaria para casa. Cheguei a comentar isso com algumas pessoas, eu sabia q aquele era o dia. Meu filho, q é sempre muito carinhoso, tinha alguma coisa a mais naquela manhã q me fez saber q aquela gravidez estava chegando ao fim. A despedida demorada na creche me fez acreditar mais ainda nisso. Apesar de ansiosa e preocupada, eu estava tranquila. Fui pro hospital e mais uma vez, senti ao entrar q eu ficaria lá por mais do q algumas horas.

Fiz o cardiotoco e a nenê continuava, como sempre, feliz aqui dentro. Mas quando o meu médico colocou o aparelho de US na minha barriga, eu não cheguei a me assustar ou surpreender quando ele anunciou q eu não tinha LA nenhum. Apesar de ter feito tudo o q estava a meu alcance para aumentar esse líquido, eu sabia q tinha chegado o momento dela vir ao mundo. Não me preocupava com a idade gestacional (eu entraria na semana 38 no dia seguinte), nem com o seu peso (ela tinha peso estimado em 3100 no último US), só uma coisa me apavorava, e muito: A indução.

Eu não queria passar por aquele inferno de novo, eu tinha medo da reação do meu corpo, eu tinha sonhado com tudo tão diferente dessa vez – A bolsa estourando, a correria pro hospital, as contrações naturais e não sintéticas, a sala de parto natural (ao contratar a parteira particular, eu ganhava o direito de usar a sala de parto natural do hospital), a banheira, etc. Mas parecia q eu estava assistindo ao mesmo filme, três anos depois. Chegar ao hospital numa quarta feira, ser examinada na mesma sala, pelo mesmo médico e saber q dali eu não sairia sem o bebê no colo.

Ele ainda tentou me examinar e ver se eu tinha alguma dilatação pra poder escolher outro método q não o Citotec dessa vez, a pedido meu, mas não tinha nenhuma, zero, nada, tudo fechado e lacrado. Ele sabia q eu não queria esse método, tentou procurar outras opções, mas não encontrou nenhum (balão de Foley não se usa nesse hospital e ocitocina e separação das membranas só se eu tivesse alguma dilatação, o q não era o caso).

Cheguei a perguntar se eu poderia, caso quisesse, optar pela cesárea e ele disse q sim, q a escolha era minha. Mas eu não queria, por mais q eu tivesse pânico da indução e soubesse q a cesárea encurtaria o tempo de espera e me proporcionaria menos dor antes e durante o parto, eu tinha medo do pós-parto e essa também não era a forma q eu tinha sonhado em parir dessa vez.

Ele me deixou pensar e consultar quem eu quisesse antes de decidir e eu comecei com a série de telefonemas: Liguei pro Ariel e avisei q dali eu não saía mais e ele disse q estava indo me encontrar, mesmo com os meus pedidos pra q ele ficasse no trabalho e não gastasse um dia de folga, já q a gente sabia q mesmo induzida, o parto demoraria pra começar. Liguei também pra Elza, a doula, q consultou a diretora do hospital (brasileira e amiga dela), q concordou com o médico. Depois telefonei pra Yael, a minha acupunturista-guru q, mesmo sendo a pessoa mais humanista q eu conheço, concordou q, se tinha q ser feito, então tinha q ser feito, mas q nem por isso o parto seria necessariamente ruim (e eu chorei quando ela me disse isso). Por último, falei com a Avigail, a parteira, q estava no hospital e me examinou antes de dizer q o médico tinha razão, eu não tinha dilatação nenhuma e o único método disponível era o Citotec mesmo. Por sugestão dela (e da doula também), fui à sala do médico e perguntei se poderia receber uma dose menor do indutor, para evitar o efeito catástrofe q tive no parto anterior. Ele concordou e fomos, eu, ele e a parteira, acertar a minha internação e fazer os procedimentos necessários. Além da dose menor, eu receberia o Citotec em forma oral, diferente da outra vez, q tinha sido pela vagina.




Fui internada na ala nova do hospital, um lugar q mais parece um hotel, todos os quartos são novos, limpos, grandes e têm vista pro mar. Fiquei sozinha nesse quarto (teoricamente duplo) pelo resto do dia e isso foi ótimo. O Ariel chegou logo em seguida, a Elza veio um pouco mais tarde e ficamos esperando as contrações começarem. A cada quatro horas vinham ao quarto me fazer cardiotoco e decidir como continuar a indução. Às 3 e pouco da tarde recebi outra dose do Citotec, já q as contrações não tinham começado.





a vista do quarto

Uma das minhas maiores preocupações nesse parto sempre foi o Uri. Não temos família em Israel, o Ariel não abria mão de ficar comigo e ver a filha nascer (principalmente por ele não ter podido acompanhar o nascimento do Uri por causa do vácuo) e eu não podia e nem queria tirar esse direito dele. Ele estaria na creche até as 5 da tarde e a filha da Elza passaria a noite com ele, mas eu sabia q ela tinha as suas obrigações no final da tarde e por isso resolvi ligar pra Iara, uma amiga de mais de 15 anos, e pedir socorro. Ela não poderia sair de Tel Aviv e chegar a tempo, mas a sua mãe não pensou duas vezes antes de subir no trem e viajar duas horas para ficar com o Uri até a Shai-ly chegar, às 8 e meia da noite.

Mas a indução não ia pra frente, então mandei a Elza e o Ariel pra casa no final do dia. Eu precisava deles descansados, positivos e operantes quando o parto começasse, e não dormindo em poltronas e esgotados. Além disso, eu precisava saber q o Uri estava bem e tranquilo, e sabia q ver o pai o acalmaria (meu filho é super dado e simpático, mas nunca dormiu sem os pais em casa e eu sabia q ele poderia estranhar a agitação toda, mesmo q estivesse aparentemente curtindo). Prometi chamar os dois caso houvesse necessidade. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

"Quem conhece a gaita já sabe quem está chegando..."

Publiquei esse texto semana passada no Mães Internacionais, mas essa história é tão especial na nossa vida que vale a pena registrar por aqui também!


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O Uri, meu filho que acaba de completar 2 anos, já tem uma grande paixão: o Júlio, personagem principal do Cocoricó, programa exibido pela TV Cultura.

Tamanha paixão tem um culpado: a mãe. Eu sempre gostei do programa, acho que é de uma qualidade incrível, tem humor sem ser bobo, ensina (muito) sem ser chato, não “emburrece” nem infantiliza as crianças. Assim, a mãe preocupada com o Português do pequeno israelense (e com a qualidade do que ele assiste), sempre soube que iria apresentar a turma do Paiol pra ele.

Quando ele fez um aninho, ganhou uns DVDs do Cocoricó de uma amiga brasileira aqui em Israel, cujos filhos nunca deram atenção a eles. E foi amor à primeira vista. Tão pequeno, o Uri olhava fascinado pra TV, dançava com a música de abertura e chorava quando colocávamos qualquer outro DVD, pra minha alegria e a do meu marido, que se rendeu aos encantos da turminha também.

O Júlio virou Lúlio (e continua sendo até hoje) e foi o primeiro nome que o Uri aprendeu na vida. Não foi o do pai, o da mãe ou de algum amigo da creche, foi o do Lúlio.

E aí que quase um ano depois, viajamos, eu e ele, pro Brasil. Desde que marquei a passagem, comecei a procurar na internet o calendário de shows do Cocoricó, pois queria muito levar o Uri pra conhecer os ídolos ao vivo, eu sabia que ele adoraria e me emocionava só de pensar na carinha dele quando anunciassem “Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando...”

Não achando nenhuma programação de shows, e com a data da viagem chegando, resolvi ser cara de pau e escrever pra TV Cultura. Perguntei se eles poderiam me informar quando haveria show em São Paulo ou na região de Campinas e que, no caso de não haver mais shows, perguntei se poderia ir com o Uri conhecer os estúdios do paiol (mãe, essa cara de pau!). Algumas horas depois, recebi um email muito atencioso de um funcionário, o F.(vamos manter a privacidade dele, né?), dizendo que os shows foram realmente cancelados (o contrato acabou e não foi renovado) e que ele averiguaria a possibilidade de visitarmos as gravações do programa.

Viajamos pro Brasil e com a correria toda de se viajar com um bebê sozinha por tantas horas, acabei esquecendo do Lúlio, do Cocoricó, da TV Cultura e de várias outras coisas. Mas qual não foi minha surpresa ao abrir meus emails, já em Campinas, e ver uma mensagem do F. dizendo que poderíamos sim visitar o estúdio!

O próximo passo foi descobrir como chegar lá, tanto o endereço, como o meio de transporte, pois iríamos pra São Paulo na semana seguinte, mas sem carro – e cá pra nós, São Paulo não é uma cidade muito fácil de se circular, ainda mais com bebê e sem carro.

Mas como eu tenho as melhores amigas do mundo, um esquema tático foi armado e conseguimos! Estávamos hospedados na casa de uma amiga, na zona sul da cidade. Outra amiga querida, a Fernanda, veio nos buscar e nos levou pra um shopping do outro lado da cidade, que ficava bem perto da Água Branca, onde fica a TV Cultura. Como a Fernanda tinha que trabalhar à tarde, outra amiga, a Karina, veio nos buscar nesse shopping e nos acompanhou até o paiol (e foi a melhor compania que poderiamos ter escolhido pra isso).

Como nada poderia ser tão simples assim, quando saímos do shopping, pra passar a cadeirinha de bebê do carro de uma pro da outra, descobrimos que não tínhamos anotado em qual estacionamento a Fernanda tinha deixado o dela! Sim, foi um erro primário, que nos resultou em 40 minutos de busca do carro perdido, e um pouco de aflição, pois a gravação já estaria começando, mas não perdemos o bom humor.

Outra aventura foi encontrar a TV Cultura! O GPS da Karina se perdia, andava em curvas, errava tudo. Achei um mapa da região no meu celular e conseguimos! Chegamos à Cultura às 3:30, as gravações terminariam em meia hora. Ainda tivemos que esperar a liberação do estacionamento, esperamos o F. nos encontrar e lá fomos nós!

Fomos orientadas a não tirar fotos dos bichos “mortos” (sem o manipulador) e a manter o silêncio, afinal, eles estavam gravando. Munidas de chupeta, biscoito polvilho e muita reza pra manter o Uri quietinho e não atrapalhar, sentamos atrás de um monitor. Ele até que ficou em silêncio durante a gravação da primeira cena, sem entender muito o que acontecia, já que os personagens estavam gravando numa parte que a gente não podia ver do estúdio e ele estava assistindo na “televisão”, como em casa. Mas era pedir demais que um menino tão pequeno, perto dos seus ídolos, não ficasse emocionado e não começasse a demonstrar isso. Na gravação da segunda cena ele se agitou, falou, apontou... Resolvemos esperar lá fora então.

Esperamos pouco, uns 10 minutos apenas, tempo suficiente pra conversar um pouco com o F., agradecer umas 800 vezes pela atenção e ainda, de quebra, ganhar um pacote cheinho de presentes do Cocoricó – um DVD, um jogo, um livro pra colorir, adesivos.

Logo nos chamaram de volta ao estúdio e o Uri foi recebido pelo seu amigão – O Lúlio! A emoção era tanta que ele nem reparou no Fernando Gomes, o manipulador do boneco. Ele olhava encantado, extasiado, apaixonado. Confesso que, antes de chegar, tive um pouco de medo da reação dele ao ver as pessoas manipulando os bonecos, não queria estragar a fantasia dele, mas a verdade é que ele estava tão encantado que realmente não percebeu.

Fomos recebidos com muito carinho, principalmente o Uri. Fizeram questão de conversar com ele, tirar fotos no cenário, receber e dar beijos. Na saída, a mãe aqui ainda pediu um autógrafo pro Lúlio, pra guardar pra posteridade.

Se eu já gostava do Cocoricó, hoje eu sou fã fervorosa. Aliás, não só dele, mas dos manipuladores e dos funcionários da TV Cultura. Fomos recebidos, desde o primeiro email enviado, até o porteiro dos estúdios, com uma atenção e simpatia incomparáveis. A minha fiel escudeira Karina e eu ficamos impressionadas com tanto carinho! Se nos tivessem deixado apenas conhecer o estúdio vazio, se tivessem somente tirado fotos com a gente, já teria bastado. Mas fizeram muito mais do que isso. Realizaram, com muita ternura, o sonho que um menininho nem sabia que tinha! E deixaram uma mãe extasiada... Com a sensação de que ela tem sim super poderes e que sempre vai fazer o impossível pra ver esse sorriso no rosto do filho...





E aqui vão dois videos curtinhos e cortados, mas a emoção e a surpresa eram tamanhas que ninguém raciocinava direito:





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

De volta! E as 3 festas de aniversário!

Estivemos, Uri e eu, no Brasil entre janeiro e fevereiro. Com a correria pré-viagem, as compras de presentes e o trabalho que precisava ser terminado antes do embarque, acabei deixando o blog às traças desde dezembro.

Mas voltamos e tenho muitas coisas pra contar. Vou começar aleatoriamente, pelas festas de aniversário que o Uri ganhou pelos seus dois aninhos, pra registrar bem as diferenças entre elas.

A primeira, no Brasil:

Como não sabemos quando poderíamos comemorar a data junto da família e dos amigos novamente, resolvemos fazer uma pequena festa algumas semanas antes da data dele. Eu adoro organizar festas, tinha todo o suporte da família, mas decidi escolher um tema simples, pra não perder muito das minhas férias com os preparativos. Escolhemos fazer uma festinha à fantasia pros pequenos, e na decoração só usamos muitas cores e bolas.

Foi muito fácil conseguir a decoração toda, que maravilha que é fazer festa no Brasil!! A gente encontra tudo e o preço é razoável (com excessão dos descartáveis, que são muito mais variados e baratos em Israel).

A festa foi no salão de festas de uma amiga, um lugar muito bonito, com playground pras crianças e um salão amplo e coberto. O melhor? Encomendar toda a comida, TODA, de acordo com o número de pessoas. Comprei salgadinhos (e ainda sonho com eles), sanduíche de metro, o boloe todos os docinhos. Fiz a encomenda com dois dias de antecedência e uma hora antes da festa fui pegar tudo, quentinho, tinham acabado de montar as caixas. O preço? Mesmo não sendo "de graça", 330 reais, pra 35 pessoas, eu acho q foi muito bem pago! Só comprei mesmo algumas balas e refrigerante "por fora". Só alegria!

Eu estava com muita dor nesse dia (crise de nervo ciático inflamado), mal conseguia andar, mas hoje nem lembro dessa dor... Muita gente não pôde ir porque caiu bem num final de semana de feriado em SP, mas outros vieram de longe e foi uma delícia, um sonho, poder curtir essa tarde com tanta gente querida. Aliás, uma coisa que me estranhou no Brasil - Várias pessoas não confirmaram presença, ou confirmaram e não vieram... Achei isso chato, aqui em Israel isso quase nunca acontece, mas enfim, pelo que me disseram, é assim. Só é ruim porque fica difícil calcular a comida e a bebida direitinho, sobrou muita coisa e as pessoas que foram embora no final acabaram levando pékale pra casa.

Are Baba!!!

assoprando as velhinhas com a vovó







sonhando com eles...



A segunda, aqui em casa:

Chegamos em Israel e 10 dias depois festejamos aqui em casa, com os amigos mais chegados (brasileiros e israelenses). Como eu sabia da correria que seria, deixei toda a decoração pronta antes de viajar (comecei em novembro!). Cheguei aqui, terminei umas poucas coisas que faltavam e só deixamos a comida pra véspera. Sonhei com encomendar tudo de novo, mas na falta disso, fiz todos os docinhos uma semana antes, enrolei e congelei! Já tinha feito isso no ano passado e é uma das melhores dicas pra evitar a correria antes da festa! Fiz tudo com calma e no dia só descongelei, coloquei nas forminhas e pronto!

Aliás, aproveitando a viagem pro Brasil, trouxe bala de côco e papel pra ela, confeitos coloridos, forminhas e outras coisas nas cores das festas, coisas que não acho aqui, além de leite condensando de verdade, granulado (granulado em Israel não é de chocolate, é de açúcar) e até aquelas bolinhas de flocos de arroz. Tudo isso ajudou e muito a mãe detalhista!

Os comes e bebes todos foram feitos pelo meu marido e eu. Como nos organizamos muito (Excel, eu te amo!), pudemos respirar no dia anterior, não nos matamos até tarde da noite e nem deixamos de fazer o que planejamos.

Adorei a festa, principalmente o esquema de cores (sim, sou dessas). Mais do que isso, é gostoso ver que, com o passar dos anos, fomos formando a nossa família por aqui e muitos viajam mais de uma hora pra poder comemorar junto com a gente.

parece empadinha, não é, mas é tão bom quanto!





toda a decoração feita pela mamãe!!

o bolo, com recheio de brigadeiro e brigadeiro de maracujá, foi feito pelo papai e decorado
todinho por mim!

A casa, do jeito que a gente adora - cheia de gente querida!







A terceira, no gan:

Três dias depois, comemoramos no gan (creche) também. Como os amiguinhos são pequenos e não convidamos nenhum pra festa aqui em casa (porque teríamos que convidar também os pais e os irmãos, e ai não caberia), achamos que ele merecia comemorar lá também, já que todos os amiguinhso o fazem. E foi muito legal! Mas querem ver a diferença nos hábitos? Esqueçam as coxinhas e os risoles!

A dona do gan nos deu uma lista do que levar:

20 ovos cozidos
20 sanduichinhos
salada
um bolo simples

um pacote de marshmallows
dois pacotes de Bamba
dois pacotes de Begalê (um salgadinho tipo aquele de palitinhos do Brasil)

Esses três últimos itens vieram riscados assim mesmo, ela sabia que eu não aprovo esse tipo de "comida" pra criança pequena e não levaria.

Um dia antes, checando os últimos detalhes, ela me pediu pra não levar os ovos cozidos, porque a festa seria na hora do café da manhã, entre 8:30 e 10 e se eles comessem muito, não almoçariam (eles almoçam às 11:30, almoço de peão!)

Confesso que tínhamos pensado em fazer outras coisas, espetinhos de frutas, sanduíchinho em forma de bichinhos, mas devido à correria com a volta da viagem e a outra festa, e também porque sabíamos que eles não comeriam muito, resolvemos fazer somente o que ela pediu, à nossa maneira...

Não se usa fazer decoração com tema algum, mas eu usei o que sobrou da festa de 1 ano dele (que foi com o tema Safari) e dei uma abrasileirada nas coisas. Fiz convitinhos pras crianças e um cartaz bonito pra porta do gan (é assim q anunciam as festinhas, pros pais comprarem presente!). De lembrancinha mandei uma bolhinha de sabão personalizada e um rashan, um brinquedo que faz barulho, típico de Purim (que foi essa semana) .

Pra comer levamos salada (e os pequenos comeram, às 9 da manhã!), sanduichinhos de queijo e cupcakes de laranja, que eles acabaram comendo só à tarde e segundo a dona do gan, devoraram.





Depois do café da manhã (achei essa idéia bem legal, comida mais gostosa e saudável), ela começou com a festa em si. Foi muito bonitinho e emocionante pra mãe chorona ver a homenagem pro Uri. Mais lindo é vê-lo, tão pequeno, entendendo que aquele era o seu dia e interagindo, dançando, participando. Filmei tudo e juntei tudo no video abaixo, com algumas explicaçõeszinhas. Não repara na qualidade da edição, preciso aprender mais sobre isso e parar de filmar com o iphone (muito mais prático, concorda), pra fazer vídeos de melhor qualidade.


O Uri ganhou tantos, mas tantos presentes nessas três festas que tivemos que guardar a metade deles. temos uma prateleira cheinha de surpresas que ele vai ganhar por muitos meses!



Agora que a viagem e as festas acabaram, podemos respirar de novo e colocar, finalmente a vida em dia! Nosso ano começou com muitos eventos e muita alegria! Feliz 2013 pra todos!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quem cuida do seu filho em Israel?


Esse é outro post que fez parte de uma Blogagem Coletiva do Mães Internacionais (originalmente no Grãozinho de Bico) e resolvi transferir pra cá.

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A licença maternidade paga em Israel é de míseras 14 semanas (3 meses e meio). Depois disso, se a mãe desejar, as empresas têm que aceitar que ela tire até os seis meses do bebê, mas ela não receberá mais pagamento por esse mês e meio. Após os 6 meses, fica a critério da empresa aceitar uma extensão ou não. Nem vou entrar no mérito do que é justo e o que não é, do quanto dói deixar o filho pequenininho e voltar para o trabalho e do quanto eu queria morar na Estônia, onde a licença maternidade pode chegar a 3 anos!!!

Então, chegada a hora maldita as mães têm algumas opções de cuidados pros bebês.

A comunidade russa (enorme no país), e muitos israelenses também, optam em deixar com a vovó. Na cultura russa isso é bem comum, minhas amigas do trabalho deixam os bebês com as babushkas e eu vejo um monte delas passeando com carrinhos por ai. Essa, pra mim, seria a opção ideal (tirando a de eu poder ficar em casa até o o primeiro aniversário dos meus filhos). Na minha opinião, até 1 ano de idade, o bebê não necessariamente precisa de contato com outros bebês, não precisa de muitos estímulos fora os que são dados pela mãe, se essa realmente passar um tempo de qualidade com o seu filho. Tipo aula de inglês, de música ou de sei lá o q, na minha opinião, é bobeira antes de 1 ano. Contato com outras crianças é legal, principalmente depois de uns 9, 10 meses, mas se a mãe tiver um círculo de amigas com filhos da mesma idade, se levar sempre no parquinho, se procurar atividades para bebês (no shopping na esquina de casa, tem encontros semanais e gratuitos para mães e bebês, com atividades que estimulam o desenvolvimento deles), a escolinha não é realmente fundamental.

Quem, como eu não tenha a safta (vovó, em Hebraico) por perto, mas ainda acha q o bebê deve receber um cuidado 1:1 nos primeiros meses, apela pra babá (ou metapelet). Aqui em Israel, a metapelet pode estar na sua casa ou na casa dela mesmo. Se for na sua casa, ela é, a priori, contratada pra cuidar do bebê, não da casa. Você pode combinar que ela cuide da roupinha dele e faça a comidinha dele enquanto ele dorme, mas não mais do que isso. Se vc quiser que ela faça qualquer outra coisa, tem que pagar a parte, o que é muito justo. O salário de uma metapelet varia, vai de 2 mil e poucos shekels (mil e poucos reais), a uns 5 mil, dependendo do número de crianças, da quantidade de horas trabalhadas por dia, e do que ela vai fazer na sua casa e pro bebê.

Dá também para deixar o bebê na casa da babá, se ela preferir e se você concordar (e ainda por cima achar estranho ter alguém enfiado na tua casa o dia todo). Essa é uma ótima alternativa também, desde que a babá escolhida seja uma pessoa de extrema confiança e que tenha indicações. Nas duas opções, vale combinar todos os detalhes, os horários, o que pode e o que não pode fazer com o bebê e em geral, principalmente se for na casa dela, porque a gente tende a se sentir menos à vontade e não fala desde o início, ai acontecem coisas que te desagradam, mas você acaba não falando nada. Por exemplo: Você combina com a babá o período de 9 às 16. Estando na casa dela, você até imagina que tudo bem ela fazer o almoço e comer enquanto o bebê dorme. Isso é normal, isso é aceitável. Porém, chegar na casa da babá e encontrar o teu filho, que já engatinha, preso no carrinho (sempre detestei carrinho dentro de casa, criança tem que ficar livre, aqui o carrinho fica do lado de fora, meu filho nunca ficou sentado no carrinho em casa), na cozinha com ela, enquanto ela limpa a casa com litros e litros de água sanitária. Isso não é OK!!!! Não é OK porque você não paga a babá pra limpar a casa dela quando poderia estar brincando, passeando ou cuidando do teu bebê e é menos OK ainda porque manter um bebê num ambiente fechado com cheiro de água sanitária é perigoso. Então, aprenda comigo: Combine tudo, escreva, converse, pergunte, teste. Não tome como certo que a babá vai pensar como você e querer o melhor pro teu filho. Talvez o melhor dela não seja tão bom assim. E fale tudo que te incomodar, desde sempre, pras reclamações não se acumularem e tudo ficar pior. E isso vale para babás israelenses, russas, brasileiras, argentinas, filipinas...

Os pais que não têm condições de ter uma metapelet, podem contar com uma outra opção: Algumas mães de bebês que podem ficar mais meses em casa mas que desejam aumentar a renda familiar, pegam mais um bebê pra cuidar junto com o seu. De novo, é uma ótima alternativa se você conhecer essa mãe, ou tiver muitas e excelentes indicações dela. E de novo, combine TUDO.

Há outras pessoas que resolvem cuidar de 3 a 4 bebês em suas casas. A isso se dá ao nome de mishpachton . Eu não sei dizer se há algum regulamento ou fiscalização para os mishpachtonim (plural de mishpachton), ou se quem quiser abre o seu e pronto. Já ouvi histórias horripilantes sobre eles, da cuidadora que espanca criança, de comida de pouca qualidade, de crianças jogadas em frente à TV o dia todo. Por outro lado, já ouvi falar de cuidadoras cuidadosas (há!) e carinhosas, lugares limpinhos e próprios pros pequenos, enfim, é a opção pra quem não quer ainda colocar o seu filho numa creche com muitos bebês.

As creches (ou ganim) aqui podem ser públicas ou privadas. Geralmente, as públicas, as gratuitas, começam aos 3 anos de idade da criança. Antes disso, há creches de entidades beneficentes que têm um bom desconto na mensalidade. Para isso, a mãe tem que provar q a renda familiar é mais baixa e o desconto é dado de acordo a isso. Esses ganim são muito concorridos não só por esse fator econômico, mas pela qualidade nos cuidados com as crianças (segundo contam). 

Nós pagamos pro Uri o equivalente a 1250 reais, pro período de 7 às 4 (se quiséssemos até às 5 seria 50 reais mais caro) de domingo à quinta e 7 às 12 às sextas feiras. Nesse preço estão incluídas 3 "refeições" - café da manhã (que pra gente seria mais um lanche da manhã, porque é "tarde", 9 e pouco, e ele toma café da manhã em casa), almoço e um lanchinho à tarde (não considero refeição porque ele sempre chega em casa morrendo de fome), algumas aulinhas extras por semana (yoga e esporte para crianças pequenas e musicalização) e só. Fraldas, lenços umedecidos, creme pra assadura, leite artificial (se for o caso) são mandados pelos pais.

Há ganim bons e ruins, como em todo lugar, eu acredito. Os espaços podem ser grandes, arejados e arrumados, mas também pequenos e bagunçados. Há ganim com camêras que filmam tudo e os pais podem ver os filhos pela internet, há ganim que mandam fotos pros pais das atividades dos pequenos com uma certa frequência, há ganim onde tudo é uma bagunça. Tem que saber procurar e acima de tudo, ter recomendações de gente conhecida.

Ainda pra essa faixa etária (até os 3 anos), há ganim religiosos, russos, bilingues (inglês e hebraico). Esses ganim têm uma certa fiscalização do governo, mas não são administrados por ele. A partir dos 3 anos, a criança vai pro gan trom-trom hová ("creche pré-pré obrigatória") e aí sim é o governo que manda e fiscaliza, há um planejamento a ser seguido, que é igual para todos e ele é Hebraico. Mesmo se a criança for para o gan onde só se falava russo até essa idade, ela terá que ir ao gan hová "nacional" quando for a hora. Esse gan é gratuito e funciona até às 13 ou 14 horas. Se os pais precisam que a criança fique até o final da tarde, pagam pelo tza'aron (falo dele aqui embaixo).

Aos 6 anos eles começam a escola, que é pública também (há escolas particulares, mas elas são as bilingues, as internacionais, enfim, as "especiais"). No ensino fundamental (até a 5a série de quando nós estudávamos - já me perdi com as mudanças na nomeclatura no Brasil ) as crianças estudam só na parte da manhã e um ou outro dia saem um pouco mais tarde.

Pras mães que trabalham e não têm onde deixar os filhos (maiores) na parte da tarde, há os tza'aronim, tanto nas escolas quanto fora delas. São lugares onde as crianças almoçam, passam a tarde, têm ajuda pra lição de casa, às vezes atividades como pintura, artesanato e brincadeiras dirigidas.

A minha opinião sobre o sistema, baseado no que vivemos até agora com o Uri (1 metapelet e 2 ganim particulares) ? Talvez por falta de sorte, talvez por exigência minha (confesso, sou chata), mas não estou satisfeita. com a metapelet, além de outros problemas que não têm a ver com ela (era longe demais), faltou comunicação no começo, faltou pontuar muitas coisas e eu acabei não falando de coisas que me incomodavam desde o começo, fui deixando passar e depois elas ficaram insustentáveis pra gente.

O primeiro gan que ele foi era longe demais (20 minutos pra ir, 20 pra voltar, mais os minutos que passávamos lá, quase 1 hora perdida de manhã e à tarde) e era ruim. As cuidadoras não paravam no emprego (forte indicativo de um mau local de trabalho). Eu tinha a impressão que meu filho ficava jogado no chão o dia todo, salvo quando comia ou dormia, e não era estimulado de maneira alguma. Eu não gostava das cuidadoras, não confiava. Enfim, não era bom. Ainda assim, demorou 6 meses pra eu me convencer de que o problema era o gan, não eu e a minha exigência.

Ai encontramos esse novo gan, na rua de baixo de casa, o que tranformou a nossa vida para melhor, temos muito mais qualidade de vida com o Uri, de manhã e à tarde (e até hoje eu e o marido nos perguntamos onde estávamos com a cabeça de colocar o nosso filho em dois lugares tão longes - a metapelet e o outro gan). Eu gosto muito de duas das 3 cuidadoras fixas, são mais velhas, são mães e se preocupam pra valer com o bem-estar das crianças. A terceira cuidadora é a dona do gan e responsável pela parte "pedagógica". Eu gosto dela, acho que ela faz um trabalho legal com as crianças, mas já a peguei gritando, o que eu não gosto. Fora que às vezes eu sinto que ela é um pouco falsa, fala as coisas que eu quero ouvir. Uma coisa que me incomoda bastante é às vezes chegar e a filha da dona (uma pirralha de 22 anos antipaticíssima e sem o menor appeal com as crianças) estar cuidando deles porque as outras cuidadoras já não estão. A comida é OK, mas o cardápio não varia muito e o pior, na minha opinião, é que oferecem doces pras crianças, pão com chocolate no lanche, Bamba e balas nas festinhas. Isso vai muito contra o que eu e o marido queremos e ensinamos ao Uri, mas recentemente, vendo meu filho deixar um bombom derreter na mão por falta de interesse e se acabar de gritar porque acabou o melão cortadinho no potinho dele, percebi que o nosso trabalho está feito, meu filho pode até comer um doce ou outro na creche (mesmo com toda a minha indignação com isso), mas só de não termos porcarias em casa - pelo menos não ao alcance dele - e ele vendo muitas coisas saudáveis por aqui, já adaptou o paladar. 



Além disso, eu percebo que o Uri aprende bastante coisa no gan, tanto no convívio social - guardar os brinquedos, aprender a dividir, a escutar comandos (como o de sentar e escutar) como músicas e palavras em Hebraico (coisa que não aprende em casa). Um dia, do nada, o vejo cantando musiquinhas em Hebraico, fazendo gestos, e percebo que ele tem sim um mundo "dele", longe dessa casa e da nossa influência.

De qualquer forma, pelo q eu ouço por aqui, apesar de diferente, o ensino em Israel é bom. Quer dizer, se compararmos às melhores escolas particulares do Brasil, claro que ele sai perdendo, mas sendo o ensino fundamental público, ele é bastante razoável. Quanto às creches, eu sinto sim falta de uma boa creche particular pro Uri, dessas ueq eu vejo nos blogs por ai. Aqui o negócio é diferente, não tem tanto capricho, mas como eu sei que me dedicaria à educação dele em casa de qualquer maneira, me forço a não ficar me lamuriando e não tentando comparar muito. 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva - Laços de família

Minhas primas moraram fora do Brasil quase que desde sempre e nós passamos anos da nossa infância e adolescência trocando cartas, postais, cartões e bilhetinhos entre a gente. A nossa maior alegria era quando alguém ia ou vinha de onde eles estavam (Recife, Fortaleza, Bolivia, Honduras, Espanha) e trazia pacotes e mais pacotes de cartas e fotos, que tinham sido escritas durante semanas, contando como ia a vida delas, como estava a escola, as primeiras paixões, as viagens que elas faziam e etc.

Essa era a nossa única forma de comunicação, ligações internacionais eram caras e só eram feitas nos aniversários e outras datas especiais. Às vezes chegavam também fitas de vídeo com as aventuras da família, às quais nós (eu e minha irmã mais nova) assistíamos muitas e muitas vezes. Outras vezes eram fitas cassete, com os hits em Espanhol do momento, com falas e propagandas de rádio mal gravadas, e tudo era motivo de festa para gente, tudo era visto como a possibilidade de estarmos perto, mesmo que tão longe. 

Além da gente, eu me lembro do meu avô carregando as fotos dos netos "estrangeiros" pra cima e pra baixo, mostrando pra todos os amigos na padaria e na lotérica, contando orgulhoso do que via quando ia visitá-los, esperando ansioso por um fax do meu tio (que quase sempre dava problema, chegava cortado, a tinta acabava, mas era o ápice da modernidade no começo dos anos 90).

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Vinte anos depois, hoje eu me vejo longe do meu país, criando meu filho longe da família. E isso é triste. Eu vejo o tempo passando e a minha mãe perdendo os pequenos momentos do dia-a-dia da vida do neto, as gracinhas, as palavras novas, os abraços e os beijos melados que só uma criança de um ano e meio sabe dar. 

Quando decidi me mudar para Israel, filhos, apesar de estarem nos planos e nos sonhos, ficavam longe da minha realidade. Quando eu me vi grávida e sem ninguém para me acompanhar nos ultrassons, sem ninguém pra fazer compras comigo, percebi que quando da minha vinda, essas pequenas alegrias não estavam na minha cabeça e que hoje elas são importantes sim.

Mas não fico me lamuriando, eu fiz as minhas escolhas e não me arrependo delas, e como não há maneira de termos tudo na vida, vamos levando e tirando o melhor de todas as situações. Não tendo outra alternativa, fico felizes com que temos. 

E graças às maravilhas da modernidade e da tecnologia, hoje temos muito mais recursos do que apenas fitas de vídeo ou cartas escritas à mão!!

Eu sempre adorei registrar todos os momentos da gravidez e chegada do Uri para que ele um dia possa ver como foi querido desde sempre, como as pessoas vibravam com a vinda e a vida dele. Comecei um blog e nele contei (e conto) com detalhes sobre tudo o que aconteceu desde que ele foi concebido, para que todos, mesmo de longe, possam acompanhá-lo e expressar seu carinho por ele. Um dia quero imprimir os posts do blog e dar pra ele de presente. 

Colecionei todos os emails, mensagens, cartões, recados e comentários no facebook desde o dia em que descobri a gravidez e colei tudo em um caderno decorado. São fotos de US, poemas escrito pela bisavó, mensagens de amigos. Me deu muito trabalho fazer isso, mas foi uma forma legal de registrar esses momentos pra mim e pra ele, tenho certeza de que um dia ele vai gostar de ver o carinho de pessoas de longe para com ele. Eu mesma peguei o caderno outro dia e me emocionei com a expectativa de todo mundo, realmente, é uma delícia recordar esses momentos. Hoje em dia eu guardo mensagens e cartões em datas especiais, como o primeiro aniversário, não dá mais para salvar, imprimir, recortar e colar todos os recadinhos!






Fora isso, eu coloco muitas fotos e muitas atualizações da nossa vida no facebook, maldito e bendito facebook! Eu às vezes sinto que me exponho demais, mas essa é a maneira da família de longe acompanhar o que acontece por aqui.

Eu tenho uma irmã no Brasil e outra que trabalha num navio e cada dia está num lugar. Tenho primas nos Estados Unidos, no Brasil e na Espanha (as das cartas), que por sua vez têm filhas, que são as únicas priminhas do Uri. Meu marido tem família no Uruguai, um irmão em Israel, outro na República Dominicana e outra em Cuba. Fora os amigos... Ou seja, o Uri tem tios espalhados por todo canto e para que eles possam estar a par do q acontece na nossa vida, o facebook é uma maravilha.

Tem também o Skype e vira e mexe tem algum tio vendo o Uri comer, brincar e fazer gracinhas. No começo ele não entendia e ficava mudo, hoje em dia ele interage, "conversa", manda beijos e faz tchau. O iphone também me deixa mandar fotos, vídeos e mensagens instantâneas pra muita gente, contar os detalhes mais (in)significantes e nos aproxima muito da família e dos amigos de longe.

A minha mãe não é uma pessoa nada tecnológica, não tem e nem sabe usar um computador, então ela conta com a boa vontade do meu tio e das minhas irmãs para ver fotos e videos do neto e para promover conversas no Skype quando dá. 

Hoje em dia, as ligações internacionais são muito mais baratas (além das que podem ser feitas gratuitamente no computador ou smartphones, como no Viber ou FaceTime), um minuto para o Brasil pode ser mais barato do que um minuto dentro de Israel mesmo. Eu ainda tenho mais sorte, pois minha conta de telefone é paga pela empresa. Eu não abuso, mas sei que posso ligar sem custo algum para quem eu quiser (e a empresa sabe disso, antes que me chamem de aproveitadora). A nova onda do Uri é pegar o telefone e "conversar" com quem está do outro lado. Tirando o "auô" e o "taaaau... byyeee", não se entende muito o q ele diz (mas minha mãe deve achar que é Hebraico fluente), mas ele faz a alegria de muita gente. 

Não falo tanto quanto gostaria com a minha família porque todos são ocupados e o fuso horário atrapalha muito, mas entre mensagens no facebook, um comentário numa foto, uma ligação no Skype e outra no telefone, todos nos comunicamos minimamente bem.

Outra coisa que nós usamos muito por aqui são fotos. Eu gosto muito de porta-retratos, minha casa está cheia deles e nós sempre mostramos fotos pro Uri, ensinamos quam é quem e aos poucos ele vai "convivendo" com a família, nem que seja a estática, conversa com eles, aponta, ri, dá beijos.


As portas de entrada em Israel são de ferro, sempre, por motivos de segurança e como uma maneira de segurar o fogo no caso de um incêndio. Assim, temos um grande painel de ímãs à nossa disposição. Quando o Uri começou a engatinhar, coloquei ímã em uma foto da minha mãe e em uma da minha irmã e o ensinei quem era a vovó e quem era a titia. Ele aprendeu a reconhecê-las e era só falar em uma delas que ele apontava pra porta, desde uns 9 meses. E de vez em quando a gente o pega dando uns beijos nas duas... Meu objetivo era aos poucos encher a porta de fotos, mas confesso que deixei passar.

Em janeiro vamos pela primeira vez ao Brasil, eu e ele. Acho que como ele já vai estar perto dos dois anos, vai entender melhor, se socializar, formar laços com a parte da família que está lá, e a gente vai fortalecê-los na volta. Em junho passado fomos à Espanha visitar as minhas primas e até hoje ele "fala" delas. 

E assim vamos levando... Sempre morrendo de saudades, às vezes com o coração apertado, mas sempre fazendo possível para estarmos "juntos". 



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