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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O parquinho dos bebês

Eu tinha proposto mostrar alguns parques daqui de Israel, mas depois do Sportek, acabei não mostrando mais nenhum.

Mas me redimo e mostro hoje outro parque que fica bem pertinho daqui de casa, ao qual nós vamos bastante. Eu e o meu marido o chamamos de "parquinho dos bebês", ou "parque dos prédios" (porque ele fica entre 2 prédios, parece até o playground particular deles). 

"Parquinho dos bebês" porque realmente ele é o mais propício para crianças menores. O chão é de grama artificial, os brinquedos são mais baixos e mais adaptados aos pequenos engatinhantes e recém-andantes e como ele fica numa área menor e mais fechada, é menos atrativa a crianças maiores andando de bicicleta, coisa que me deixa bem nervosa em outros parques, porque meu filho ainda não se dá conta e anda pra lá e pra cá sem prestar atenção ao movimento e muitas vezes as próprias crianças de bicicleta (patins, patinete e afins) são pequenas e não tomam cuidado com os pequenos pelo caminho. Então nesse parque eu fico mais tranquila quanto a isso. 

Além disso, o parque tem uma cobertura legal, o que garante menos sol no longo verão insuportavelmente quente dessa terra. Por outro lado, essa cobertura não tem iluminação e agora no outono e no inverno, quando o dia é mais curto, o parque fica escuro bem cedo, o que é um ponto negativo dele.

Outra coisa que nos incomoda muito é a falta de cidadania e de respeito de alguns (ou muitos) frequentadores do parque, que sujam o chão todo com casquinha de semente de girassol (mania nacional), pacotes de salgadinho, bitucas de cigarros e até fraldas sujas!!! A prefeitura limpa sempre os parques, mas já aconteceu de chegarmos, nos depararmos com a catástrofe e a sujeira e darmos meia volta... Não consigo entender como, em primeiro lugar, alguns pais fumem tão perto de crianças. Se nós estamos em algum parquinho e vem alguém fumar perto dos brinquedos, pedimos pra se afastar. Eu acho que é nosso direito, e principalmente das crianças (e dane-se se acharem ruim). Além disso, esse é um (dos muitos) parques tão bonitos, tão planejados e tão curtidos por aqui, tanta gente no Brasil gostaria de poder levar os filhos num lugar tão legal e tão perto de casa, por que, por quê, meu D-us, não valorizar e não ajudar a cuidar? Juro, eu não entendo.

Mas enfim, nós levamos o nosso filho nesse parque desde os 7, 8 meses de idade, quando ele só engatinhava a gente muitas vezes o deixava solto pelo chão, junto com outros bebês. Hoje em dia ele corre e sobe em tudo e a gente fica por perto garantindo que ele não vá cair de algum brinquedo mais alto. 

Agora as fotos...

Tem uma área meio separada com algumas "estátuas" de bichos pras crianças subirem:




A parte dos brinquedos, coberta








jogo da velha!




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Blogagem Coletiva - Dia das Crianças - Do que brincam os pequenos israelenses?


Em Israel não se comemora o Dia das Crianças como no Brasil. Acho que já comentei por aqui que temos um "Dia da Família" lá pra fevereiro, que engloba os dias das mães, dos pais e das crianças e mesmo assim é bem menos comercialmente explorado, pouca gente dá presente, não tem propaganda na TV, até eu ter filho eu mal me lembrava desse dia.

Além disso, propaganda infantil aqui deve ser proibida na TV, eu não me lembro de ter visto um comercial de brinquedo, mochila, CD, DVD, o que for, na TV aberta. Na fechada nem comercial tem. Acho ótimo, acho certo e um dia ainda comentarei mais sobre o assunto, que pra mim é muito importante. Apesar disso eu acho a população israelense bem consumista, crianças e adultos. Um exemplo disso são as sextas feiras e as vésperas de feriado por ai. Todas as lojas, todos os shoppings, todos os supermercados estão lotados, e o povo compra, compra, compra. Comida, coisa pra casa, brinquedos e mais brinquedos.

Já fui em casas de amigos que pareciam mais lojas de brinquedos, um moooonte de brinquedos iguais (tipo 4 carrinhos idênticos, talvez um detalhe de cor mudavam), bicicleta, triciclo, carrinho a bateria, patiente. Um monte de coisas, geralmente amontoadas, quebradas, faltando peça.

Juro, me dá aflição.

Eu acho que meu filho tem muito brinquedo, e ele não tem 1/4 dos brinquedos que eu vejo em muita casa por ai. Eu me lembro de ter saído para comprar brinquedos pra ele poucas vezes, ganhamos muitas coisas que eram de filhos de amigos e procuramos não ficar juntando tralha. Se não tem onde guardar nas prateleiras dele, vejo se ele brinca mesmo com aquilo e se a resposta for não, vai pra doação.

E quando eu lembro do consumismo desenfrado que eu via no Brasil, das milhares de propagandas de brinquedos, principalmente nessa época do ano, da manipulação dos pequenos, me dá mais aflição ainda. 

Dai que há uns dias a Paloma me convidou pra falar um pouco sobre brincadeiras (e não brinquedos) em Israel, tomando parte de uma blogagem coletiva por ocasião do Dia das Crianças, promovida pelo movimento Infância Livre de Consumismo - "Compartilhe brincadeiras" e desde então eu tenho procurado observar as crianças à minha volta. 

Essa semana mesmo fomos à praia e entre catar conchinhas, entrar e sair do mar e "escrever" na areia com um graveto, percebi que brinquedo nenhum faz meu filho tão feliz quanto esses momentos em familia, e isso não é demagogia não! No alto dos seus quase 20 meses, ele está descobrindo o mundo e tudo, absolutamente tudo, é um laboratório pra ele. Muitas vezes ele pode ficar horas passando feijão de um recipiente pra outro e ignorar completamente o Fisher Price caro que ganhou.

Mas fato é que, com muitos brinquedos ou não, criança israelense brinca fora de casa, infinitas vezes mais do que os pequenos coitados brasileiros presos dentro de casa e nos shoppings. A grande maioria aqui é criada no parquinho da esquina. Nós mesmo temos uns 5 num raio de 100 metros do nosso prédio e poucos são os dias que não levamos o nosso filho em um. E eles estão sempre lotados. Pais, mães, avós, avôs, bebês, crianças maiores sozinhas, bicicletas, patinetes, bola, etc etc.

Quer ver como ele curte??? 








Eu gosto muito de ver isso, acho que é infância saudável, fora de casa, ao ar livre, no sol, gastando energia, correndo, se sujando. Eles também assistem bastante televisão, mais do que eu acho certo e legal, mas pelo menos têm os parques pra "balancear".

Daí que eu sai perguntando pra uns amigos israelenses sobre as brincadeiras de infância por aqui (já que o Uri ainda é pequeno e pouco brinca com outras crianças fora da creche). Eles me mandaram uma lista, mas eu acredito que a maioria seja de brincadeiras da infância deles, e pouco se brinca com elas hoje em dia. De qualquer forma, algumas são bem parecidas, ou são versões das nossas brincadeiras clássicas, lá no Brasil...

5 אבנים - chamesh avanim - 5 pedras

O famoso jogos dos 5 saquinhos, só que aqui são 5 pedrinhas. Pelo que eu andei vendo por ai, no passado, haviauma diferença nas regras do jogo em Tel Aviv e em Jerusalém (esse era mais complicado!).


o jogo, como é vendido

                    



גומי - Gumi - Brincadeira do elástico

Aparentemente as regras são as mesmas do clássico dos anos 80: 3 participantes, dois seguram o elástico na pernas enquanto o terceiro "pula", de acordo a uma coreografia e algumas fases - a de "não pode falar", a que um fala "stop" e o que está pulando tem que ficar como uma estátua, a de pular com um pé só, a de pular com os olhos fechados...




דוקים - Dukim - Pega-varetas


41 varetas coloridas - O obejtivo é pegar o maior número possível de varetas, sem mexer as que estão em cima.



קלאס - Class- Amarelinha

As mesmas regras do nosso jogo no Brasil - jogar a pedrinha, pular um pé só em cada quadrado, recolher a pedrinha sem cair e chegar no "céu"!



מחניים - Mechanim - Queimada

As regras, pelo que eu entendi nas minhas pesquisas, são as mesmas das que jogávamos nas ruas e nas escolas lá pelos anos 80. Dois times, um participante de cada time são escolhidos para lançar as bolas, tentando "queimar" os outros participantes que estão mais perto. Se algum desses particpantes do "meio" consegue pegar a bola sem deixá-la cair, ele passa a ser o atirador. O objetivo é que um dos times consiga queimar todos os jogadores do time adversário.




כן לא שחור לבן - Ken, Lo, Shachor, Lavan - Sim, não, preto, branco

Esse é um jogo de palavras, onde o "desafiado" tem que responder perguntas sem usar as palavras sim, não, branco e preto. Obviamente, quem faz as perguntas, tenta forçar o desafiado a respondê-las usando essas palavras.

איקס עיגול -  iks igul -Jogo da velha

O legal é que em muitos parquinhos por aqui, as crianças têm um brinquedo de jogo da velha, como esse:




Essas brincadeiras são as mesmas que as nossas, mas os nomes são ainda mais interessantes!


דג מלוח - - Dag Maluach - Arenque (!!) - - Esconde- esconde

Uma criança, com os olhos tapados, conta até 10 enquanto os outros se escondem. Ao terminar, ele anuncia "1, 2, 3... arenque!" e sai a procura dos outros. O objetivo é que os escondidos cheguem ao local onde o "arenque" estava contando, sem serem pegos por ele. O jogo é igual ao nosso, o nome é que é diferente e inusitado.





 "A vovó está bordado" - Cama de gato - סבתא סורגת -










הרצל אמר - Herzl mandou- "Seu mestre mandou"

esse é o cara
Theodore Herzl foi um dos precursores do sionismo e é, sem dúvida uma das figuras mais importantes da história do país. Tão importante, que quem manda, nessa brincadeira, é ele!









Enfim, achei essa BC muito gostosa de pesquisar e escrever. Apesar de não termos muitas brincadeiras diferentes (além dos nomes delas), foi legal relembrar do que eu mesma brinquei por tantos anos. Deixa só o Uri crescer... 

Gostei também da repercusão da campanha do ILC nas últimas semanas no facebook. Quem sabe não é um começo de uma nova era, com mais brincadeiras, mais tempo em família e menos consumismo?






A maioria das imagens das brincadeiras é daqui. 



domingo, 7 de outubro de 2012

Festa das Nações & outros eventos em Sukkot

No post anterior eu comentei que durante a semana de Sukkot as crianças têm férias nas escolas e há uma grande variedade de atividades e eventos para elas e para as famílias nesse período no país inteiro.

Esse ano aproveitamos esses eventos um pouquinho, já que o Uri já está maior e curtindo mais e podendo sair um pouco da sua rotina de estar na cama antes das 7:40 da noite.

Então na 3a passada eu o levei a um showzinho em um centro comercial aqui na esquina de casa. Era um evento de um dos quatro planos de saúde do país que aconteceu durante a semana toda, cada dia era uma atividade diferente para as crianças, tudo de graça, bem legal.

Nesse dia tinha um show de uma "palhaça" (ela se entitulava palhaça, mas esqueceu de pôr a fantasia), umas pessoas de perna de pau e um teatrinho de bonecos. Nós encontramos 2 amiguinhas do Uri da escola e foi uma tarde diferente e engraçadinha (mas nada de mais). Ele correu e se divertiu e é o que importa.







Dai no dia seguinte fomos numa festa maior, promovida pela prefeitura, em um parque lindo daqui de Netanya (preciso voltar lá de dia e tirar umas fotos pra colocar aqui, já tinhamos ido umas vezes, mas não chegamos a ver 1/3 dele).

Eu já tinha visto propaganda dessa festa no ano passado, mas não fomos porque ele era bem pequeno, então esse ano eu insisti para que fóssemos e foi muito legal!

Pela propaganda (que eu li errado) era uma "Festa das Nações". Eu imaginei as festas desse tipo que eu ia no Brasil, barraquinhas de comidas típicas, shows de dança e pronto. Sempre gostei desse tipo de festa (call me tacky), achei que seria algo do mesmo estilo.

Mas não era. Era uma festa sobre as comunidades judaicas ao redor do mundo (na Diáspora) e sobre a chegada deles em Israel.

Logo que chegamos percebemos que estava tudo super bem montado, super arrumado. Havia vários stands de várias entidades judaicas aqui em Israel e em outros lugares do mundo, muitas coisas interativas, jogos para crianças de várias idades, exposições, shows para crianças e adultos. Tinha várias apresentações de crianças dançando, principalmente em inglês e em russo. Ah, e uma sukká enorme, com decorações típicas de um monte de países, mas não conseguimos entrar porque a fila estava enorme e o nosso filho ficou impaciente.

As barracas de comidas típicas deixaram a desejar, eu acho que a prefeitura poderia ter reunido as comunidades presentes na cidade e incentivado um maior número de barraquinhas. Mas ok, tinha os básicos - hamburguer e hot dog, batata frita, comida chinesa, crepe francês, pizza, pipoca, refrigerante.

Uma coisa que eu (a eterna teacher) adorei foi que logo na entrada ganhamos um "passaporte" de papel, com bandeiras, perguntas e lacunas para preencher. Eu achei que era alguma coisa pra responder em casa e logo enfiei no bolso do carrinho do bebê. Mais tarde eu e o meu marido percebemos que aquilo na verdade era um jogo para crianças maiores, que precisavam passar pelos stands e cartazes de vários países, participar de uma atividade em cada um deles e depois preencher os dados que eram pedidos no passaporte, e ai ganhavam um carimbo da "alfândega". Achei muito legal essa idéia de ensinar judaísmo, história judaica e geografia fora da sala de aula. Ponto pra prefeita de Netanya!

o "passaporte"

As placas com informações sobre as comunidades judaicas em diversos países e algumas atividades:




                                               
                                                           as crianças super participando - achei demais!

Enfim, nos divertimos muito, a família inteira. A única pena é que com o término do horário de verão, escureceu bem rápido e logo voltamos para casa, aproveitando menos do que gostaríamos. Esse tipo de festa, para mim, seria programa para um sábado inteiro, aproveitando as atividades, vendo tudo com calma e aprendendo várias coisas. Ah, e as fotos e as gravações em vídeo ficaram ruins, mas dá pra ter uma idéia.






"vou dar um pulinho no Brasil e já volto"


Uma atividade que mostrava quantos judeus há em muitos países do mundo: 





Esse era o stand do Birthright, uma entidade que tem como objetivo ajudar a trazer jovens judeus a Israel por 10-15 dias a preços bem simbólicos (ou de graça em alguma países). Segundo eles, todo judeu tem direito a vir conhecer Israel, um direito de nascença (birth right). Eles já promovem essas viagens há 13 anos e trouxeram centenas de milhares de jovens de todo o mundo pra cá. Meu marido e eu fizemos esse programa. Eu, inclusive, vim no primeiro grupo que saiu do Brasil!



E criancinhas russas cantando e dançando - achei fofo e se fosse meu filho eu estaria chorando.




quarta-feira, 25 de julho de 2012

Blogagem Coletiva - Mães Internacionais - Mãe de Dois (ou mais)

Eu sempre sonhei em ter muitos filhos, cinco para ser precisa. Ai cresci, vi que não era tão fácil como eu imaginava e planejei ter três. Mas resolvi me casar com um homem mais novo, tive meu primeiro filho mais velha do que a maioria (com 34 anos) e acho que vamos parar no segundo, que deve começar a ser planejado no ano que vem. Hoje em dia eu sei que ter filho (bem criado) dá trabalho e muitos gastos, principalmente nos primeiros anos, mesmo com toda a alegria que uma criança traz à uma casa. É triste ter que decidir o tamanho da família baseado nas condições financeiras, mas infelizmente, essa é a realidade. Outra razão que me faz desistir do terceiro é que não temos ajuda de ninguém por aqui, nem da família nem de ninguém com os cuidados da casa, então não sei se conseguiríamos. Mas não sou amarga nem ressentida por isso não. Imagino a casa com 2 crianças correndo e brincando (e brigando), um casal ou dois meninos, e acho que deve ser muito legal!


Aqui em Israel o número de crianças numa família diminui muito nos últimos anos. Hoje em dia é bem comum um casal ter dois filhos, no máximo três. O que eu vejo acontecer é terem dois filhos meio que na sequência (um ano e pouco ou dois de diferença) e ai dar um tempo e ter o terceiro depois de vários anos, geralmente quando o menor já está com cinco anos e já faz parte do sistema público de educação.


Isso faz sentido. Até os três anos, as creches em Israel são particulares, na sua maioria. (há outros tipos de cuidados pra crianças, falerei deles num post em breve). Eu pago quase 500 euros por mês de creche (das 7 às 4 da tarde) pro meu filho. Ele fará três anos em fevereiro de 2014, mas só poderá começar na creche pública no início do próximo ano letivo, em setembro, com 3 anos e meio. Ou seja, ainda tenho dois anos e 12000 euros pra pagar até ele ir pra creche pública. Se eu tivesse outro filho agora, o valor seria dobrado. E outra, a creche é pública até 1 e pouco da tarde, depois disso, se os pais trabalham e não podem ficar com a criança, eles têm que pagar por um serviço extra, que cuida das crianças até às 4 ou 5. Ou seja, é público e não é. Ai, se nessa época chegar um terceiro bebê, dá pra gastar uma boa grana em educação por ano. Fora isso tem as roupas, a fralda, o leite em pó (claro, se o bebê não é amamentado), os brinquedos, os remédios (q D-us não permita), o carro maior, a casa maior, os gastos com diversão. Eu acredito que o preço da creche é o que pesa mesmo no orçamento familiar, mas não podemos esquecer das outras coisas.


Acontece que, no judaísmo, a família é ponto central na vida de uma pessoa e durante muitas gerações as famílias tinham muitos filhos, que se reuniam (e se reúnem ainda) na casa dos pais toda 6a feira à noite pro jantar de Shabbat. Eu imagino que a famosa pressão "E ai, o nenê é pra quando?" é maior aqui do que no Brasil. Poucos são os casais que esperam muitos anos para ter filhos e menos ainda são os que decidem não ter filhos, ou ter um só. Estou tentando me lembrar aqui e acho que não conheço um filho único por ai, da minha geração ou da geração atual.


A rapidez em ter filhos também tem sua razão de ser. Israelenses terminam o colégio e vão pro exército, 2 anos pras meninas, 3 anos pros rapazes, em média. Saem do exército com uns 21 anos, trabalham por vários meses, juntam dinheiro, vão viajar pelo mundo e só voltam meses ou até um ano depois. Aí vão estudar e só depois começam a sua vida "adulta". Claro que isso varia de pessoa pra pessoa, mas na média, a história é essa. Nessa, a pessoa já está com 20 e muitos anos e não começou a sua carreira ainda. Conhecem alguém legal no meio do caminho e vão morar juntos. Quando resolvem se casar, por volta dos 30 anos, já moraram juntos por um tempo, já são mais velhos, não precisam esperar mais pra planejar um bebê, diferente dos casais brasileiros que namoram, cada um na casa dos seus pais, aí casam e começam a se cuirtir, deixando os planos pro bebê mais pra frente.


Outra coisa interessante é que já que as pessoas casam mais tarde e resolvem ter filhos mais rápido, quem não consegue em um ano (em média, claro), já pode partir pra tratamentos de fertilidade que são custeados pelo governo. Se eu não me engano, o governo paga o tratamento hormonal, as inseminações e uma FIV. Mais do que isso, eu acho que a pessoa paga uma parte. (Não tenho dados precisos sobre isso, se alguém que esteja por aqui souber, por favor, deixe um comentário!). 


Tirando o preço das creches particulares, ter um filho em Israel é mais barato do que no Brasil. A saúde (incluindo dentistas) é publica até os 18 anos, e há um acompanhamento de crescimento e vacinas super eficaz e gratuito também. Na maioria das cidades há muitas opções de lazer para as famílias, parques, atrações e etc. O índice de violência urbana é quase nulo, não há sequestros, as crianças maiores podem ir brincar sozinhas na pracinha sem problema algum, os pais não vivem com medo de sair às ruas com os pequenos. Criança aqui é criança, a publicidade pra elas é infinitamente menor do que no Brasil, a erotização precoce não existe, as crianças, meninos ou meninas, estão preocupadas em brincar, brincar e brincar (e comer Bamba!). 


Curiosamente, os pais aqui têm mais trabalho. Ok, não levamos a vida louca que uma família brasileira leva, trânsito, violência e etc, mas também geralmente não temos muita ajuda com as crianças e com os filhos. Há casais abençoados que têm os avós por perto, que sempre ajudam e há muitos como nós, que se viram nos 30 e dão conta de tudo. Da casa, do trabalho, das compras, da comida, da roupa, das crianças. Quase não há babás fora do horário de trabalho dos pais (salvo as babysitters que ganham por hora e que garantem a saúde mental do papai e da mamãe) e o máximo dos luxos e ter faxineira uma vez por semana. Os pais (maridos) geralmente são parte integrante da família e fazem a sua parte na criação e nos cuidados com os filhos, fazem compras, limpam a casa e tudo mais que uma mulher faz também. 


As famílias fazem muitos passeios juntos, as crianças vão pros restaurantes, vão pro shopping, vão pra todo canto com os pais, já que não temos com quem deixá-los, e no nosso caso, nem queremos. Nós gostamos muito de ter a companhia do Uri com a gente, gostamos de mostrar o mundo pra ele, mesmo ele sendo tão pequeno. Fora que, com a vida corrida durante a semana, quando finalmente temos um tempo em família, queremos aproveitar os três. 


***


almoçando com a Oprah.. rsrs.. imagem do Google
Isso tudo que eu falei acima se referia à população judaica não religiosa de Israel, os hilonim. Em se tratando de árabes e judeus religiosos, o número de crianças se multiplica. Não sei a razão disso na cultura árabe, mas pros judeus religiosos, quanto mais filho, melhor. Além disso, eles recebem uma ajuda do governo que os laicos não recebem, não pagam impostos, têm creches públicas sempre e mais um monte de benefícios (assim até eu). As mulheres geralmente não trabalham fora e passam a vida entre carregar a barriga, parir, criar os que já pariu e cuidar da casa. Eu tive o Uri num hospital super religioso aqui da cidade (o único) e lá eu vi várias mulheres com a minha idade no sexto - isso - sex-to filho! E nesse um ano e meio entre o parto e hoje, elas já devem ter tido pelo menos mais um, ou estão com o próximo embutido já. É, pois é. 


Em Jerusalém e em bairros religiosos pelo país você pode cruzar com várias famílias com 5, 6 ou 7 filhos e muitos deles vestem as crianças iguais, só mudando o número da roupa. 






Quer saber como são as famílias em outros países? Vai lá no site das Mães Internacionais! 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

As Grandes Férias

As férias de verão em Israel (assim como em todos os países do hemisfério norte) acontecem nos meses de Julho e Agosto, justamente no nosso alto verão. A tradução do termo "Chofesh hagadol" seria "As grandes férias". 


Nas escolas e nas creches públicas (a partir dos 3 anos), as aulas terminam dia 30 de junho e só vão recomeçar no dia 1o de setembro (parece que esse ano será um pouco mais cedo, dia 27 de agosto, acho). As creches de crianças menores, como a do meu filho, são particulares e por isso funcionam até metade de agosto mais ou menos. Eu ainda tive a grata surpresa de saber que a do meu filho vai trabalhar até dia 20, ou seja, serão só 10 dias de férias.


Eu não sei se são os "novos tempos", se é a cultura (sem empregadas e sem babá), mas eu vejo que as férias podem ser um grande problema para os pais. Eu lembro das minhas férias quando eu era pequena e além de uma viagem ou outra com a família, o negócio era ir pra casa da minha vó, ir pra casa de amigas, trazer amigas em casa ou brincar até a hora de dormir com a minha irmã. A gente assistia televisão sim, mas a gente inventava um monte de brincadeiras e passava o tempo, sem incomodar ninguém. Eu não lembro dos meus pais tentando inventar programas especiais para praticamente todos os dias das férias, coisa que acontece aqui.


Então é assim - a criançada sai de férias no fim de junho. Em julho, as creches e as escolas oferecem (até uma certa idade) um tipo de "curso de férias", muito bem pago pelos pais. Tem vários "tipos" de cursos, desde os mais standard, onde as crianças passam o dia brincando, pintando e às vezes têm alguma atividade extra, um passeio, uma peça de teatro. Tem também os cursos mais personalité, de futebol, de tênis, de circo, que são muito mais caros, obviamente. 


Como eu disse, mesmo a creche e as escolas sendo públicas, os cursos de férias são pagos pelos pais. Quem não pode pagar, não manda o filho e aí tem que se virar com ele em casa. Apela pra avó, pro avô, tira uns dias de folga, marido tira outros e no final fica tudo bem. No meu caso, que não tenho família aqui, não sei como vai ser quando o Uri estiver maior e tiver mais dias de férias da creche. Por enquanto eu não me preocupo com isso, esse ano foram só 8 dias úteis de folga que eu precisei tirar, então estou tranquila.


De qualquer maneira, com curso de férias ou não, entre o final de julho e o começo de agosto todas as crianças estão de férias realmente, não existem mais "esquemas" para entretê-las, além da família. E ai que a cobra fuma: O que fazer com as crianças?


Meu filho tem 1 ano e 5 meses e eu já percebi como é difícil mantê-lo dentro de casa por muito tempo. Ele precisa sair, precisa andar, precisa gastar energia. Eu moro num bairro ótimo pra isso, cheio de praças e parquinhos, q seriam os lugaes ideais pra soltar a ferinha por várias horas por dia, mas nós aqui temos um inimigo cruel nesses meses: O calor. O verão de Israel é muito quente, as temperaturas podem chegar a 40 graus em algumas partes do país e na maior parte, elas ficam por volta dos 32 praticamente o dia inteiro, fora a umidade do ar que é super alta e que nos dá a sensação de muito mais calor. Só começa a dar uma amenizada lá pras 6 da tarde, mas poder sair no final do dia não ajuda muito uma mãe com um filho entendiado. 


Agora que eu tenho filho, tenho me reparado na quantidade de atrações que o país oferece pras crianças e pros pais nessa época! Haja dinheiro!!! Na verdade, muitas atrações são de graça, mas claro, tem outras onde se paga entrada, tem o lanche depois, tem o transporte, o estacionamento, o sorvete... Imaginem isso por semanas e semanas a fio (e a maioria das famílias tem mais de um filho). Só pra listar algumas atividades das quais vi propaganda por ai:


-  Praticamente toda cidade  oferece um "Festival de Verão". Por exemplo, na cidade onde eu moro, tem atividades pra crianças na praia, tem shows na frente do mar, tem passeios guiados pela cidade, tem desfile de moda em mais um monte de coisas. Em todo jornal e no site da prefeitura tem a programação pros meses de julho e agosto. 


- A prefeitura também promove um projeto q se chama "Teatro no Parque". Vários grupos de teatro fazem apresentações pelos parquinhos de diversos bairros. 


- Os shoppings fazem a sua programação também. Tem oficinas de artesanato e de culinária, tem shows,  peças de teatro, tem pula pula e aqueles outros brinquedos montados.


- Um dos shoppings aqui de Netanya está patrocinando uma sessão de filmes ao ar livre.


- Os museus estão cheios de exposições novas.


- Há parques fechados, com atrações geralmente para crianças menores, de até 5 ou 6 anos (mais velhos que isso, na minha opinião, deveriam ser proibidos, já que correm, se jogam e podem machucar os pequenos). 






- Como em todo mundo, há muitos filmes para criança passando no cinema.


- O Groupon e todos os sites concorrentes estão cheios de descontos em parques aquáticos, passeios à cavalo e outras atividades.


Oficina de papel reciclado - 15 reais por pessoa

Labirinto - 11 reais a entrada


Esse eu queria - passeio de balão - 300 reais (ao invés de
600!!)


 - Não há piscinas públicas pelo país, mas temos muitas opções em clubes, parques aquáticos e kibbutzim, com entrada paga. 


Parque Aquático - 18 reais a entrada
Enfim, há muitas atividades, mesmo com o calor infernal. Só precisa ter disposição, dinheiro e vontade de encarar a multidão (sim, porque todas as atrações acima estão lotadas, sempre!).


Meu filho ainda é muito pequeno e não acho que tenha idade para a maioria dessas coisas. Por outro lado, ele se entedia super rápido e precisa de várias atividades curtas pra preencher o seu dia de uma forma legal, que não seja assistir Cocoricó à exaustão (da mãe). Nós aqui compramos uma piscina e um guarda sol gigante pra nossa varanda e já temos aproveitado muito os dias quentes com ele lá fora. Até as férias dele, pretendo comprar algumas coisinhas de artesanato pra brincar com ele (contas grandes para serem colocadas em fios, papéis, giz de cera maiores, etc). Também me indicaram muitos sites com atividades legais para entreter as crianças em casa. Preciso reservar um tempo, encontrar atividades pra idade dele e me preparar. Vou tentar fazer uma compliação das atividades legais e venho aqui contar.






curtindo a piscininha privé

passeando com os pais, quase 7 da noite


Quando o calor é tanto q não dá
pra pensar em sair de casa


A única tentativa de praia desse ano -
não dá, o calor é insuportável!


Brincando de massinha - 4 minutos de entretenimento!