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segunda-feira, 4 de março de 2013

"Quem conhece a gaita já sabe quem está chegando..."

Publiquei esse texto semana passada no Mães Internacionais, mas essa história é tão especial na nossa vida que vale a pena registrar por aqui também!


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O Uri, meu filho que acaba de completar 2 anos, já tem uma grande paixão: o Júlio, personagem principal do Cocoricó, programa exibido pela TV Cultura.

Tamanha paixão tem um culpado: a mãe. Eu sempre gostei do programa, acho que é de uma qualidade incrível, tem humor sem ser bobo, ensina (muito) sem ser chato, não “emburrece” nem infantiliza as crianças. Assim, a mãe preocupada com o Português do pequeno israelense (e com a qualidade do que ele assiste), sempre soube que iria apresentar a turma do Paiol pra ele.

Quando ele fez um aninho, ganhou uns DVDs do Cocoricó de uma amiga brasileira aqui em Israel, cujos filhos nunca deram atenção a eles. E foi amor à primeira vista. Tão pequeno, o Uri olhava fascinado pra TV, dançava com a música de abertura e chorava quando colocávamos qualquer outro DVD, pra minha alegria e a do meu marido, que se rendeu aos encantos da turminha também.

O Júlio virou Lúlio (e continua sendo até hoje) e foi o primeiro nome que o Uri aprendeu na vida. Não foi o do pai, o da mãe ou de algum amigo da creche, foi o do Lúlio.

E aí que quase um ano depois, viajamos, eu e ele, pro Brasil. Desde que marquei a passagem, comecei a procurar na internet o calendário de shows do Cocoricó, pois queria muito levar o Uri pra conhecer os ídolos ao vivo, eu sabia que ele adoraria e me emocionava só de pensar na carinha dele quando anunciassem “Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando...”

Não achando nenhuma programação de shows, e com a data da viagem chegando, resolvi ser cara de pau e escrever pra TV Cultura. Perguntei se eles poderiam me informar quando haveria show em São Paulo ou na região de Campinas e que, no caso de não haver mais shows, perguntei se poderia ir com o Uri conhecer os estúdios do paiol (mãe, essa cara de pau!). Algumas horas depois, recebi um email muito atencioso de um funcionário, o F.(vamos manter a privacidade dele, né?), dizendo que os shows foram realmente cancelados (o contrato acabou e não foi renovado) e que ele averiguaria a possibilidade de visitarmos as gravações do programa.

Viajamos pro Brasil e com a correria toda de se viajar com um bebê sozinha por tantas horas, acabei esquecendo do Lúlio, do Cocoricó, da TV Cultura e de várias outras coisas. Mas qual não foi minha surpresa ao abrir meus emails, já em Campinas, e ver uma mensagem do F. dizendo que poderíamos sim visitar o estúdio!

O próximo passo foi descobrir como chegar lá, tanto o endereço, como o meio de transporte, pois iríamos pra São Paulo na semana seguinte, mas sem carro – e cá pra nós, São Paulo não é uma cidade muito fácil de se circular, ainda mais com bebê e sem carro.

Mas como eu tenho as melhores amigas do mundo, um esquema tático foi armado e conseguimos! Estávamos hospedados na casa de uma amiga, na zona sul da cidade. Outra amiga querida, a Fernanda, veio nos buscar e nos levou pra um shopping do outro lado da cidade, que ficava bem perto da Água Branca, onde fica a TV Cultura. Como a Fernanda tinha que trabalhar à tarde, outra amiga, a Karina, veio nos buscar nesse shopping e nos acompanhou até o paiol (e foi a melhor compania que poderiamos ter escolhido pra isso).

Como nada poderia ser tão simples assim, quando saímos do shopping, pra passar a cadeirinha de bebê do carro de uma pro da outra, descobrimos que não tínhamos anotado em qual estacionamento a Fernanda tinha deixado o dela! Sim, foi um erro primário, que nos resultou em 40 minutos de busca do carro perdido, e um pouco de aflição, pois a gravação já estaria começando, mas não perdemos o bom humor.

Outra aventura foi encontrar a TV Cultura! O GPS da Karina se perdia, andava em curvas, errava tudo. Achei um mapa da região no meu celular e conseguimos! Chegamos à Cultura às 3:30, as gravações terminariam em meia hora. Ainda tivemos que esperar a liberação do estacionamento, esperamos o F. nos encontrar e lá fomos nós!

Fomos orientadas a não tirar fotos dos bichos “mortos” (sem o manipulador) e a manter o silêncio, afinal, eles estavam gravando. Munidas de chupeta, biscoito polvilho e muita reza pra manter o Uri quietinho e não atrapalhar, sentamos atrás de um monitor. Ele até que ficou em silêncio durante a gravação da primeira cena, sem entender muito o que acontecia, já que os personagens estavam gravando numa parte que a gente não podia ver do estúdio e ele estava assistindo na “televisão”, como em casa. Mas era pedir demais que um menino tão pequeno, perto dos seus ídolos, não ficasse emocionado e não começasse a demonstrar isso. Na gravação da segunda cena ele se agitou, falou, apontou... Resolvemos esperar lá fora então.

Esperamos pouco, uns 10 minutos apenas, tempo suficiente pra conversar um pouco com o F., agradecer umas 800 vezes pela atenção e ainda, de quebra, ganhar um pacote cheinho de presentes do Cocoricó – um DVD, um jogo, um livro pra colorir, adesivos.

Logo nos chamaram de volta ao estúdio e o Uri foi recebido pelo seu amigão – O Lúlio! A emoção era tanta que ele nem reparou no Fernando Gomes, o manipulador do boneco. Ele olhava encantado, extasiado, apaixonado. Confesso que, antes de chegar, tive um pouco de medo da reação dele ao ver as pessoas manipulando os bonecos, não queria estragar a fantasia dele, mas a verdade é que ele estava tão encantado que realmente não percebeu.

Fomos recebidos com muito carinho, principalmente o Uri. Fizeram questão de conversar com ele, tirar fotos no cenário, receber e dar beijos. Na saída, a mãe aqui ainda pediu um autógrafo pro Lúlio, pra guardar pra posteridade.

Se eu já gostava do Cocoricó, hoje eu sou fã fervorosa. Aliás, não só dele, mas dos manipuladores e dos funcionários da TV Cultura. Fomos recebidos, desde o primeiro email enviado, até o porteiro dos estúdios, com uma atenção e simpatia incomparáveis. A minha fiel escudeira Karina e eu ficamos impressionadas com tanto carinho! Se nos tivessem deixado apenas conhecer o estúdio vazio, se tivessem somente tirado fotos com a gente, já teria bastado. Mas fizeram muito mais do que isso. Realizaram, com muita ternura, o sonho que um menininho nem sabia que tinha! E deixaram uma mãe extasiada... Com a sensação de que ela tem sim super poderes e que sempre vai fazer o impossível pra ver esse sorriso no rosto do filho...





E aqui vão dois videos curtinhos e cortados, mas a emoção e a surpresa eram tamanhas que ninguém raciocinava direito:





domingo, 16 de dezembro de 2012

Blogagem Coletiva - Dezembro em minha casa

Na semana passada, escrevi esse post lá no Mães Internacionais, contando a história e os costumes de Hanuká.

Hoje é dia de Blogagem Coletiva e todas as mães vão contar o que está acontecendo dentro da casa delas nesse mês de dezembro, que costumes elas mantêm do Brasil, quais elas incorporaram do país onde moram, como as crianças comemoram e etc.

Então vou contar pra vocês como foram os oito dias de Hanuká por aqui. Nós aqui em casa valorizamos muito as tradições, queremos construir, pouco a pouco, as memórias do Uri nessas datas, então pra gente, comemorar, nem que seja sem presentes caros ou grandes acontecimentos, é muito importante!

Hanuká começou na noite de sábado, dia 8 de dezembro e terminou ontem, domingo, dia 16 de dezembro. Foi o primeiro feriado judaico que o Uri entendeu relativamente, participou e vibrou, então aproveitamos mesmo. 

Não tinhamos planos pra noite da primeira vela (aliás, os dias são contados assim, por velas, por exemplo - "Queriamos convidar vocês pra virem aqui na 4a vela de Hanuká"). Eu decorei um pouco a casa com sevivonim (piões), arrumei duas hanukiot (uma que sempre acendemos e outra que o Uri touxe da creche), fiz um bolo de batata assado, arrumei a mesa e quando estávamos quase dando banho no Uri para jantarmos, nossos vizinhos e amigos vieram nos convidar para acender a vela com eles. Apesar do convite mais do que em cima da hora, pegamos nossa torta de batata e fomos. Foi muito gostoso, esse é um casal muito querido, ele israelense e ela colombiana, a família dela é muito simpática e animada (como bons latinos), eles têm duas filhas (uma de 6 anos e outra 1 mês mais nova que o Uri) e nós nos sentimos em casa mesmo. Foi uma delícia, comemos muitos bolinhos de batata, sufganiot (sonhos), uma sopa deliciosa e batata com creme branco.

meu bolo de batata que estava uma delicia e foi devorado
Ah, o Uri ganhou uns presentinhos, como manda a tradição. Na verdade nós demos mais presentes do que geralmente aceitamos dar (não gostamos de encher o menino de coisas), mas não foi tão mal assim. Ele ganhou 2 elefantes de pelúcia, um jogo de bloquinhos de madeira/puzzle e um livro (sempre damos livro junto com presentes). Ah, também dei um sevivon que se ilumina e toca música, coisa de chinês, e foi o maior sucesso. 




Na segunda vela ficamos os três por aqui mesmo. 


Na segunda feira, 3a vela, convidamos uma amiguinha do Uri do gan, que veio com a mãe, comemorar com a gente. Ela é a melhor amiguinha do Uri e é muito legal ver os dois brincando, conversando. De novo, bolinhos de batata, batata doce e cenoura e sonhos (sufganiot). 


comendo e brincando com o sevivon

a mesa colorida, como manda uma festa para crianças!


e se adoram...


Quis agradar cada criança que veio nos visitar esse ano (e vieram muitas!) e comprei um presentinho pra cada uma delas, coisinha pequena, massinha, livrinho, quebra- cabeça, essas coisas, e embrulhei junto com 2 moedas de chocolate, outro costume em Hanuká (porque os sonhos não são suficientemente doces, né?). 

Na terça feira eu fui trabalhar do escritório porque na frente dele está a minha confeitaria favorita nessa época do ano e eu queria comprar um sufganiot especiais pra gente. Antes de sair de casa sentei com o marido e o flyer deles e decidimos que sabores (dentre muitos e todos deliciosos) comprar - Floresta Negra, halva (um doce de gergelim típico daqui e maravilhoso), crème brulée e tiramissu. Não preciso comentar mais nada!




Na quarta feira a mãe do Ariel veio acender a 5a vela com o neto. Again, mesmo menu, mas sufganiot mais simples (eu já estava enjoando).

Quinta feira teve festa de Hanuká da creche, num espaço fechado para brincar, tipo um parquinho indoors, um lugar muito legal, ainda mais no verão escaldante ou no inverno frio daqui. Criancinhas apresentaram dancinhas, músicas e etc. Meu filho, contrariando sua personalidade de pop star, resolveu que aquele não era seu dia e não participou muito, mas tudo bem, ele terá muitas festas para isso.

Ah, uma coisa interessante é que nas festinhas de crianças pequenas não tem palco, as crianças dançam e cantam no chão mesmo, junto com as professoras. Há menos glamour, é fato, mas menos choro e desespero também! 


Poucos minutos de participação:




  


aqui  no colo da professora. Essa música fala o apelido de Hanuká - Hag HaUrim, e por isso que coloco o video aqui, não pela péssima qualidade dele. 


Juntei alguns videos aqui:










 Na sexta não teve creche; o único dia que ela fechou (creches e escolas públicas ficaram fechadas durante os 8 dias de Hanuká e creches particulares de filhos de amigos fecharam por 2 ou 3 dias, então eu fiquei no lucro). Nós então fizemos a "grande" festa de Hanuká aqui em casa - seis famílias - onze adultos (nossa vizinha colombiana não veio, a filha menor estava com febre) e nove crianças! Tinha uma verdadeira ONU aqui em casa - Brasileiras, israelenses, um uruguaio e até uma família de coreanos!!

Cada família trouxe uma coisa, o Ariel fez pasta caseira, todo mundo se divertiu, conversou, quem não se conhecia acabou se conhecendo, as amigas se encontraram, as crianças brincaram muito, enfim, foi uma delícia! Adoramos receber os amigos, adoramos a casa cheia!

  
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Tem coisa mais fofa que esses dois juntos?

caçando o coitado do gato
Para terminar, fomos convidados por esse casal de coreanos a uma festa na comunidade cristã deles no sábado à noite. Lá fomos nós, carregando o irmão do Ariel que veio nos visitar naquele dia. Na verdade é uma comunidade messiânica, que não é nada a nossa praia, mas enfim, fomos muito bem tratados, conhecemos pessoas simpáticas, comemos (mais!) comida deliciosa e enfim, encerramos essa semana cheia de comemorações, amigos, presentes e muita, muita comida. Não podemos ver fritura pela frente por um bom tempo!



Quer saber o que anda acontecendo nas casas de outras brasileiras espalhadas pelo mundo? Confira aqui!!





quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Hanuká

Estamos comemorando Hanuká essa semana. 
Hanuká é meu feriado favorito e estamos aproveitando bastante com o Uri. Ele está maior e entende mais, canta, brinca e curte muito.
Escrevi sobre Hanuká no Mães Internacionais hoje. Vai lá conferir!!

Na 2a feira que vem, vai acontecer uma Blogagem Coletiva sobre os feriados de Dezembro no mundo todo.

O tema é "Dezembro em minha casa" - Como comemoramos o Natal, Hanuká e outras festas. Como mantemos as tradições brasileiras e incorporamos a nova cultura do país onde vivemos.

Quer participar? Escreve pra gente lá no MI ! Mesmo se você não tiver um blog, podemos publicar o teu post na nossa página. E se você tiver um, manda o link pra gente e nós o publicaremos!



Chag Sameach!!! 


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Novo Mães Internacionais

Como eu já disse por aqui, eu faço parte de um grupo de mães brasileiras expatriadas e espalhadas pelo mundo - o Mães Internacionais. É um grupo muito legal, que se reúne no facebook para compartilhar experiências, dificuldades e alegrias e que também promove Blogagem Coletivas (em geral, uma vez por mês) sobre os mais variados temas que envolvem a maternidade em seu blog. Eu já postei aqui várias dessas Blogagens Coletivas, se você procurar nos marcadores, vai encontrá-las. 

Dai que há alguns meses muita coisa mudou no grupo, novas pessoas chegaram, outras saíram e foi resolvido que o site do Mães Internacionais merecia uma repaginada, novos ares, novas energias.

Passamos semanas conversando, trocando idéias, propondo, discutindo... Queríamos reabrir nosso site de uma forma diferente, aberto a tantas mães brasileiras criando seus filhos pelo mundo, queríamos trocar experiências, ouvir histórias novas... 

E então desde ontem o nosso novo blog está no ar. Ainda precisamos de uns ajustes, deixá-lo mais com a cara desse nosso grupo, mas o importante é que ele já voltou. 

Quer conferir? Entra aqui

Mães Internacionais

E se você é também uma mãe que vive fora do Brasil, longe da família, dos amigos e dos nossos costumes e quer contar pra gente sobre a sua experiência, entra em contato! Vamos adorar ouvir a sua história!!

Esse mês, todas as mães do grupo se uniram para escrever sobre os muitos feriados, festivais e festas nos seus países. Meu post sobre Hanuká estará lá na semana que vem. 

A partir de janeiro, teremos colunas fixas sobre Turismo, Aquisição de Linguagem, Culinária, Tendências, Brincadeiras e outros. 

Passa lá! 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva - Laços de família

Minhas primas moraram fora do Brasil quase que desde sempre e nós passamos anos da nossa infância e adolescência trocando cartas, postais, cartões e bilhetinhos entre a gente. A nossa maior alegria era quando alguém ia ou vinha de onde eles estavam (Recife, Fortaleza, Bolivia, Honduras, Espanha) e trazia pacotes e mais pacotes de cartas e fotos, que tinham sido escritas durante semanas, contando como ia a vida delas, como estava a escola, as primeiras paixões, as viagens que elas faziam e etc.

Essa era a nossa única forma de comunicação, ligações internacionais eram caras e só eram feitas nos aniversários e outras datas especiais. Às vezes chegavam também fitas de vídeo com as aventuras da família, às quais nós (eu e minha irmã mais nova) assistíamos muitas e muitas vezes. Outras vezes eram fitas cassete, com os hits em Espanhol do momento, com falas e propagandas de rádio mal gravadas, e tudo era motivo de festa para gente, tudo era visto como a possibilidade de estarmos perto, mesmo que tão longe. 

Além da gente, eu me lembro do meu avô carregando as fotos dos netos "estrangeiros" pra cima e pra baixo, mostrando pra todos os amigos na padaria e na lotérica, contando orgulhoso do que via quando ia visitá-los, esperando ansioso por um fax do meu tio (que quase sempre dava problema, chegava cortado, a tinta acabava, mas era o ápice da modernidade no começo dos anos 90).

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Vinte anos depois, hoje eu me vejo longe do meu país, criando meu filho longe da família. E isso é triste. Eu vejo o tempo passando e a minha mãe perdendo os pequenos momentos do dia-a-dia da vida do neto, as gracinhas, as palavras novas, os abraços e os beijos melados que só uma criança de um ano e meio sabe dar. 

Quando decidi me mudar para Israel, filhos, apesar de estarem nos planos e nos sonhos, ficavam longe da minha realidade. Quando eu me vi grávida e sem ninguém para me acompanhar nos ultrassons, sem ninguém pra fazer compras comigo, percebi que quando da minha vinda, essas pequenas alegrias não estavam na minha cabeça e que hoje elas são importantes sim.

Mas não fico me lamuriando, eu fiz as minhas escolhas e não me arrependo delas, e como não há maneira de termos tudo na vida, vamos levando e tirando o melhor de todas as situações. Não tendo outra alternativa, fico felizes com que temos. 

E graças às maravilhas da modernidade e da tecnologia, hoje temos muito mais recursos do que apenas fitas de vídeo ou cartas escritas à mão!!

Eu sempre adorei registrar todos os momentos da gravidez e chegada do Uri para que ele um dia possa ver como foi querido desde sempre, como as pessoas vibravam com a vinda e a vida dele. Comecei um blog e nele contei (e conto) com detalhes sobre tudo o que aconteceu desde que ele foi concebido, para que todos, mesmo de longe, possam acompanhá-lo e expressar seu carinho por ele. Um dia quero imprimir os posts do blog e dar pra ele de presente. 

Colecionei todos os emails, mensagens, cartões, recados e comentários no facebook desde o dia em que descobri a gravidez e colei tudo em um caderno decorado. São fotos de US, poemas escrito pela bisavó, mensagens de amigos. Me deu muito trabalho fazer isso, mas foi uma forma legal de registrar esses momentos pra mim e pra ele, tenho certeza de que um dia ele vai gostar de ver o carinho de pessoas de longe para com ele. Eu mesma peguei o caderno outro dia e me emocionei com a expectativa de todo mundo, realmente, é uma delícia recordar esses momentos. Hoje em dia eu guardo mensagens e cartões em datas especiais, como o primeiro aniversário, não dá mais para salvar, imprimir, recortar e colar todos os recadinhos!






Fora isso, eu coloco muitas fotos e muitas atualizações da nossa vida no facebook, maldito e bendito facebook! Eu às vezes sinto que me exponho demais, mas essa é a maneira da família de longe acompanhar o que acontece por aqui.

Eu tenho uma irmã no Brasil e outra que trabalha num navio e cada dia está num lugar. Tenho primas nos Estados Unidos, no Brasil e na Espanha (as das cartas), que por sua vez têm filhas, que são as únicas priminhas do Uri. Meu marido tem família no Uruguai, um irmão em Israel, outro na República Dominicana e outra em Cuba. Fora os amigos... Ou seja, o Uri tem tios espalhados por todo canto e para que eles possam estar a par do q acontece na nossa vida, o facebook é uma maravilha.

Tem também o Skype e vira e mexe tem algum tio vendo o Uri comer, brincar e fazer gracinhas. No começo ele não entendia e ficava mudo, hoje em dia ele interage, "conversa", manda beijos e faz tchau. O iphone também me deixa mandar fotos, vídeos e mensagens instantâneas pra muita gente, contar os detalhes mais (in)significantes e nos aproxima muito da família e dos amigos de longe.

A minha mãe não é uma pessoa nada tecnológica, não tem e nem sabe usar um computador, então ela conta com a boa vontade do meu tio e das minhas irmãs para ver fotos e videos do neto e para promover conversas no Skype quando dá. 

Hoje em dia, as ligações internacionais são muito mais baratas (além das que podem ser feitas gratuitamente no computador ou smartphones, como no Viber ou FaceTime), um minuto para o Brasil pode ser mais barato do que um minuto dentro de Israel mesmo. Eu ainda tenho mais sorte, pois minha conta de telefone é paga pela empresa. Eu não abuso, mas sei que posso ligar sem custo algum para quem eu quiser (e a empresa sabe disso, antes que me chamem de aproveitadora). A nova onda do Uri é pegar o telefone e "conversar" com quem está do outro lado. Tirando o "auô" e o "taaaau... byyeee", não se entende muito o q ele diz (mas minha mãe deve achar que é Hebraico fluente), mas ele faz a alegria de muita gente. 

Não falo tanto quanto gostaria com a minha família porque todos são ocupados e o fuso horário atrapalha muito, mas entre mensagens no facebook, um comentário numa foto, uma ligação no Skype e outra no telefone, todos nos comunicamos minimamente bem.

Outra coisa que nós usamos muito por aqui são fotos. Eu gosto muito de porta-retratos, minha casa está cheia deles e nós sempre mostramos fotos pro Uri, ensinamos quam é quem e aos poucos ele vai "convivendo" com a família, nem que seja a estática, conversa com eles, aponta, ri, dá beijos.


As portas de entrada em Israel são de ferro, sempre, por motivos de segurança e como uma maneira de segurar o fogo no caso de um incêndio. Assim, temos um grande painel de ímãs à nossa disposição. Quando o Uri começou a engatinhar, coloquei ímã em uma foto da minha mãe e em uma da minha irmã e o ensinei quem era a vovó e quem era a titia. Ele aprendeu a reconhecê-las e era só falar em uma delas que ele apontava pra porta, desde uns 9 meses. E de vez em quando a gente o pega dando uns beijos nas duas... Meu objetivo era aos poucos encher a porta de fotos, mas confesso que deixei passar.

Em janeiro vamos pela primeira vez ao Brasil, eu e ele. Acho que como ele já vai estar perto dos dois anos, vai entender melhor, se socializar, formar laços com a parte da família que está lá, e a gente vai fortalecê-los na volta. Em junho passado fomos à Espanha visitar as minhas primas e até hoje ele "fala" delas. 

E assim vamos levando... Sempre morrendo de saudades, às vezes com o coração apertado, mas sempre fazendo possível para estarmos "juntos". 



Quer saber como outras expatriadas garantem o convívio dos pequenos com as famílias? Clica aqui!

sábado, 18 de agosto de 2012

Blogagem Coletiva - Paternidade Ativa em Israel

Domingo passado comemoramos o Dia dos Pais no Brasil. Apesar de não termos essa data em Israel (nem Dia das Mães na verdade, temos um Dia da Família em fevereiro), eu e o Uri fizemos uns agrados pro Ariel, compramos um presente e fizemos um dia especial para ele, como uma homenagem.

Mas a verdade é que presente mesmo ele se dá e recebe todos os dias, desde que o Uri nasceu, em fevereiro de 2011: O direito, o dever, o prazer e a felicidade de ser uma parte ativa na vida e na criação do filho dele.

Eu sempre tive isso muito claro na minha cabeça: Num país onde poucas são as mulheres que não trabalham fora e onde se vive e cria os filhos sem ajuda nenhuma (ainda mais quem, como nós, não tem família aqui), estranho (e injusto) seria se fosse diferente. 


Desde antes de engravidar, quando éramos namorados ou casados-sem-filhos, nós sempre dividimos tudo aqui em casa. Sempre detestei o termo "ajuda", que dá a conotação de que a obrigação mesmo é da mulher e o homem, se faz uma parte, está fazendo um favor e ajudando. Não, pra mim sempre foi muito claro que numa casa com dois adultos, dois trabalham, dois pagam as contas, dois sujam, dois comem, dois bagunçam, dois limpam, dois cozinham, dois arrumam. Assim é justo pra todo mundo. Como não somos robôs, acontece de um ter uma folga e acabar limpando a casa sozinho, ou o outro estar mais cansado e pedir uma folga pra lavar a louça, mas no geral, tudo é feito pelos dois por aqui.

E não podia ser diferente com a criação e os cuidados do nosso filho. Por interesse meu, eu sempre li, perguntei e aprendi muito sobre gestação, parto, bebês, educação, criação. O Ariel tinha menos paciência pra buscar informações na internet, mas mesmo assim sempre conversamos e planejamos muitas coisas juntos. Todos os ultrassons foram marcados em horários que possibilitavam a companhia dele. As compras para o bebê foram feitas juntas, assim como a arrumação do quarto e das coisinhas dele. Naqueles longos noves meses, tivemos tempo suficiente para sonhar, planejar e combinar como seria quando o nosso bebê estivesse aqui. E foi assim que decidimos que a hora do banho seria o momento deles, desde sempre. Que após um dia inteiro com o Uri (quando eu estava em licença maternidade, até os 4 meses e meio dele), seria o meu momento de descansar, tomar um banho sossegada e deixar pai e filho se curtirem e se conhecerem. Assim também com a "mamada dos sonhos", aquela dada antes da gente dormir, com o bebê dormindo. O Ariel, até o Uri completar 1 ano, deu a mamadeira dele, todos os dias, às 11 da noite. Em dias em que ele saía cedo para trabalhar e voltava muito tarde, aquele era um dos seus poucos momentos com o filho. 

Talvez pelo meu interesse e meu preparo, posso dizer que o meu lado mãe nasceu junto com o bebê, ou mesmo antes dele. Tudo parecia natural, parecia tomar o curso certo, mesmo com as dificuldades de um recém nascido em casa. Pro Ariel não foi a mesma coisa, mas com certeza, a vontade dele de acertar, a falta de corpo mole ou de preguiça, fizeram com que ele aprendesse como cuidar do Uri tão bem quanto eu. Passamos a primeira semana do bebê em casa brincando de boneca, conhecendo nosso filho, aprendendo juntos a cuidar daquela criatura tão pequena, os dois juntos, sempre. Enquanto eu amamentava, ele pendurava roupa. Enquanto ele tomava banho, eu esquentava o almoço. Demos os primeiros banhos juntos, mais por curiosidade e emoção minha do que por medo do Ariel não fazer bem. Nos revezamos à noite, nos revezamos nos cuidados durante o dia.


E com o passar do tempo a dedicação e a "parte" do Ariel só foi crescendo e ao longo desses 18 meses do Uri, posso dizer que não há nada que eu faça que o pai dele não possa fazer ou não faça também. Ele leva e pega na creche, conversa com as cuidadoras e dá recados se precisar. Ele prepara comida, alimenta, limpa, dá banho, brinca, distrai, educa. Se preciso for, ele fica em casa cuidando de uma doencinha enquanto eu trabalho, faz inalação e leva no médico se for necessário (Ok, às vezes eu tenho que escrever num papel tudo o que ele precisa falar e perguntar pra pediatra, mas tudo bem...). Ele leva pra passear e me dá umas horas sozinha em casa (apesar de eu preferir fazermos coisas juntos em família, também acho lindo saber que eles estão, juntos, fazendo a história deles e construindo as memórias dos dois).

Houve, e ainda há, momentos de pisadas na bola, de esquecimentos (não do filho, mas do casaco num dia mais frio, da garrafinha d'água), de rateadas... mas tudo isso faz parte do crescimento dos três como família. E tenho certeza de que muito do sucesso disso vem da vontade dele de participar e de aprender e da minha de dar espaço pra eles. 

O Uri é apaixonado pelo papá dele. É lindo vê-lo chegar em casa da creche comigo e procurar pelo pai. É lindo vê-lo sair correndo em direção à entrada da casa quando o pai enfia a chave na porta. É linda a confiança e o amor que eles têm um pelo outro.

E tenho certeza de que se o pai fosse um mero "pagador de babá", as coisas não seriam assim. Fico chocada ainda ao ouvir histórias de amigas (na maioria brasileiras vivendo no Brasil) que não podem sequer tomar um banho em paz porque os maridos não ficam com as crianças "porque não sabem".

Nossa família não é excessão em Israel não. Todos os dias vemos pais levando as crianças nas creches, indo à reuniões nas escolas, levando no médico, brincando nos parques, passeando com bebês novinhos na rua. É tudo tão natural pra gente que acho que hoje em dia estranho pra mim é pensar num pai que não participa ativamente da vida dos filhos, que não é parte integrante do dia-a-dia deles. 

Eu acredito seriamente que todos na família ganham com isso. As mães ficam menos sobrecarregadas, os pais têm o direito de sentir emoções (boas e ruins) que não sentiriam se as coisas fossem diferentes e os filhos têm a oportunidade de aproveitar duas formas de cuidados, de educação, de amor, dois jeitos , duas personalidades diferentes. Recomendo pra todo mundo!!


Quer saber o papel dos pais em outros países? Entra aqui!

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Blogagem Coletiva - Mães Internacionais - Mãe de Dois (ou mais)

Eu sempre sonhei em ter muitos filhos, cinco para ser precisa. Ai cresci, vi que não era tão fácil como eu imaginava e planejei ter três. Mas resolvi me casar com um homem mais novo, tive meu primeiro filho mais velha do que a maioria (com 34 anos) e acho que vamos parar no segundo, que deve começar a ser planejado no ano que vem. Hoje em dia eu sei que ter filho (bem criado) dá trabalho e muitos gastos, principalmente nos primeiros anos, mesmo com toda a alegria que uma criança traz à uma casa. É triste ter que decidir o tamanho da família baseado nas condições financeiras, mas infelizmente, essa é a realidade. Outra razão que me faz desistir do terceiro é que não temos ajuda de ninguém por aqui, nem da família nem de ninguém com os cuidados da casa, então não sei se conseguiríamos. Mas não sou amarga nem ressentida por isso não. Imagino a casa com 2 crianças correndo e brincando (e brigando), um casal ou dois meninos, e acho que deve ser muito legal!


Aqui em Israel o número de crianças numa família diminui muito nos últimos anos. Hoje em dia é bem comum um casal ter dois filhos, no máximo três. O que eu vejo acontecer é terem dois filhos meio que na sequência (um ano e pouco ou dois de diferença) e ai dar um tempo e ter o terceiro depois de vários anos, geralmente quando o menor já está com cinco anos e já faz parte do sistema público de educação.


Isso faz sentido. Até os três anos, as creches em Israel são particulares, na sua maioria. (há outros tipos de cuidados pra crianças, falerei deles num post em breve). Eu pago quase 500 euros por mês de creche (das 7 às 4 da tarde) pro meu filho. Ele fará três anos em fevereiro de 2014, mas só poderá começar na creche pública no início do próximo ano letivo, em setembro, com 3 anos e meio. Ou seja, ainda tenho dois anos e 12000 euros pra pagar até ele ir pra creche pública. Se eu tivesse outro filho agora, o valor seria dobrado. E outra, a creche é pública até 1 e pouco da tarde, depois disso, se os pais trabalham e não podem ficar com a criança, eles têm que pagar por um serviço extra, que cuida das crianças até às 4 ou 5. Ou seja, é público e não é. Ai, se nessa época chegar um terceiro bebê, dá pra gastar uma boa grana em educação por ano. Fora isso tem as roupas, a fralda, o leite em pó (claro, se o bebê não é amamentado), os brinquedos, os remédios (q D-us não permita), o carro maior, a casa maior, os gastos com diversão. Eu acredito que o preço da creche é o que pesa mesmo no orçamento familiar, mas não podemos esquecer das outras coisas.


Acontece que, no judaísmo, a família é ponto central na vida de uma pessoa e durante muitas gerações as famílias tinham muitos filhos, que se reuniam (e se reúnem ainda) na casa dos pais toda 6a feira à noite pro jantar de Shabbat. Eu imagino que a famosa pressão "E ai, o nenê é pra quando?" é maior aqui do que no Brasil. Poucos são os casais que esperam muitos anos para ter filhos e menos ainda são os que decidem não ter filhos, ou ter um só. Estou tentando me lembrar aqui e acho que não conheço um filho único por ai, da minha geração ou da geração atual.


A rapidez em ter filhos também tem sua razão de ser. Israelenses terminam o colégio e vão pro exército, 2 anos pras meninas, 3 anos pros rapazes, em média. Saem do exército com uns 21 anos, trabalham por vários meses, juntam dinheiro, vão viajar pelo mundo e só voltam meses ou até um ano depois. Aí vão estudar e só depois começam a sua vida "adulta". Claro que isso varia de pessoa pra pessoa, mas na média, a história é essa. Nessa, a pessoa já está com 20 e muitos anos e não começou a sua carreira ainda. Conhecem alguém legal no meio do caminho e vão morar juntos. Quando resolvem se casar, por volta dos 30 anos, já moraram juntos por um tempo, já são mais velhos, não precisam esperar mais pra planejar um bebê, diferente dos casais brasileiros que namoram, cada um na casa dos seus pais, aí casam e começam a se cuirtir, deixando os planos pro bebê mais pra frente.


Outra coisa interessante é que já que as pessoas casam mais tarde e resolvem ter filhos mais rápido, quem não consegue em um ano (em média, claro), já pode partir pra tratamentos de fertilidade que são custeados pelo governo. Se eu não me engano, o governo paga o tratamento hormonal, as inseminações e uma FIV. Mais do que isso, eu acho que a pessoa paga uma parte. (Não tenho dados precisos sobre isso, se alguém que esteja por aqui souber, por favor, deixe um comentário!). 


Tirando o preço das creches particulares, ter um filho em Israel é mais barato do que no Brasil. A saúde (incluindo dentistas) é publica até os 18 anos, e há um acompanhamento de crescimento e vacinas super eficaz e gratuito também. Na maioria das cidades há muitas opções de lazer para as famílias, parques, atrações e etc. O índice de violência urbana é quase nulo, não há sequestros, as crianças maiores podem ir brincar sozinhas na pracinha sem problema algum, os pais não vivem com medo de sair às ruas com os pequenos. Criança aqui é criança, a publicidade pra elas é infinitamente menor do que no Brasil, a erotização precoce não existe, as crianças, meninos ou meninas, estão preocupadas em brincar, brincar e brincar (e comer Bamba!). 


Curiosamente, os pais aqui têm mais trabalho. Ok, não levamos a vida louca que uma família brasileira leva, trânsito, violência e etc, mas também geralmente não temos muita ajuda com as crianças e com os filhos. Há casais abençoados que têm os avós por perto, que sempre ajudam e há muitos como nós, que se viram nos 30 e dão conta de tudo. Da casa, do trabalho, das compras, da comida, da roupa, das crianças. Quase não há babás fora do horário de trabalho dos pais (salvo as babysitters que ganham por hora e que garantem a saúde mental do papai e da mamãe) e o máximo dos luxos e ter faxineira uma vez por semana. Os pais (maridos) geralmente são parte integrante da família e fazem a sua parte na criação e nos cuidados com os filhos, fazem compras, limpam a casa e tudo mais que uma mulher faz também. 


As famílias fazem muitos passeios juntos, as crianças vão pros restaurantes, vão pro shopping, vão pra todo canto com os pais, já que não temos com quem deixá-los, e no nosso caso, nem queremos. Nós gostamos muito de ter a companhia do Uri com a gente, gostamos de mostrar o mundo pra ele, mesmo ele sendo tão pequeno. Fora que, com a vida corrida durante a semana, quando finalmente temos um tempo em família, queremos aproveitar os três. 


***


almoçando com a Oprah.. rsrs.. imagem do Google
Isso tudo que eu falei acima se referia à população judaica não religiosa de Israel, os hilonim. Em se tratando de árabes e judeus religiosos, o número de crianças se multiplica. Não sei a razão disso na cultura árabe, mas pros judeus religiosos, quanto mais filho, melhor. Além disso, eles recebem uma ajuda do governo que os laicos não recebem, não pagam impostos, têm creches públicas sempre e mais um monte de benefícios (assim até eu). As mulheres geralmente não trabalham fora e passam a vida entre carregar a barriga, parir, criar os que já pariu e cuidar da casa. Eu tive o Uri num hospital super religioso aqui da cidade (o único) e lá eu vi várias mulheres com a minha idade no sexto - isso - sex-to filho! E nesse um ano e meio entre o parto e hoje, elas já devem ter tido pelo menos mais um, ou estão com o próximo embutido já. É, pois é. 


Em Jerusalém e em bairros religiosos pelo país você pode cruzar com várias famílias com 5, 6 ou 7 filhos e muitos deles vestem as crianças iguais, só mudando o número da roupa. 






Quer saber como são as famílias em outros países? Vai lá no site das Mães Internacionais! 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Blogagem Coletiva - Mães Internacionais - Parabéns pra você - Comemoração de Aniversário em Israel

Se eu já sou israelense em muitas coisas, no quesito festinha de aniversário dos meus filhos, eu continuo muitíssimo brasileira!


Não, minto. Eu acredito que os brasileiros, pra variar, perderam a mão nas festinhas. Eu vejo as fotos das festinhas dos filhotes das amigas e fico besta com as mega produções. Buffets enormes e equipados com playground, soft-area pra bebê, videogame, karaokê, mini fazendinha, quadras de futebol, monitores, roda gigantes e mini montanha russa (!!). Mega produção também na decoração, nas comidas (cadê as coxinhas com palitinho embrulhado no papel alumínio e as empadinhas de palmito?), nas lembrancinhas. Fotógrafos contratados, até making off da criança tomando banho e se arrumando a gente vê por lá. 


Há muitas festas lindas, isso é verdade, e festa em buffet realmente é super prática, o aniversáriante e a família são como convidados, a diferença é que ao sair eles pagam a conta e levam os presentes pra casa. 


Eu acho tudo muito lindo, muito elaborado e muito impessoal. Uma das coisas que eu mais gosto na vida é planejar, organizar e executar festas. Já fiz festinha pras escolas onde trabalhei, pros amigos e quando engravidei, me empolguei pensando nas festinhas que farei pros meus filhos. 


Acontece que, se no Brasil as festas são mega produções, eu escolhi morar no país onde as comemorações de aniversário são muito, muito menores do que as que eu estava acostumada e gosto. 


Sabem como é festa de criança israelense? Um bolo tipo nega maluca (na melhor das hipóteses), coberto com confeitos coloridos (ou granulado ou confete mesmo), um salgadinho de amendoim chamado Bamba, que é  produto nacional mais amado do país, distribuido em pratinhos descartáveis pela mesa, outros salgadinhos espalhados por ai, marshmellows e só. Quando a criança é mais velha, os pais chamam alguns amiguinhos e alguma atração, palhaço, mágico, etc, mas quando são menores, as festas geralmente ficam só pra família mesmo - pais, avós e tios. Festa de 1 ano então nem pensar, nunca ouvi falar de nenhuma, fui convidada pra pouquíssimas (só de amigos brasileiros e olhe lá). Aliás, ontem fiquei triste em me tocar que o Uri NUNCA foi numa festinha de aniversário!


Decoração não existe, no máximo os copinhos, pratinhos e a toalha descartáveis são de algum tema que a criança goste, e as opções são limitadíssimas no mercado - Dora, Bob Esponja, Ben10, Barbie, Diego. 


O que acontece bastante por aqui é festinha em parque. A galera se reúne, delimita uma área do parque com balões, monta a mesa com as coisas que eu falei aqui em cima e pronto. As crianças brincam, os adultos conversam e eles se divertem e comemoram da maneira deles. Eu gosto do conceito do parque, mas como o Uri nasceu no inverno, ainda não tivemos a oportunidade de fazer uma festinha em um deles. Mas se algum dia eu tiver um filho que nasça numa época de temperatura mais amena, eu farei a festinha no parque, mas do meu jeito. 


Além disso, as crianças comemoram seus aniversários nas creches. Os pais marcam a data com a diretora do gan (creche) e a festinha acontece durante a "aula" mesmo. Os pais, irmãos e parentes próximos estão presentes, a criança veste uma coroa de flores e senta numa cadeira decorada, as crianças cantam músicas, comem Bamba e bolo e é mais ou menos isso. As comemorações variam de gan pra gan, tem gan que pede aos pais algumas fotos da criança para decorar um quadro, outro pede aos pais que preparem uma música ou qualquer coisa em homenagem ao aniversariante ou que preparem alguma atividade legal para todos. As crianças levam presentinhos e voltam pra casa com um saquinho de surpresas (balas, pirulitos e outros doces). 


Uma coisinha interessante é que tanto nas festas no gan quanto em casa, o aniversariante é levantado numa cadeira o número de anos que está completando, mais um. Assim, uma criança que está fazendo 3 aninhos, será levantada quatro vezes, e cada vez que levantam a cadeira, as crianças e os adultos gritam: "Uuuuummm.... doooooissss.... trêêêêssss... e mais um pro ano que veeeeem". É a maneira de se desejar saúde para "garantir" o aniversário do próximo ano. 


Achei um video de uma música que sempre cantam nos aniversários aqui. Não é "Parabéns a Você", é uma música de dois versos que diz: "Não existe comemoração (festa) sem bolo (ugá!). Então onde está (eifo) o bolo?". Assista ao vídeo, acompanhe com a "legenda" abaixo e no final dele você ja vai estar falando suas duas primeiras frases em Hebraico:




" Ein ein ein haguigá... bli bli bli bli ugá.(2x)
Eifo eifo eifo eifo eifo (ad eternum) a-ugá?"

Bem no final do clip dá pra ver a mesa da festinha com o Bamba, os marshmellows e outra coisa que deve ser bolacha waffle (sim, também tem! Cade o brigadeiro, meu pai??)


Optamos por não fazer festa de 1 ano do Uri no gan onde ele estava na época do aniversário. Nós já estávamos insatisfeitos com o gan e achamos que os bebês da classe dele não iam entender (e nem ele), então deixamos pro ano que vem. Nesse gan novo, a diretora me disse que ao invés de doces e salgadinhos, ela pede pros pais levarem um café da manhã pras crianças, café da manhã israelense - salada, pães, omelete. Adorei a idéia e quero pensar em coisas bem legais pros amiguinhos do Uri! Como a partir de setembro ele sairá do berçário e estará entre os grandes (os outros são grandes, o Uri não, ele ainda é meu bebezinho, hehehe), vai começar a frequentar as festinhas dos outros no gan. 


O Uri só teve uma festinha de aniversário até agora (fora o chá de bebê) e eu fiz questão de organizar cada detalhe, à minha maneira, nem muito brasileira megalomaníaca, nem muito israelense prática e desleixada


Eu não gosto de temas de personagens desses de TV e coisas compradas prontas (aliás, tirando o Alípio do Cocoricó, eu não gosto de personagem nenhum pra nada).  Enquanto eu puder decidir, meu(s) filho(s) não terão festa comprada pronta. Desde sempre eu imaginei que safari seria um bom tema para o aniversário de um aninho de um menino, e safari foi o tema que eu usei pra festa do Uri. 

A festa do Uri tomou vários meses pra ser organizada e executada e foi totalmente feita por mim e pelo meu marido. Eu fiz toda a decoração e juntos nós fizemos toda a comida e os doces. Como eu sou organizada e maníaca por listas e tabelas, conseguimos fazer tudo o que dava com muita antecedência, inclusive os brigadeiros e os outros docinhos que foram feitos, enrolados e engranulados um mês antes da festa e na hora ninguém acreditava que eles não tinham sido feitos no dia anterior. 

Queríamos ter feito uma festa num bosque aqui perto (misturar os bichinhos do Safari na "floresta" teria ficado lindo), mas o fim de semana foi de chuva e acabamos executando o nosso plano B - fazer a festa em casa. Arrastamos os móveis, convidamos menos gente e tudo deu certo. 

A festa foi uma delícia e pudemos comemorar o primeiro ano do nosso filhote e nosso primeiro ano como pais com os amigos mais próximos e que fizeram parte da vida dele nesse ano. Eu já estou começando a pegar idéias para a  festinha de 2 anos, em fevereiro. Como eu sou detalhista e não tenho ajuda (nem muito tempo), é muito mais fácil  se eu começar a organizar tudo antes para não enlouquecer. 

Aqui vão algumas fotos da festinha: 

mobile de fotos desses 12 meses








lembrancinha das crianças


lembrancinha dos adultos - pesinho de manjericão no pote de papinha


aniversariante se esbaldando nas bexigas com estampa de bichinhos


A placa era pra ter ficado no meio da "selva