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sexta-feira, 15 de março de 2013

Já chegou o verão?

Enquanto no resto do hemisfério norte as pessoas ainda não guardaram seus casacões e as suas botas e muitos ainda limpam a neve do carro de manhã, aqui em Israel as temperaturas chegaram a 36 graus hoje!

Apesar de já estarmos com temperaturas mais amenas há algumas semanas, o que acontece hoje é um "fenômeno", que chamamos de Shrav.

Shrav é uma onda de calor que aparece por aqui (e em outros países ao sul do Mediterâneo) na época da "meia estação" - Entre o inverno e a primavera e entre o verão e o outono. De repente, o dia amanhece muito mais quente do que o anterior. 

Apesar de eu adorar verão e já estar acostumada aos dias muito, muito quentes de julho e agosto, esses dias de shrav me fazem sofrer (não sou a única). Não é um dia de verão bonitão, céu azul, vontade de sair sorrindo de shorts e Hawaianas e ir até a praia pegar um bronze. Não, o dia fica meio bege, o ar parado, mal dá pra respirar. E o calor é sufocante. 

Hoje aconteceu a Maratona de Tel Aviv, na verdade a maratona em si foi cancelada (devido à previsão do tempo), mas outras corridas aconteceram e nessa um rapaz de 29 anos morreu e várias outras pessoas passaram mal por desidratação. Triste... Mais sobre isso aqui. 

Enfim, hoje é dia de ficar em casa, com o ar condicionado ligado. Amanhã a vida volta ao normal, podemos fazer passeios e ir até a praia. Porque sim, essa onda de calor vai embora do mesmo jeito que veio - de repente. Geralmente, no final do dia a onda "quebra", como dizem por aqui.

Mistérios do deserto!

E se você estiver por aqui num dia de shrav, beba muita, muita água!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Receita de hummus


Hummus (ou hommus) é outro prato típico israelense herdado dos primos árabes, e nada mais é do que uma pasta de grão-de-bico e tahine. Hummus é um alimento bastante nutritivo, contendo uma grande quantidade de proteínas, fibras, gordura mono-insaturada e ferro. Hummus, em hebraico, quer dizer "grão-de-bico".


Hummus é outra paixão nacional. Na maioria das casas que eu conheço, ele faz parte da lista de compras do super assim como o requeijão no Brasil. As crianças adoram, os bebês comem desde muito cedo, os adultos não vivem sem.

Eu confesso que não era muito fã não, principalmente dos que se compra pronto no supermercado (aqui temos uma área do super só dessas pastinhas, que israelense chama de "salada" - hummus, tahine com salsinha, salada de beringela, salada de pimentões e mais um monte - AMO). Eu não via graça nenhuma nele, achava seco, não entendia esse amor todo.

"Oi, sou vendido no super e não sou gostoso não" 

Mas ai um dia eu fiquei com vontade de ir numa "hummusiá", um restaurante que basicamente só serve hummus, com variações - hummus com grão-de-bico, hummus com um tipo de feijão, hummus com pinhole. Geralmente também tem ovo cozido, pepino em conserva, tomate e cebola. E só. Esses restaurantes são bem pequenos e a galera costuma dividir as mesas, ou seja, se você está com o seu marido em uma mesa com 4 lugares, pode crer que outro casal pode vir e sentar junto. Estranhissimo, mas acontece, costume local e só em hummusiá.




Dai que eu fui com o meu marido em uma hummusiá em Jaffa (Yaffo) e ai sim eu entendi o amor todo pela "pastinha". O gosto do hummus fresquinho e natural é outro. E é bom!

Há um tempo o marido veio com a idéia de fazermos hummus em casa e uma receita. Não levei fé, mas tentamos e não é que o negócio é bom e muito, muito fácil? O único probleminha é que não dura muito na geladeira (uns 4 dias), mas dá pra congelar numa boa.

Então a receita é assim:

Pra uma xícara de grão-de-bico cozido, junta uma xícara de tahine (receita aqui pra quem não achar no supermercado), o quanto bastar de água pra dar o ponto de pasta (usamos a água do grão de bico), suco de meio limão (ou mais, dependendo do gosto), sal e temperos (alho, páprica e salsinha) à gosto. Bate tudo no liquidificador e pronto! Claro que dá pra aumentar a receita, observando as proporções.

Nós aqui usamos grão-de-bico enlatado ou aqueles pré-cozidos congelados. Eu descongelo em água fervente e uso essa água na receita. Mas dá pra usar grão-de-bico cozido, aí tem que deixar um pouco de molho antes.

Dá pra comer com pão sírio (pita) ou até com legumes (cenoura, pepino, pimentão) em tiras.

Ah, e não esquece de um fio de azeite generoso por cima.

Faz e me conta!




Obs 1: Eu não consigo responder comentários por aqui (não sei porquê), então deixa seu email pra que eu não pareça mal educada e ignore o que você escreve!! :-)

Obs 2: Fotos do google.


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Blogagem Coletiva - Dia das Crianças - Do que brincam os pequenos israelenses?


Em Israel não se comemora o Dia das Crianças como no Brasil. Acho que já comentei por aqui que temos um "Dia da Família" lá pra fevereiro, que engloba os dias das mães, dos pais e das crianças e mesmo assim é bem menos comercialmente explorado, pouca gente dá presente, não tem propaganda na TV, até eu ter filho eu mal me lembrava desse dia.

Além disso, propaganda infantil aqui deve ser proibida na TV, eu não me lembro de ter visto um comercial de brinquedo, mochila, CD, DVD, o que for, na TV aberta. Na fechada nem comercial tem. Acho ótimo, acho certo e um dia ainda comentarei mais sobre o assunto, que pra mim é muito importante. Apesar disso eu acho a população israelense bem consumista, crianças e adultos. Um exemplo disso são as sextas feiras e as vésperas de feriado por ai. Todas as lojas, todos os shoppings, todos os supermercados estão lotados, e o povo compra, compra, compra. Comida, coisa pra casa, brinquedos e mais brinquedos.

Já fui em casas de amigos que pareciam mais lojas de brinquedos, um moooonte de brinquedos iguais (tipo 4 carrinhos idênticos, talvez um detalhe de cor mudavam), bicicleta, triciclo, carrinho a bateria, patiente. Um monte de coisas, geralmente amontoadas, quebradas, faltando peça.

Juro, me dá aflição.

Eu acho que meu filho tem muito brinquedo, e ele não tem 1/4 dos brinquedos que eu vejo em muita casa por ai. Eu me lembro de ter saído para comprar brinquedos pra ele poucas vezes, ganhamos muitas coisas que eram de filhos de amigos e procuramos não ficar juntando tralha. Se não tem onde guardar nas prateleiras dele, vejo se ele brinca mesmo com aquilo e se a resposta for não, vai pra doação.

E quando eu lembro do consumismo desenfrado que eu via no Brasil, das milhares de propagandas de brinquedos, principalmente nessa época do ano, da manipulação dos pequenos, me dá mais aflição ainda. 

Dai que há uns dias a Paloma me convidou pra falar um pouco sobre brincadeiras (e não brinquedos) em Israel, tomando parte de uma blogagem coletiva por ocasião do Dia das Crianças, promovida pelo movimento Infância Livre de Consumismo - "Compartilhe brincadeiras" e desde então eu tenho procurado observar as crianças à minha volta. 

Essa semana mesmo fomos à praia e entre catar conchinhas, entrar e sair do mar e "escrever" na areia com um graveto, percebi que brinquedo nenhum faz meu filho tão feliz quanto esses momentos em familia, e isso não é demagogia não! No alto dos seus quase 20 meses, ele está descobrindo o mundo e tudo, absolutamente tudo, é um laboratório pra ele. Muitas vezes ele pode ficar horas passando feijão de um recipiente pra outro e ignorar completamente o Fisher Price caro que ganhou.

Mas fato é que, com muitos brinquedos ou não, criança israelense brinca fora de casa, infinitas vezes mais do que os pequenos coitados brasileiros presos dentro de casa e nos shoppings. A grande maioria aqui é criada no parquinho da esquina. Nós mesmo temos uns 5 num raio de 100 metros do nosso prédio e poucos são os dias que não levamos o nosso filho em um. E eles estão sempre lotados. Pais, mães, avós, avôs, bebês, crianças maiores sozinhas, bicicletas, patinetes, bola, etc etc.

Quer ver como ele curte??? 








Eu gosto muito de ver isso, acho que é infância saudável, fora de casa, ao ar livre, no sol, gastando energia, correndo, se sujando. Eles também assistem bastante televisão, mais do que eu acho certo e legal, mas pelo menos têm os parques pra "balancear".

Daí que eu sai perguntando pra uns amigos israelenses sobre as brincadeiras de infância por aqui (já que o Uri ainda é pequeno e pouco brinca com outras crianças fora da creche). Eles me mandaram uma lista, mas eu acredito que a maioria seja de brincadeiras da infância deles, e pouco se brinca com elas hoje em dia. De qualquer forma, algumas são bem parecidas, ou são versões das nossas brincadeiras clássicas, lá no Brasil...

5 אבנים - chamesh avanim - 5 pedras

O famoso jogos dos 5 saquinhos, só que aqui são 5 pedrinhas. Pelo que eu andei vendo por ai, no passado, haviauma diferença nas regras do jogo em Tel Aviv e em Jerusalém (esse era mais complicado!).


o jogo, como é vendido

                    



גומי - Gumi - Brincadeira do elástico

Aparentemente as regras são as mesmas do clássico dos anos 80: 3 participantes, dois seguram o elástico na pernas enquanto o terceiro "pula", de acordo a uma coreografia e algumas fases - a de "não pode falar", a que um fala "stop" e o que está pulando tem que ficar como uma estátua, a de pular com um pé só, a de pular com os olhos fechados...




דוקים - Dukim - Pega-varetas


41 varetas coloridas - O obejtivo é pegar o maior número possível de varetas, sem mexer as que estão em cima.



קלאס - Class- Amarelinha

As mesmas regras do nosso jogo no Brasil - jogar a pedrinha, pular um pé só em cada quadrado, recolher a pedrinha sem cair e chegar no "céu"!



מחניים - Mechanim - Queimada

As regras, pelo que eu entendi nas minhas pesquisas, são as mesmas das que jogávamos nas ruas e nas escolas lá pelos anos 80. Dois times, um participante de cada time são escolhidos para lançar as bolas, tentando "queimar" os outros participantes que estão mais perto. Se algum desses particpantes do "meio" consegue pegar a bola sem deixá-la cair, ele passa a ser o atirador. O objetivo é que um dos times consiga queimar todos os jogadores do time adversário.




כן לא שחור לבן - Ken, Lo, Shachor, Lavan - Sim, não, preto, branco

Esse é um jogo de palavras, onde o "desafiado" tem que responder perguntas sem usar as palavras sim, não, branco e preto. Obviamente, quem faz as perguntas, tenta forçar o desafiado a respondê-las usando essas palavras.

איקס עיגול -  iks igul -Jogo da velha

O legal é que em muitos parquinhos por aqui, as crianças têm um brinquedo de jogo da velha, como esse:




Essas brincadeiras são as mesmas que as nossas, mas os nomes são ainda mais interessantes!


דג מלוח - - Dag Maluach - Arenque (!!) - - Esconde- esconde

Uma criança, com os olhos tapados, conta até 10 enquanto os outros se escondem. Ao terminar, ele anuncia "1, 2, 3... arenque!" e sai a procura dos outros. O objetivo é que os escondidos cheguem ao local onde o "arenque" estava contando, sem serem pegos por ele. O jogo é igual ao nosso, o nome é que é diferente e inusitado.





 "A vovó está bordado" - Cama de gato - סבתא סורגת -










הרצל אמר - Herzl mandou- "Seu mestre mandou"

esse é o cara
Theodore Herzl foi um dos precursores do sionismo e é, sem dúvida uma das figuras mais importantes da história do país. Tão importante, que quem manda, nessa brincadeira, é ele!









Enfim, achei essa BC muito gostosa de pesquisar e escrever. Apesar de não termos muitas brincadeiras diferentes (além dos nomes delas), foi legal relembrar do que eu mesma brinquei por tantos anos. Deixa só o Uri crescer... 

Gostei também da repercusão da campanha do ILC nas últimas semanas no facebook. Quem sabe não é um começo de uma nova era, com mais brincadeiras, mais tempo em família e menos consumismo?






A maioria das imagens das brincadeiras é daqui. 



domingo, 7 de outubro de 2012

Festa das Nações & outros eventos em Sukkot

No post anterior eu comentei que durante a semana de Sukkot as crianças têm férias nas escolas e há uma grande variedade de atividades e eventos para elas e para as famílias nesse período no país inteiro.

Esse ano aproveitamos esses eventos um pouquinho, já que o Uri já está maior e curtindo mais e podendo sair um pouco da sua rotina de estar na cama antes das 7:40 da noite.

Então na 3a passada eu o levei a um showzinho em um centro comercial aqui na esquina de casa. Era um evento de um dos quatro planos de saúde do país que aconteceu durante a semana toda, cada dia era uma atividade diferente para as crianças, tudo de graça, bem legal.

Nesse dia tinha um show de uma "palhaça" (ela se entitulava palhaça, mas esqueceu de pôr a fantasia), umas pessoas de perna de pau e um teatrinho de bonecos. Nós encontramos 2 amiguinhas do Uri da escola e foi uma tarde diferente e engraçadinha (mas nada de mais). Ele correu e se divertiu e é o que importa.







Dai no dia seguinte fomos numa festa maior, promovida pela prefeitura, em um parque lindo daqui de Netanya (preciso voltar lá de dia e tirar umas fotos pra colocar aqui, já tinhamos ido umas vezes, mas não chegamos a ver 1/3 dele).

Eu já tinha visto propaganda dessa festa no ano passado, mas não fomos porque ele era bem pequeno, então esse ano eu insisti para que fóssemos e foi muito legal!

Pela propaganda (que eu li errado) era uma "Festa das Nações". Eu imaginei as festas desse tipo que eu ia no Brasil, barraquinhas de comidas típicas, shows de dança e pronto. Sempre gostei desse tipo de festa (call me tacky), achei que seria algo do mesmo estilo.

Mas não era. Era uma festa sobre as comunidades judaicas ao redor do mundo (na Diáspora) e sobre a chegada deles em Israel.

Logo que chegamos percebemos que estava tudo super bem montado, super arrumado. Havia vários stands de várias entidades judaicas aqui em Israel e em outros lugares do mundo, muitas coisas interativas, jogos para crianças de várias idades, exposições, shows para crianças e adultos. Tinha várias apresentações de crianças dançando, principalmente em inglês e em russo. Ah, e uma sukká enorme, com decorações típicas de um monte de países, mas não conseguimos entrar porque a fila estava enorme e o nosso filho ficou impaciente.

As barracas de comidas típicas deixaram a desejar, eu acho que a prefeitura poderia ter reunido as comunidades presentes na cidade e incentivado um maior número de barraquinhas. Mas ok, tinha os básicos - hamburguer e hot dog, batata frita, comida chinesa, crepe francês, pizza, pipoca, refrigerante.

Uma coisa que eu (a eterna teacher) adorei foi que logo na entrada ganhamos um "passaporte" de papel, com bandeiras, perguntas e lacunas para preencher. Eu achei que era alguma coisa pra responder em casa e logo enfiei no bolso do carrinho do bebê. Mais tarde eu e o meu marido percebemos que aquilo na verdade era um jogo para crianças maiores, que precisavam passar pelos stands e cartazes de vários países, participar de uma atividade em cada um deles e depois preencher os dados que eram pedidos no passaporte, e ai ganhavam um carimbo da "alfândega". Achei muito legal essa idéia de ensinar judaísmo, história judaica e geografia fora da sala de aula. Ponto pra prefeita de Netanya!

o "passaporte"

As placas com informações sobre as comunidades judaicas em diversos países e algumas atividades:




                                               
                                                           as crianças super participando - achei demais!

Enfim, nos divertimos muito, a família inteira. A única pena é que com o término do horário de verão, escureceu bem rápido e logo voltamos para casa, aproveitando menos do que gostaríamos. Esse tipo de festa, para mim, seria programa para um sábado inteiro, aproveitando as atividades, vendo tudo com calma e aprendendo várias coisas. Ah, e as fotos e as gravações em vídeo ficaram ruins, mas dá pra ter uma idéia.






"vou dar um pulinho no Brasil e já volto"


Uma atividade que mostrava quantos judeus há em muitos países do mundo: 





Esse era o stand do Birthright, uma entidade que tem como objetivo ajudar a trazer jovens judeus a Israel por 10-15 dias a preços bem simbólicos (ou de graça em alguma países). Segundo eles, todo judeu tem direito a vir conhecer Israel, um direito de nascença (birth right). Eles já promovem essas viagens há 13 anos e trouxeram centenas de milhares de jovens de todo o mundo pra cá. Meu marido e eu fizemos esse programa. Eu, inclusive, vim no primeiro grupo que saiu do Brasil!



E criancinhas russas cantando e dançando - achei fofo e se fosse meu filho eu estaria chorando.




quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sukkot - A festa das cabanas

Dando continuidade às festas do mês judaico de Tishrei (iniciadas por Rosh Hashaná), essa semana comemoramos Sukkot. Sukkot é uma das três festas nas quais os hebreus faziam uma peregrinação para o Templo em Jerusalém (levando animais e cereais como forma de sacrifício)

Esse feriado dura sete dias (oito fora de Israel). Na verdade, o feriado mesmo (quando não se pode trabalhar, assim como o Shabbat, para os religiosos) acontece no primeiro e no último dia dessa semana. Os dias intermediários são chamados de Chol hamoed e aqui em Israel as escolas estão fechadas, alguns religiosos não trabalham e tiram férias, mas a maioria da população trabalha normalmente, como eu e meu marido. Há lojas e outros estabelecimentos comerciais que abrem somente por meio período durante essa semana.

A palavra hebraica sukkot é o plural de sukkah, que é uma estrutura murada coberta de skhakh (material de fábrica como crescimento excessivo de árvore frondoso ou folhas de palmeira). A sukkah simboliza a eminiscência do tipo de residências frágeis nas quais os judeus viveram durante os seus 40 anos da viagem no deserto depois do Êxodo da escravidão no Egito.

Durante toda a duração do feriado, os judeus religiosos fazem as suas refeições na sukkah e muitos dormem lá também. Muitos aproveitam as "férias" para fazer encontros com os amigos na sukkah, churrascos e festas. Restaurantes, shoppings, espaços públicos e algumas creches também disponibilizam sukkot para que  os observantes possam fazer suas refeições na sukka mesmo que fora de casa.


Mas a sukkah não é uma cabana qualquer, há uma série de requisitos para que ela seja considerada uma sukkah "válida". As paredes podem ser construídas de qualquer material (madeira, lona, desvio de alumínio, folhas) e elas podem ser independentes ou incluir os lados de um edifício ou pórtico. O telhado deve ser do material orgânico, conhecido como skhakh, como eu expliquei ai em cima. Também costuma-se decorar a sukkah com fitas, objetos de decoração pendentes, flores, desenhos (essa é a parte mais divertida para as crianças).

as 4 espécies - etrog, lulav,
hadas, aravah

Outro costume dos religiosos durante Sukkot é a benção sobre as Quatro Espécies - cidra, palma de tamareira, murta e salgueiro. Essas espécies representam a variedade de características na natureza e nos homens - cada árvore e fruta tem suas próprias qualidades, assim como as pessoas. 

No último dia de Sukkot, os religiosos rezam pedindo chuva no outono e inverno que estão por começar, tão necessária nesse país de clima desértico. 

(imagem do Google)

Aproveitando as temperaturas mais amenas e as férias das crianças, há festivais e atividades para as crianças e para as famílias em todo o país. Passeios, shows, atividades em shoppings e tudo mais para entreter os pequenos e deixar os pais mais pobres.

Para fazer uma ilustração real de como Israel fica, sai com o iphone a câmera em punho nos últimos dias e fotografei algumas sukkot que vi no caminho. Na verdade, apesar de no meu bairro morarem muitos judeus religiosos, achei que ia ver mais sukkot por ai. Jerusalém, por exemplo, parece uma favelinha nessa época, em todo e qualquer espaço livre há uma sukká!


Sukkah na frente de uma creche



Assim é a decoração de uma sukkah por dentro.
Esta está um pouco pobrinha porque a creche estava fechada durante
o final de semana, quando eu tirei a foto
As varandas-favelinhas




Esses já deixaram até as panelas pra próxima refeição - hehe
(tirei essa foto hoje cedinho, ela ficava ao lado da creche do
Uri)




terça-feira, 11 de setembro de 2012

Das coisas boas de Israel - Tahine (ou tchina)

Os árabes e o resto do mundo a chamam de tahine. Nós aqui em Israel a chamamos de tchina - o "ch" tem som de "rr" aspirado e a sílaba tônica é a 1a, mais ou menos assim: t-rrí-na.

Tchina é uma pasta de gergelim q além de ser super gostosa, é versátil e nutritiva.Rico em cálcio e sem glúten, ele pode ser consumido por pessoas com alergia ao leite, intolerância à lactose e celíacos. O gergelim é o único ingrediente da tchina, e como ele contém uma grande quantidade de óleo - cerca de 50% do peso da semente, mais do que a soja e as nozes - depois de trituradas, as sementes transformam-se numa pasta oleosa, densa, de cor bege, riquíssima em sabor e com inúmeros usos na cozinha.


Em qualquer mo mercado, a gente compra um pote de tchina pastosa, como esse ao lado, q geralmente mostra bem a quantidade de óleo que o gergelim tem - uma pasta bege escura assenta, enquanto uma parte de óleo fica por cima. ah, e podemos encontrar tchina preparada com gergelim "normal" ou com gergelim integral. O gosto, pra mim, é o mesmo.

 Ai tem q preparar o molho, o q é super fácil: É só misturar a pasta com água (gelada), suco de limão, sal e outros temperos (alho, salsinha, páprica) e ir misturando aos poucos até q fique na consistência que você quiser (pode ser que você tenha que adicionar mais tchina ou mais água até dar o ponto certinho).

 Esse molho fica gostoso em saladas, em cima de uma beringela ou pimentão assados (adoro), em cima de kibe (de bandeija ou frito), como um dip pra mergulhar palitos de cenoura, pimentão, pepino, e claro, aompanhando outros pratos típicos dessas bandas, como o hummus, o falafel e o schwarma (falarei deles um dia).

 Tem gente q adiciona a tchina em bolos e tortas (eu nunca fiz) e por ser um alimento muito nutritivo, as crianças o comem desde bem cedo. Na primeira creche que meu filho frequentou, batiam tchina com as papinhas de frutas dos bebês (fica bom, eu já experimentei).

Enfim, essa é uma das minhas aquisições gastronômicas nessa terra. É fácil de preparar, é gostosa e é nutritiva.

 Não tem tchina onde você mora? Ou tem e é muito caro? Nesse blog tem uma receita e outras curiosidades sobre ela.

 Aqui, um video bem antigo q eu e meu marido fizemos pra ensinar a minha irmã a preparar o molho de tchina.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Exemplificando o atendimento médico em Israel

(e seu lado bom e ruim).

Falei sobre a pediatria em Israel nesse post (q na verdade englovbou a Medicina aqui em geral) e hoje exemplifico. 

Há algumas semanas vinha sentido duas dores chatas, fortes e incômodas. Uma delas é na lombar, já havia teomado várias caixas de remédio, já tinha colocado bolsa de água quente (mesmo com o calor infernal), já passei alguns tipos de pomadas, cremes e géis, e nada resultou.

A outra dor era "interna", na região dos óvarios. Fui ao ginecologista, que me examinou, não encontrou nada de errado, e me deu uma guia para um exame de urina e um ultrasson dos rins.

Alguns dias depois, não aguentando mais de dor nas costas, corri na minha Médica da Família (Clinica Geral) e pedi uma injeção de relaxante muscular. Como o laboratório fica na mesma clínica, aproveitei e fiz o exame de urina que o ginecologista havia pedido.

A dor nas costas não melhorou, só piorou na verdade, e acabei tendo que marcar ortopedista. Tenho um ortopedista muito bom, Dr. Dotan, mas conseguir consulta com ele é muito dificil, provavlemente eu só conseguiria para daqui a uns 2 meses, então marquei com qualquer um que tivesse um horário livre nos dias seguintes.

Então numa 3a feira eu sai de casa às 8 e pouco para a consulta com o ortopedista que era às 9. No caminho, a enfermeira do ginecologista me liga, dizendo que o meu exame de urina acusou a presença de duas bactérias e que o ginecologista já tinha deixado prontas uma receita de antibiótico e uma guia pra outro exame de urina (pra depois do tratamento) e ela queria saber quando eu poderia ir buscar. Como o prédio do ginecologista era do lado do prédio do ortopedista, passei por lá antes da consulta, peguei as guias e ainda consegui dar uma palavrinha com o médico, que me explicou o que a enfermeira tinha encontrado.

Cheguei ao ortopedista, tive que esperá-lo terminar uma conversa (particular) no celular por 20 minutos, entrei no consultório fedendo a cigarro (o consultório é super limpo, o fedido era ele), expliquei o que eu sentia, ele examinou minha coluna, receitou um (outro) analgésico, eu perguntei se ele achava que medicina alternativa (acunpuntura) poderia ajudar, ele acha que não, mas me deu encaminhamento para fisioterapia (eu ainda acho que ele deveria ter me mandado fazer um raio-x). Atravessei a rua, entrei no prédio da fisioterapia (o mesmo do ginecologista), supliquei por uma massagem naquela hora mesmo, no começo a secretária explicou que não tinha como mesmo, todos os fisioterapeutas estavam super ocupados, mas um deles passou e viu a minha cara de desespero e conseguiu me encaixar entre um paciente e outro, me colocou num aparelho que dava choques bem fraquinhos por uns 20 minutos e depois fez massagem. Quando sai de lá (como a Phoenix, renascida das cinzas), ainda marquei mais 7 sessões (o médico indicou que o meu tratamento seria de 8) e paguei o equivalente a 14 reais (o tratamento todo). 

Continuo com as sessões de massagem e aparelhos (choques e ondas) e as dores estão 60% melhores. A clínica da fisio é ótima, tem Pilates, os fisioterapeutas são super competentes e atenciosos, tudo limpinho e arrumado. 

Enfim, isso é um exemplo. Em duas horas fui atendida por 3 profissionais. Adoro a atenção do meu ginecologista, não gostei do ortopedista (mas ele serviu pro que eu precisava) e acho muito legal a clínica de fisio e os profissionais de lá. Não garanto que aconteça assim em todas as clínicas, com todos os médicos e em todas as ocasiões. Mas em geral, estou muito satisfeita com o tratamento que recebemos, como disse no outro post, e resolvi escrever esse pra ilustrar. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Coisas que só vi em Israel

Cada país tem suas peculiaridades, cada povo tem suas manias e quando chegamos a um lugar novo estranhamos o que não nos é comum, chegamos a achar um absurdo, coisa de gente doida, mas depois de um tempo nos acostumamos, entendemos e às vezes até adquirimos os costumes, adaptamos aos nossos e tudo fica bem.

Quer saber de algumas coisas que "assustaram" os brasileiros que chegaram à Terra Santa (inclusive eu mesma)? Vem comigo!

1. Comer salada no café da manhã - Comem pepino, comem tomate, pimentão, cebola, azeitona. Não são todos nem todos os dias, muita gente só come salada aos finais de semana, quando há mais tempo para preparar, ou quando saem pra tomar café da manhã fora. Aqui em casa nós comemos todo dia - pepino + tomate cereja + pimentão, picadinhos, com sal, azeite e 2 colheres de queijo cottage. Ah, pra constar - come-se pão também e toma-se café, mas esse café é diferente... 

2. Café é Nescafé, com leite (eles chamam carinhosamente de Nes). Tem uns que tomam café turco, ou café "botz" (lama), que é um café não coado, o pó fica no fundo da xícara. Eu particularmente não entendo a graça de sujar os dentes com café, mas muita gente gosta. Café filtrado é extremamente raro, temos algumas marcas nos supermercados, são caras e não têm o mesmo gosto que o nosso cafezinho tem. A gente aqui em casa não abre mão do café de filtro e "importa" por todas as pessoas que chegam do Brasil e se oferecem a trazer algo. 


kumkum
3. Ainda sobre café, todas as casas tem uma chaleira elétrica (kettle em Inglês, kumkum em Hebraico - adoro essa palavra). É só colocar água, apertar um botão e em poucos minutos a água está fervendo para o café, o chá, pra cozinhar o macarrão e etc. Esse é um eletrodoméstico bem comum na Europa, mas no Brasil ainda é pouquíssimo usado. É uma maravilha, ajuda muito. Tem também uma outra "máquina" de água, que nada mais é do que um mega filtro, aperta um botão e sai fria , aperta outro e sai água fervendo pro café (eliminando o uso da kumkum). 



essa é que nós temos. Foi cara, pagamos em muitas prestações,
mas nunca mais precisamos carregar garrafas de água mineral do super

4. O interruptor de luz dos banheiros (e só dos banheiros) fica do lado de fora, tem que acender antes de entrar. Provavelmente deve ser pra evitar problemas da eletricidade em contacto com a umidade. Ainda no assunto banheiro, nas portas há uma um quadrado de vidro, assim quem tá de fora pode ver se o banheiro está ocupado (com a luz acesa) sem que ninguém tenha q gritar "tem geeeente". 



5. E mais sobre os banheiros - nas casas mais antigas e mais simples, não há uma divisão entre a área onde se toma banho e o resto do banheiro. Explico: Não há box (dá pra colocar uma cortininha) e às vezes não há nem um desnível entre a área do chuveiro e a da prvada, espelho, etc. Ou seja, tomou banho, alagou o Oriente Médio. Então nesses banheiros sempre tem um rodo dentro, tomou banho, tem q tirar a água. É irritante, mas olhando pelo lado positivo, tem a vantagem do banheiro estar sempre limpo. 

6. Quer mais sobre banheiros? A descarga tem dois botões - um que solta menos água e outro que solta mais (e ai você saberá qual apertar para cada tipo de "uso"). Além disso, a maioria das pessoas mantémno banheiro um pacote de lenços umedecidos (desses de limpar bumbum de bebê) para uso dos adultos, o que garante uma "refrescância" maior. Recomendado!

 רכב חשמלי קלנועית  קלנוע7. Assim como temos o agalul para transportar crianças (sobre o qual eu contei aqui), temos também as motinhos dos velhinhos, o kalnoit. São motos mais confortáveis, de 1 ou 2 lugares, geralmente são movidas a eletricidade (tem que carregar toda hora) e os velhinhos que têm dificuldades motoras passeiam pela cidade toda com as suas. Eu já até presenciei a cena (fofissima) de um velhinho que pegou a sua gatinha pra dar uma volta na praia. Quer ver mais modelos? Clica aqui! 

8. Sistema de irrigação - por ser um país de clima desértico, obviamente que tudo é muito seco aqui e estaríamos fadados à fome se não fossem os engenheiros agrícolas espertinhos que desenvolveram sistemas de irrigação modernos e que garantem a água das gramas, das flores e das plantações sem precisar de ninguém regando com mangueira ou regador. Então em praticamente todo prédio, toda praça e todo jardim, tem água saindo pelo solo e muitas vezes em forma de jatos que já me causaram cenas engraçadas (ou nâo) de passar por um prédio, não perceber que o jato estava vindo em minha direção e me molhar toda. 

9. Horários de atendimento - No Brasil os bancos, correios e demais locais de atendimento ao público funcionam de 8 às 4 geralmente, né? Pois por esses lados você sempre tem que checar a que horas o lugar que você precisa ir vai estar aberto naquele dia. Tem dia na semana que eles funcionam direto das 8 às 4, tem dias que funcionam de 8 às 12, fecham e abrem novamente de 4 à 7 da noite, às sextas e véspera de feriado eles fecham mais cedo, e tem dias que não abrem (os bancos não abrem aos domingos, por exemplo). O mesmo vale para os médicos e dentistas. Muitos atendem de manhã, fazem um intervalo e voltam a atender no fim da tarde, começo da noite. É estranho, mas quando você acostuma, percebe que é prático, porque muitas vezes você não precisa perder um dia de trabalho, ou chegar mais tarde, pra poder ir tirar o passaporte, por exemplo. Eu acho inteligente.


10. Além de ônibus e trem, nós temos como meio de transporte público as moniot sherut, um tipo de van (amarela) onde viajam 10 pessoas e o motorista. Como não tem cobrado, o dinheiro é passado de um a um até chegar ao motoca. Te cutucam com a moeda e falam "Efshar le'avir?" ("Pode passar?"). Confesso - Irrita muito! E não, ninguém embolsa a grana não!

Enfim, isso foi o que veio à minha cabeça e a dos companheiros da comunidade Brasileiros em Israel do facebook. Mora aqui e estranhou mais alguma coisa que eu não lembrei? Escreve nos comentários que eu adiciono. 

É claro que temos diferenças alimentares (sobre as quais eu já falei aqui), tem as diferenças religiosas também, mas optei por não entrar nesses detalhes nesse post. Quis escrever sobre coisas cotidianas que me pareceram estranhas mas que, em 7 anos por aqui, acabei assimilando e hoje em dia acabo nem reparando mais.