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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quem cuida do seu filho em Israel?


Esse é outro post que fez parte de uma Blogagem Coletiva do Mães Internacionais (originalmente no Grãozinho de Bico) e resolvi transferir pra cá.

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A licença maternidade paga em Israel é de míseras 14 semanas (3 meses e meio). Depois disso, se a mãe desejar, as empresas têm que aceitar que ela tire até os seis meses do bebê, mas ela não receberá mais pagamento por esse mês e meio. Após os 6 meses, fica a critério da empresa aceitar uma extensão ou não. Nem vou entrar no mérito do que é justo e o que não é, do quanto dói deixar o filho pequenininho e voltar para o trabalho e do quanto eu queria morar na Estônia, onde a licença maternidade pode chegar a 3 anos!!!

Então, chegada a hora maldita as mães têm algumas opções de cuidados pros bebês.

A comunidade russa (enorme no país), e muitos israelenses também, optam em deixar com a vovó. Na cultura russa isso é bem comum, minhas amigas do trabalho deixam os bebês com as babushkas e eu vejo um monte delas passeando com carrinhos por ai. Essa, pra mim, seria a opção ideal (tirando a de eu poder ficar em casa até o o primeiro aniversário dos meus filhos). Na minha opinião, até 1 ano de idade, o bebê não necessariamente precisa de contato com outros bebês, não precisa de muitos estímulos fora os que são dados pela mãe, se essa realmente passar um tempo de qualidade com o seu filho. Tipo aula de inglês, de música ou de sei lá o q, na minha opinião, é bobeira antes de 1 ano. Contato com outras crianças é legal, principalmente depois de uns 9, 10 meses, mas se a mãe tiver um círculo de amigas com filhos da mesma idade, se levar sempre no parquinho, se procurar atividades para bebês (no shopping na esquina de casa, tem encontros semanais e gratuitos para mães e bebês, com atividades que estimulam o desenvolvimento deles), a escolinha não é realmente fundamental.

Quem, como eu não tenha a safta (vovó, em Hebraico) por perto, mas ainda acha q o bebê deve receber um cuidado 1:1 nos primeiros meses, apela pra babá (ou metapelet). Aqui em Israel, a metapelet pode estar na sua casa ou na casa dela mesmo. Se for na sua casa, ela é, a priori, contratada pra cuidar do bebê, não da casa. Você pode combinar que ela cuide da roupinha dele e faça a comidinha dele enquanto ele dorme, mas não mais do que isso. Se vc quiser que ela faça qualquer outra coisa, tem que pagar a parte, o que é muito justo. O salário de uma metapelet varia, vai de 2 mil e poucos shekels (mil e poucos reais), a uns 5 mil, dependendo do número de crianças, da quantidade de horas trabalhadas por dia, e do que ela vai fazer na sua casa e pro bebê.

Dá também para deixar o bebê na casa da babá, se ela preferir e se você concordar (e ainda por cima achar estranho ter alguém enfiado na tua casa o dia todo). Essa é uma ótima alternativa também, desde que a babá escolhida seja uma pessoa de extrema confiança e que tenha indicações. Nas duas opções, vale combinar todos os detalhes, os horários, o que pode e o que não pode fazer com o bebê e em geral, principalmente se for na casa dela, porque a gente tende a se sentir menos à vontade e não fala desde o início, ai acontecem coisas que te desagradam, mas você acaba não falando nada. Por exemplo: Você combina com a babá o período de 9 às 16. Estando na casa dela, você até imagina que tudo bem ela fazer o almoço e comer enquanto o bebê dorme. Isso é normal, isso é aceitável. Porém, chegar na casa da babá e encontrar o teu filho, que já engatinha, preso no carrinho (sempre detestei carrinho dentro de casa, criança tem que ficar livre, aqui o carrinho fica do lado de fora, meu filho nunca ficou sentado no carrinho em casa), na cozinha com ela, enquanto ela limpa a casa com litros e litros de água sanitária. Isso não é OK!!!! Não é OK porque você não paga a babá pra limpar a casa dela quando poderia estar brincando, passeando ou cuidando do teu bebê e é menos OK ainda porque manter um bebê num ambiente fechado com cheiro de água sanitária é perigoso. Então, aprenda comigo: Combine tudo, escreva, converse, pergunte, teste. Não tome como certo que a babá vai pensar como você e querer o melhor pro teu filho. Talvez o melhor dela não seja tão bom assim. E fale tudo que te incomodar, desde sempre, pras reclamações não se acumularem e tudo ficar pior. E isso vale para babás israelenses, russas, brasileiras, argentinas, filipinas...

Os pais que não têm condições de ter uma metapelet, podem contar com uma outra opção: Algumas mães de bebês que podem ficar mais meses em casa mas que desejam aumentar a renda familiar, pegam mais um bebê pra cuidar junto com o seu. De novo, é uma ótima alternativa se você conhecer essa mãe, ou tiver muitas e excelentes indicações dela. E de novo, combine TUDO.

Há outras pessoas que resolvem cuidar de 3 a 4 bebês em suas casas. A isso se dá ao nome de mishpachton . Eu não sei dizer se há algum regulamento ou fiscalização para os mishpachtonim (plural de mishpachton), ou se quem quiser abre o seu e pronto. Já ouvi histórias horripilantes sobre eles, da cuidadora que espanca criança, de comida de pouca qualidade, de crianças jogadas em frente à TV o dia todo. Por outro lado, já ouvi falar de cuidadoras cuidadosas (há!) e carinhosas, lugares limpinhos e próprios pros pequenos, enfim, é a opção pra quem não quer ainda colocar o seu filho numa creche com muitos bebês.

As creches (ou ganim) aqui podem ser públicas ou privadas. Geralmente, as públicas, as gratuitas, começam aos 3 anos de idade da criança. Antes disso, há creches de entidades beneficentes que têm um bom desconto na mensalidade. Para isso, a mãe tem que provar q a renda familiar é mais baixa e o desconto é dado de acordo a isso. Esses ganim são muito concorridos não só por esse fator econômico, mas pela qualidade nos cuidados com as crianças (segundo contam). 

Nós pagamos pro Uri o equivalente a 1250 reais, pro período de 7 às 4 (se quiséssemos até às 5 seria 50 reais mais caro) de domingo à quinta e 7 às 12 às sextas feiras. Nesse preço estão incluídas 3 "refeições" - café da manhã (que pra gente seria mais um lanche da manhã, porque é "tarde", 9 e pouco, e ele toma café da manhã em casa), almoço e um lanchinho à tarde (não considero refeição porque ele sempre chega em casa morrendo de fome), algumas aulinhas extras por semana (yoga e esporte para crianças pequenas e musicalização) e só. Fraldas, lenços umedecidos, creme pra assadura, leite artificial (se for o caso) são mandados pelos pais.

Há ganim bons e ruins, como em todo lugar, eu acredito. Os espaços podem ser grandes, arejados e arrumados, mas também pequenos e bagunçados. Há ganim com camêras que filmam tudo e os pais podem ver os filhos pela internet, há ganim que mandam fotos pros pais das atividades dos pequenos com uma certa frequência, há ganim onde tudo é uma bagunça. Tem que saber procurar e acima de tudo, ter recomendações de gente conhecida.

Ainda pra essa faixa etária (até os 3 anos), há ganim religiosos, russos, bilingues (inglês e hebraico). Esses ganim têm uma certa fiscalização do governo, mas não são administrados por ele. A partir dos 3 anos, a criança vai pro gan trom-trom hová ("creche pré-pré obrigatória") e aí sim é o governo que manda e fiscaliza, há um planejamento a ser seguido, que é igual para todos e ele é Hebraico. Mesmo se a criança for para o gan onde só se falava russo até essa idade, ela terá que ir ao gan hová "nacional" quando for a hora. Esse gan é gratuito e funciona até às 13 ou 14 horas. Se os pais precisam que a criança fique até o final da tarde, pagam pelo tza'aron (falo dele aqui embaixo).

Aos 6 anos eles começam a escola, que é pública também (há escolas particulares, mas elas são as bilingues, as internacionais, enfim, as "especiais"). No ensino fundamental (até a 5a série de quando nós estudávamos - já me perdi com as mudanças na nomeclatura no Brasil ) as crianças estudam só na parte da manhã e um ou outro dia saem um pouco mais tarde.

Pras mães que trabalham e não têm onde deixar os filhos (maiores) na parte da tarde, há os tza'aronim, tanto nas escolas quanto fora delas. São lugares onde as crianças almoçam, passam a tarde, têm ajuda pra lição de casa, às vezes atividades como pintura, artesanato e brincadeiras dirigidas.

A minha opinião sobre o sistema, baseado no que vivemos até agora com o Uri (1 metapelet e 2 ganim particulares) ? Talvez por falta de sorte, talvez por exigência minha (confesso, sou chata), mas não estou satisfeita. com a metapelet, além de outros problemas que não têm a ver com ela (era longe demais), faltou comunicação no começo, faltou pontuar muitas coisas e eu acabei não falando de coisas que me incomodavam desde o começo, fui deixando passar e depois elas ficaram insustentáveis pra gente.

O primeiro gan que ele foi era longe demais (20 minutos pra ir, 20 pra voltar, mais os minutos que passávamos lá, quase 1 hora perdida de manhã e à tarde) e era ruim. As cuidadoras não paravam no emprego (forte indicativo de um mau local de trabalho). Eu tinha a impressão que meu filho ficava jogado no chão o dia todo, salvo quando comia ou dormia, e não era estimulado de maneira alguma. Eu não gostava das cuidadoras, não confiava. Enfim, não era bom. Ainda assim, demorou 6 meses pra eu me convencer de que o problema era o gan, não eu e a minha exigência.

Ai encontramos esse novo gan, na rua de baixo de casa, o que tranformou a nossa vida para melhor, temos muito mais qualidade de vida com o Uri, de manhã e à tarde (e até hoje eu e o marido nos perguntamos onde estávamos com a cabeça de colocar o nosso filho em dois lugares tão longes - a metapelet e o outro gan). Eu gosto muito de duas das 3 cuidadoras fixas, são mais velhas, são mães e se preocupam pra valer com o bem-estar das crianças. A terceira cuidadora é a dona do gan e responsável pela parte "pedagógica". Eu gosto dela, acho que ela faz um trabalho legal com as crianças, mas já a peguei gritando, o que eu não gosto. Fora que às vezes eu sinto que ela é um pouco falsa, fala as coisas que eu quero ouvir. Uma coisa que me incomoda bastante é às vezes chegar e a filha da dona (uma pirralha de 22 anos antipaticíssima e sem o menor appeal com as crianças) estar cuidando deles porque as outras cuidadoras já não estão. A comida é OK, mas o cardápio não varia muito e o pior, na minha opinião, é que oferecem doces pras crianças, pão com chocolate no lanche, Bamba e balas nas festinhas. Isso vai muito contra o que eu e o marido queremos e ensinamos ao Uri, mas recentemente, vendo meu filho deixar um bombom derreter na mão por falta de interesse e se acabar de gritar porque acabou o melão cortadinho no potinho dele, percebi que o nosso trabalho está feito, meu filho pode até comer um doce ou outro na creche (mesmo com toda a minha indignação com isso), mas só de não termos porcarias em casa - pelo menos não ao alcance dele - e ele vendo muitas coisas saudáveis por aqui, já adaptou o paladar. 



Além disso, eu percebo que o Uri aprende bastante coisa no gan, tanto no convívio social - guardar os brinquedos, aprender a dividir, a escutar comandos (como o de sentar e escutar) como músicas e palavras em Hebraico (coisa que não aprende em casa). Um dia, do nada, o vejo cantando musiquinhas em Hebraico, fazendo gestos, e percebo que ele tem sim um mundo "dele", longe dessa casa e da nossa influência.

De qualquer forma, pelo q eu ouço por aqui, apesar de diferente, o ensino em Israel é bom. Quer dizer, se compararmos às melhores escolas particulares do Brasil, claro que ele sai perdendo, mas sendo o ensino fundamental público, ele é bastante razoável. Quanto às creches, eu sinto sim falta de uma boa creche particular pro Uri, dessas ueq eu vejo nos blogs por ai. Aqui o negócio é diferente, não tem tanto capricho, mas como eu sei que me dedicaria à educação dele em casa de qualquer maneira, me forço a não ficar me lamuriando e não tentando comparar muito. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Receita de hummus


Hummus (ou hommus) é outro prato típico israelense herdado dos primos árabes, e nada mais é do que uma pasta de grão-de-bico e tahine. Hummus é um alimento bastante nutritivo, contendo uma grande quantidade de proteínas, fibras, gordura mono-insaturada e ferro. Hummus, em hebraico, quer dizer "grão-de-bico".


Hummus é outra paixão nacional. Na maioria das casas que eu conheço, ele faz parte da lista de compras do super assim como o requeijão no Brasil. As crianças adoram, os bebês comem desde muito cedo, os adultos não vivem sem.

Eu confesso que não era muito fã não, principalmente dos que se compra pronto no supermercado (aqui temos uma área do super só dessas pastinhas, que israelense chama de "salada" - hummus, tahine com salsinha, salada de beringela, salada de pimentões e mais um monte - AMO). Eu não via graça nenhuma nele, achava seco, não entendia esse amor todo.

"Oi, sou vendido no super e não sou gostoso não" 

Mas ai um dia eu fiquei com vontade de ir numa "hummusiá", um restaurante que basicamente só serve hummus, com variações - hummus com grão-de-bico, hummus com um tipo de feijão, hummus com pinhole. Geralmente também tem ovo cozido, pepino em conserva, tomate e cebola. E só. Esses restaurantes são bem pequenos e a galera costuma dividir as mesas, ou seja, se você está com o seu marido em uma mesa com 4 lugares, pode crer que outro casal pode vir e sentar junto. Estranhissimo, mas acontece, costume local e só em hummusiá.




Dai que eu fui com o meu marido em uma hummusiá em Jaffa (Yaffo) e ai sim eu entendi o amor todo pela "pastinha". O gosto do hummus fresquinho e natural é outro. E é bom!

Há um tempo o marido veio com a idéia de fazermos hummus em casa e uma receita. Não levei fé, mas tentamos e não é que o negócio é bom e muito, muito fácil? O único probleminha é que não dura muito na geladeira (uns 4 dias), mas dá pra congelar numa boa.

Então a receita é assim:

Pra uma xícara de grão-de-bico cozido, junta uma xícara de tahine (receita aqui pra quem não achar no supermercado), o quanto bastar de água pra dar o ponto de pasta (usamos a água do grão de bico), suco de meio limão (ou mais, dependendo do gosto), sal e temperos (alho, páprica e salsinha) à gosto. Bate tudo no liquidificador e pronto! Claro que dá pra aumentar a receita, observando as proporções.

Nós aqui usamos grão-de-bico enlatado ou aqueles pré-cozidos congelados. Eu descongelo em água fervente e uso essa água na receita. Mas dá pra usar grão-de-bico cozido, aí tem que deixar um pouco de molho antes.

Dá pra comer com pão sírio (pita) ou até com legumes (cenoura, pepino, pimentão) em tiras.

Ah, e não esquece de um fio de azeite generoso por cima.

Faz e me conta!




Obs 1: Eu não consigo responder comentários por aqui (não sei porquê), então deixa seu email pra que eu não pareça mal educada e ignore o que você escreve!! :-)

Obs 2: Fotos do google.


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Receita de pão de queijo

Pra aqueles que estão em Israel (ou outro lugar do mundo), e reclamam que não dá pra fazer pão de queijo, que não tem polvilho azedo, bla bla bla, uma boa notícia. Aqui vai uma receita que eu fiz ontem pela primeira vez e deu muito certo. Quem me deu a receita foi minha amiga Debi, confesso que não estava levando muita fé nela porque eram poucos ingredientes, achei que faltava ovo, fermento, mas resolvi testar e foi um sucesso. 

Então ai vai:

- Entre 2 e 3 xícaras de tapioca* (a receita dizia 2, mas eu fiz e quando coloquei as bolinhas na assadeira, elas "derretiam" depois de poucos segundos, então coloquei mais uma e deu certo. Acho que vai do tamanho da xícara, mas dá pra ver, quando a bolinha não desmanchar, ou seja, quando ficar bem duro, é o ponto).
Nota pós postagem (graças aos comentários das pessoas mais entendidas que eu): Farinha de tapioca é polvilho doce! (Eu juro que achava quer era substituto!)

- Uns 180 gramas de queijo ralado - pode ser parmesão (o q usamos), Tal Haemek, Gouda, e se colocar um pouqinho de queijo defumado ralado junto, fica melhor ainda.

- 1 caixinha de creme de leite (em Israel: Shamanet lebishul - 15% de gordura).

- 1 pitada de sal. Coloquei uma pitada mesmo, porque fiquei com medo do queijo salgar demais e faltou um pouco. Da proxima vez, coloco mais. 

E só!

É só aquecer o forno antes, misturar todos os ingredientes, fazer as bolinhas e colocar numa assadeira untada. No nosso forno (em temperatura média), estava douradinho (veja na foto) em uns 25 minutos. A receita rendeu uns 25 paezinhos (ou seja, tenho alguns congelados pro fim de semana!).

Ficou uma delícia, o Uri comeu como se não houvesse outra comida no mundo, achei que ele fosse explodir. Ainda coloquei uns quadradinhos de goiabada em alguns e ela derreteu lá dentro... hmmmm... 




* Como eu disse aqui, se encontra farinha de tapioca nos supermercados que vendem coisas indianas, filipinas e etc, no Eden Teva e parece que até no Shufersal também tem, na parte de farinhas especiais. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Das coisas boas de Israel - Tahine (ou tchina)

Os árabes e o resto do mundo a chamam de tahine. Nós aqui em Israel a chamamos de tchina - o "ch" tem som de "rr" aspirado e a sílaba tônica é a 1a, mais ou menos assim: t-rrí-na.

Tchina é uma pasta de gergelim q além de ser super gostosa, é versátil e nutritiva.Rico em cálcio e sem glúten, ele pode ser consumido por pessoas com alergia ao leite, intolerância à lactose e celíacos. O gergelim é o único ingrediente da tchina, e como ele contém uma grande quantidade de óleo - cerca de 50% do peso da semente, mais do que a soja e as nozes - depois de trituradas, as sementes transformam-se numa pasta oleosa, densa, de cor bege, riquíssima em sabor e com inúmeros usos na cozinha.


Em qualquer mo mercado, a gente compra um pote de tchina pastosa, como esse ao lado, q geralmente mostra bem a quantidade de óleo que o gergelim tem - uma pasta bege escura assenta, enquanto uma parte de óleo fica por cima. ah, e podemos encontrar tchina preparada com gergelim "normal" ou com gergelim integral. O gosto, pra mim, é o mesmo.

 Ai tem q preparar o molho, o q é super fácil: É só misturar a pasta com água (gelada), suco de limão, sal e outros temperos (alho, salsinha, páprica) e ir misturando aos poucos até q fique na consistência que você quiser (pode ser que você tenha que adicionar mais tchina ou mais água até dar o ponto certinho).

 Esse molho fica gostoso em saladas, em cima de uma beringela ou pimentão assados (adoro), em cima de kibe (de bandeija ou frito), como um dip pra mergulhar palitos de cenoura, pimentão, pepino, e claro, aompanhando outros pratos típicos dessas bandas, como o hummus, o falafel e o schwarma (falarei deles um dia).

 Tem gente q adiciona a tchina em bolos e tortas (eu nunca fiz) e por ser um alimento muito nutritivo, as crianças o comem desde bem cedo. Na primeira creche que meu filho frequentou, batiam tchina com as papinhas de frutas dos bebês (fica bom, eu já experimentei).

Enfim, essa é uma das minhas aquisições gastronômicas nessa terra. É fácil de preparar, é gostosa e é nutritiva.

 Não tem tchina onde você mora? Ou tem e é muito caro? Nesse blog tem uma receita e outras curiosidades sobre ela.

 Aqui, um video bem antigo q eu e meu marido fizemos pra ensinar a minha irmã a preparar o molho de tchina.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Coisas que só vi em Israel

Cada país tem suas peculiaridades, cada povo tem suas manias e quando chegamos a um lugar novo estranhamos o que não nos é comum, chegamos a achar um absurdo, coisa de gente doida, mas depois de um tempo nos acostumamos, entendemos e às vezes até adquirimos os costumes, adaptamos aos nossos e tudo fica bem.

Quer saber de algumas coisas que "assustaram" os brasileiros que chegaram à Terra Santa (inclusive eu mesma)? Vem comigo!

1. Comer salada no café da manhã - Comem pepino, comem tomate, pimentão, cebola, azeitona. Não são todos nem todos os dias, muita gente só come salada aos finais de semana, quando há mais tempo para preparar, ou quando saem pra tomar café da manhã fora. Aqui em casa nós comemos todo dia - pepino + tomate cereja + pimentão, picadinhos, com sal, azeite e 2 colheres de queijo cottage. Ah, pra constar - come-se pão também e toma-se café, mas esse café é diferente... 

2. Café é Nescafé, com leite (eles chamam carinhosamente de Nes). Tem uns que tomam café turco, ou café "botz" (lama), que é um café não coado, o pó fica no fundo da xícara. Eu particularmente não entendo a graça de sujar os dentes com café, mas muita gente gosta. Café filtrado é extremamente raro, temos algumas marcas nos supermercados, são caras e não têm o mesmo gosto que o nosso cafezinho tem. A gente aqui em casa não abre mão do café de filtro e "importa" por todas as pessoas que chegam do Brasil e se oferecem a trazer algo. 


kumkum
3. Ainda sobre café, todas as casas tem uma chaleira elétrica (kettle em Inglês, kumkum em Hebraico - adoro essa palavra). É só colocar água, apertar um botão e em poucos minutos a água está fervendo para o café, o chá, pra cozinhar o macarrão e etc. Esse é um eletrodoméstico bem comum na Europa, mas no Brasil ainda é pouquíssimo usado. É uma maravilha, ajuda muito. Tem também uma outra "máquina" de água, que nada mais é do que um mega filtro, aperta um botão e sai fria , aperta outro e sai água fervendo pro café (eliminando o uso da kumkum). 



essa é que nós temos. Foi cara, pagamos em muitas prestações,
mas nunca mais precisamos carregar garrafas de água mineral do super

4. O interruptor de luz dos banheiros (e só dos banheiros) fica do lado de fora, tem que acender antes de entrar. Provavelmente deve ser pra evitar problemas da eletricidade em contacto com a umidade. Ainda no assunto banheiro, nas portas há uma um quadrado de vidro, assim quem tá de fora pode ver se o banheiro está ocupado (com a luz acesa) sem que ninguém tenha q gritar "tem geeeente". 



5. E mais sobre os banheiros - nas casas mais antigas e mais simples, não há uma divisão entre a área onde se toma banho e o resto do banheiro. Explico: Não há box (dá pra colocar uma cortininha) e às vezes não há nem um desnível entre a área do chuveiro e a da prvada, espelho, etc. Ou seja, tomou banho, alagou o Oriente Médio. Então nesses banheiros sempre tem um rodo dentro, tomou banho, tem q tirar a água. É irritante, mas olhando pelo lado positivo, tem a vantagem do banheiro estar sempre limpo. 

6. Quer mais sobre banheiros? A descarga tem dois botões - um que solta menos água e outro que solta mais (e ai você saberá qual apertar para cada tipo de "uso"). Além disso, a maioria das pessoas mantémno banheiro um pacote de lenços umedecidos (desses de limpar bumbum de bebê) para uso dos adultos, o que garante uma "refrescância" maior. Recomendado!

 רכב חשמלי קלנועית  קלנוע7. Assim como temos o agalul para transportar crianças (sobre o qual eu contei aqui), temos também as motinhos dos velhinhos, o kalnoit. São motos mais confortáveis, de 1 ou 2 lugares, geralmente são movidas a eletricidade (tem que carregar toda hora) e os velhinhos que têm dificuldades motoras passeiam pela cidade toda com as suas. Eu já até presenciei a cena (fofissima) de um velhinho que pegou a sua gatinha pra dar uma volta na praia. Quer ver mais modelos? Clica aqui! 

8. Sistema de irrigação - por ser um país de clima desértico, obviamente que tudo é muito seco aqui e estaríamos fadados à fome se não fossem os engenheiros agrícolas espertinhos que desenvolveram sistemas de irrigação modernos e que garantem a água das gramas, das flores e das plantações sem precisar de ninguém regando com mangueira ou regador. Então em praticamente todo prédio, toda praça e todo jardim, tem água saindo pelo solo e muitas vezes em forma de jatos que já me causaram cenas engraçadas (ou nâo) de passar por um prédio, não perceber que o jato estava vindo em minha direção e me molhar toda. 

9. Horários de atendimento - No Brasil os bancos, correios e demais locais de atendimento ao público funcionam de 8 às 4 geralmente, né? Pois por esses lados você sempre tem que checar a que horas o lugar que você precisa ir vai estar aberto naquele dia. Tem dia na semana que eles funcionam direto das 8 às 4, tem dias que funcionam de 8 às 12, fecham e abrem novamente de 4 à 7 da noite, às sextas e véspera de feriado eles fecham mais cedo, e tem dias que não abrem (os bancos não abrem aos domingos, por exemplo). O mesmo vale para os médicos e dentistas. Muitos atendem de manhã, fazem um intervalo e voltam a atender no fim da tarde, começo da noite. É estranho, mas quando você acostuma, percebe que é prático, porque muitas vezes você não precisa perder um dia de trabalho, ou chegar mais tarde, pra poder ir tirar o passaporte, por exemplo. Eu acho inteligente.


10. Além de ônibus e trem, nós temos como meio de transporte público as moniot sherut, um tipo de van (amarela) onde viajam 10 pessoas e o motorista. Como não tem cobrado, o dinheiro é passado de um a um até chegar ao motoca. Te cutucam com a moeda e falam "Efshar le'avir?" ("Pode passar?"). Confesso - Irrita muito! E não, ninguém embolsa a grana não!

Enfim, isso foi o que veio à minha cabeça e a dos companheiros da comunidade Brasileiros em Israel do facebook. Mora aqui e estranhou mais alguma coisa que eu não lembrei? Escreve nos comentários que eu adiciono. 

É claro que temos diferenças alimentares (sobre as quais eu já falei aqui), tem as diferenças religiosas também, mas optei por não entrar nesses detalhes nesse post. Quis escrever sobre coisas cotidianas que me pareceram estranhas mas que, em 7 anos por aqui, acabei assimilando e hoje em dia acabo nem reparando mais. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"Iguarias" brasileiras em Israel

** editado, inckuindo dicas de outros brasileiros em Israel ** 

Muitos expatriados sentem falta das iguarias brasileiras, reclamam que as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá, que aqui não tem requeijão, que têm vontade de pastel, que abacaxi é caro. 

A verdade é que precisamos é parar de reclamar (ou pelo menos reclamar menos). Em primeiro lugar, muitas das coisas "típicas" brasileiras já podem ser encontradas ou adaptadas por aqui. Não temos supermercados brasileiros como os russos têm ou como os brasileiros que vivem em Miami têm, mas... 

Guaraná Antártica tem em todo canto. Uma garrafa de 1,5 litro custa mais do que uma de Coca-Cola (por volta de 11 shekels), mas ainda assim dá pra matar a vontade de vez em quando. Só precisam trazer Guaraná Light também. 

Pão de queijo dá pra fazer com a farinha de tapioca vendida nos mercados de comida oriental (tailandeses, indianos e etc) em Tel Aviv ou ainda na parte de farinhas especiais da rede Teva Market. Tem também pronto e congelado em algumas lojas de sul americanos em Kfar Saba.

No Teva também (adoro esse lugar!) dá pra encontrar feijão preto e carioca (além de feijão branco e muitos outros tipos, até feijão fradinho tem!). Quando eu vou até lá, compro bastante e sempre tenho.

Farofa a gente engana com farinha de rosca. Não fica igual, mas engana.

Strogonoff dá pra fazer com leite de coco (para os que comem kasher) ou com creme de leite de soja (da marca Alpro). Eu só faço com leite de coco e adoro. 


Requeijão tem em mercado árabe e russo. Me indicaram esse dinamarquês e apesar de ser carinho (quase 9 reais um pote), é bem parecido com o brasileiro, um pouco mais salgado. Tem também 
esse queijo de passar no pão da Tara (tem uns também chamados New York que são bons, mas são caros). 

Leite condensado é mais problemático. Dá pra encontrar, geralmente em supermercados de russos (em israelenses também tem, mas a variedade é menor), eu já comprei várias vezes, dá pra fazer sobremesas (como pudim), mas não dá ponto pro brigadeiro. Eu nunca consegui, mas me indicaram o leite condesado russo que tem uma vaquinha no rótulo azul e branco. O nome é algo parecido com MONOKO. Além disso, parece que a dica é acrescentar uma gema de ovo à receita do brigadeiro. 

Já ouvi falar de algumas pessoas que fazem pastel, coxinha e salgadinhos em geral, mas é a velha história... nunca vi, nem comi, só ouço falar que são bons. Muitos brasileiros me indicaram uma moça de Naharya q faz salgadinhos e docinho ótimos (não vou fazer a propaganda porque realmente não comi). Fora isso, a internet tá ai com receita de tudo pra gente testar de casa.

Nas minhas andanças por ai eu já encontrei bolachas e torradas Bauducco e bombom argentino que imita sonho de valsa. 

Maracujá tem plantado aos montes nos prédios do meu bairro. Pelo menos duas vezes por semana enchemos duas sacolas de supermercado, comemos, fazemos suco e congelamos para ter durante o ano. Mamão tem no Teva também (deviam me pagar pela propaganda).

Eu ainda sinto falta de algumas coisas, é verdade. O abacaxi, por exemplo, é muito caro e eu morro de medo de pagar 30 shekels em um (15 reais) e depois descobrir que ele está azedo de arrepiar a alma. 

Outra coisa que eu tenho vontade é pizza no forno a lenha. Não tem, pelo menos eu nunca vi. Já ouvi falar em algumas pizzarias em Tel Aviv (me indicaram a Tony Vespa), mas por enquanto eu me contento com as pizzas do meu marido (que é padeiro) que são muito boas. 

Não temos pão francês (pelo menos na minha opinião, baguete não é pão francês!), mas temos chalá no Shabbat (ou a semana inteira pra quem quiser) que fazem a alegria da minha semana. Eu AMO chalá doce com requeijão ou manteiga. 

Fora isso, acho que faz parte do processo de adaptação ao país e à cultura nova conhecer pratos e ingredientes novos, não ficar só reclamando do que não tem, mas adaptar o que dá e incorporar outros sabores à nossa mesa. Outro dia eu falei do silan, num próximo post eu falarei da tchina, ou tahine, como é conhecido o molho de gergelim por aí..

(Se você é brasileiro, vive em Israel e tem dicas e soluções pras nossas vontades e saudades, coloca aqui nos comentários que eu atualizo o post depois)





terça-feira, 31 de julho de 2012

A Terra do Leite e do Mel ... de tâmaras!

Hoje logo cedo eu falei pro meu marido: "O dia em que formos embora de Israel, eu levo uma caixa de silan comigo". Silan é como chamamos por aqui o mel de tâmaras, uma das coisas mais gostosas que você só encontra (ou encontra mais facilmente) nos supermercados dessa região do mundo. 


O silan parece um melado mas menos espesso e menos enjoativo. É marrom escuro e é feito somente de tâmaras e água. Eu aprendi com uma nutricionista daqui que ele é o adoçante natural que menos mal causa pro organismo , muito menos do que todos os tipos de açúcar e o mel. Claro, é mais engordativo do que adoçantes artificiais, mas não tem aquele gostinho amargo que os químicos têm. É cheio de nutrientes, como potássio, ferro e magnésio. 


Aqui em casa a gente usa silan pra um monte de coisas: No iogurte, na granola, no sucrilhos, nas frutas mais azedas, no molho pra salada, no tempero daquela asinha de frango salgada e doce. Já comemos com queijo também e já usamos em algumas receitas. Dá pra colocar no sorvete, na panqueca, na receita de bolos e biscoitos. Enfim, é uma delícia, um dos meus queridinhos em Israel. 


Minha mãe foi apresentada a essa maravilha quando chegou em Israel e hoje me faz mandar um pote toda vez que alguém vai pro Brasil. Levei de presente pras minhas primas na Espanha e elas adoraram também. 


Não é muito baratinho não, um pote de tamanho médio pode custar uns 15 reais, mas é mais barato do que um pote com a mesma quantidade de mel. 



Enfim, é uma dica para quem encontrar dates syrup nos supermercados por ai (acho que em supermercados de produtos orgânicos seja mais fácil de encontrar). Quem não encontrar, pode fazer em casa, achei a receita aqui (nessa foto parece mais líquido do que o que eu compro). Quem quiser comprar online, ou quiser mais idéias de receitas, tem aqui. 








Obs: Isso não é um post publicitário. É somente o meu registro de uma das minhas israelidades favoritas!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Alimentação Infantil em Israel

Esse post foi escrito há algum tempo, para uma Blogagem Coletiva do Mães Internacionais, no meu blog q é privatizado. Como o tema é relevante para quem busca informações sobre Israel, achei legal dar uma adaptada e postá-lo aqui. 

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falafel
Israel é um país novo e lo-ta-do de imigrantes e de etnias. Isso, obviamente influencia e muito a alimentação no país. As comidas típicas, daquelas q você vai q experimentar logo ao chegar no país são: falafel (espécie de sanduíche de pão sírio, recheado de saladas, molho de tahine e bolinhos fritos de uma massa de grão de bico - muito bom!), schwarma (o famoso churrasquinho grego, pedaços de carne - de frango, peru ou carneiro - são enfiados um a um num grande espeto q é assado numa espécia de forno aberto. Fora isso, aqui se come muito hummus (pasta de grão de bico) também. Essas são influências dos nossos primos árabes. Eu gosto muito de falafel e hummus, schwarma não como, mas falafel e hummus são refeições clichê toda vez q eu recebo visitas.


Fora isso, no dia a dia mesmo, israelense come muitos vegetais. Beringela é paixão nacional (e minha também) e ela é encontrada em vários tipos de salada e em conserva. Israelense come salada no café da manhã e por mais estranho q seja, hoje em dia eu também como e nem percebo. As saladas do café da manhã são geralmente feitas de pepino, pimentão e tomate, tudo cortadinho pequenininho. Na minha eu acrescento duas colheres de cottage e mando pra dentro.  Aliás, cottage é outra paixão nacional, adotada pela nossa família. 

Quase ninguém toma café da manhã em casa. As crianças recebem café da manhã nas creches, os mais velhos (a partir da 1a série escolar) são enganados com biscoitos ou cereais até às 10 da manhã, hora do lanche. O pessoal do lugar onde eu trabalho também geralmente come uns legumes (tipo pepino e pimentão cortados e temperados só com sal e "mergulhados" no cottage), umas 2 fatias de pão e toma café. Café aqui é nescafé, com leite. Ninguém toma café de filtro (café expresso sim) e eles tomam muitos nescafés por dia.


Na hora do almoço, geralmente se come carne. O termo pra carne em Israel engloba carne vermelha e carne de frango ou peru (o q me dá meio raiva porque ficam tentando me iludir q tem carne de almoço e quando eu vou ver, não passa de um franguinho... hehe). Como carne vermelha é muito cara por aqui, comemos muito frango e muito peru, e também bastante peixe. Salmão, por exemplo, é muito mais barato aqui do q no Brasil, eu acho. Tomando por exemplo o q o pessoal do escritório pede de almoço, saladas enormes e variadas levam o primeiro prêmio, seguidas de sanduíches, de massas e de "comida caseira" - carne, purê, arroz, etc. Nada tão diferente do Brasil, somente pelo cominho e pela pimenta preta, temperos q israelense ama e eu abomino.


Mas se tem uma coisa q eu aprendi a amar aqui, essa coisa é schnitzel, o famoso frango à milanesa. Israelense ama schintzel, principalmente israelense pequeno. Tem mães q fazem schnitzel em casa, empanam o franguinho, uma delícia (eu faço assim também). Tem outras (a grande maioria, diga-se de passagem) q enchem a garotada de mamma off, um schnitzel pronto, feito de carne de frango processada ("off" em Hebraico é frango). Mamma off é ruim, não tem gosto de nada, é um nuggets da Sadia sem gosto algum. Agora, um schnitzel bem feito, caseiro, dentro de um pão francês, com maionese e alface... ahhh... isso sim me faz muito feliz. AMO! 



cuscus marroquino
Outra coisa muito famosa por aqui é o cuscus marroquino. Nada a ver com o nosso cuscus paulista, aquele bolo salgado, o cuscus (aqui a sílaba tônica é a primeira) dessas bandas é semolina cozida, servida com uma sopa de legumes (não batida, os legumes em pedaços). Quando eu cheguei por aqui, torcia o nariz pra ele, mas hoje em dia eu até curto e até faço, vez ou outra em casa (tem saquinhos de cuscus instantâneo pra vender, é só botar água, temperar, tampar, esperar 5 minutos, mexer com um garfo e tá pronto e é gostosinho). 

Como uma boa parte da população segue as leis da kashrut, geralmente latícinios e carnes não são comidos numa mesma refeição. Por exemplo, você não vai me ver comendo um macarrão a quatro queijos com peito de frango grelhado. Muita gente então prefere comer a carne na hora do almoço e à noite a refeição é baseada mais nos laticínios - queijos, iogurtes, cereais, omelete, saladas. 



Israelense come menos doce do q brasileiro, e os doces são menos doces, na minha opinião. Não existem sobremesas típicas (como a gente tem o pudim de leite condensado, os flans, os bolos). Apesar de existirem boas confeitarias por aqui, a dona de casa israelense ainda precisa aprender um pouco com a Ofélia ou a Palmirinha.... 


Bamba
E as crianças? Bom, elas comem bem e comem mal. Se por um lado elas comem legumes (diga-se pepino e tomate) de café da manhã na creche, por outro elas se entopem de Mamma off e Bamba. Bamba é outro grande amor desse país: Um salgadinho de amendoim em forma de cheetos, com gosto meio q de amendocrem. É gostosinho sim, eu nunca compro porque posso devorar um pacote, mas a criançada aqui ama, venera Bamba. Dizem q Bamba é a 3a palavra de um bebê, depois de ima (mãe), aba (pai), vem Bamba. Tirando os filhos de uma amiga, o Uri foi uma das únicas crianças por aqui q não comeu Bamba com poucos meses de idade (até hoje ele comeu pouquíssimas vezes e todas dadas por outras pessoas, nunca pela gente). Tem gente q acredita piamente q Bamba seja até saudável por ser uma fonte de muita energia, pode até ser, mas não acho q preciso dar pro meu filho uma coisa tão industrializada num momento em q está descobrindo todos os muitos gostos q as coisas naturais têm. Fora o Bamba, outro hábito alimentar israelense q me irrita é o catchup em tudo. Aliás, tudo é modo de dizer, porque eu sei de muita criança por aqui q só come macarrão (pasta cozida, sem molho e com catchup), schnitzel Mamma Off  (com catchup) e almôndegas (com catchup). Mas isso pra mim é preguiça das mães de cozinharem e insistirem numa alimentação melhor. Não sei como estão as coisas no Brasil hoje em dia, mas eu não lembro de nenhum dos meus amigos brasileiros ter uma alimentação tão pobre, e se tivesse, era caso raro e comentado por todo mundo. 

Quanto à introdução de alimentos aqui,  a regra é dar a papinha salgada primeiro, pra não acostumar o paladar do bebê ao doce. Com o Uri eu alternava frutas e frutas, um dia cada coisa, e no final deu certo. 



Não posso afirmar ao certo se a mulher israelense faz a papinha do seu bebê em casa ou se dá potinhos de Gerber, a comida em potinho mais pop daqui. Tenho amigas q dão potinhos somente, mas tenho uma amiga q não só faz todas as papinhas, quanto faz tudo orgânico, até carne sem antibiótico ela compra pra filha num supermercado "natural". Eu mantenho um equilibrio com o Uri, nem somente produto orgânico, mas também nada de balas, pirulitos e refrigerantes até agora. Até o primeiro aniversário ele não comeu doces nem nada industrializado e hoje em dia ainda come muito pouco doce, só um pedacinho de chocolate ou de bolo muito de vez em quando. 


Em setembro ele sai do berçário e começa na "turma dos grandes" do gan. Eu acho q ai as coisas vão ficar mais complicadas pra gente controlar o q ele come e não come, já q as crianças mais velhas(de 1 ano e meio!!!) costumam comer mais porcarias, chegam com chocolate na mão de manhã, servem pirulitos e balas nas festinhas... Eu pretendo conversar com a dona do gan sobre isso, explicar q ela pode sim proibir essas coisas no gan dela e incentivar o consumo de comidas mais saudáveis, mas vamos ver o q vai acontecer...