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quarta-feira, 13 de março de 2013

Purim

No final de fevereiro celebramos Purim aqui em Israel, o terceiro do Uri já!
Já passou há um tempinho, mas vamos registrar...

Pra quem não tem saco interesse nem tempo pra ler sobre mais um feriado judaico, aqui vai o resumo: Purim é o nosso carnaval. Pronto, pode ir lá pras fotos.

Mas pra quem quer um pouco mais de cultura, ai vai a minha adaptação e simplificação do que está explicado na Wikipedia.

Purim é um feriado judaico que comemora a salvação dos judeus persas do plano de Hamã, para exterminá-los, no antigo Império Persa, tal como está escrito no Livro de Ester, um dos livros da Bíblia. Os judeus estavam exilados na Babilônia desde a destruição do Templo de Salomão pelos babilônios e dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia.

O nome "Purim" vem da palavra hebraica "pur", que significa "sorteio". Este era o método usado por Haman, o primeiro-ministro do Rei Achashverosh da Pérsia (e o bad guy da história toda), para escolher a data na qual ele pretendia massacrar os judeus do país.

Costumes


Leitura do livro de Ester (ou Meguilat Ester), nas sinagogas, duas vezes durante o feriado.

Reco-reco: Toda vez que o nome de Haman for mencionado durante a leitura da Meguilá, faz-se barulho com o reco-reco ou outros instrumentos sonoros. Isso pra que o nome do cruel Haman não seja mais escutado. É engraçadinho ver isso numa sinagoga. Estão todos lendo o Livro de Ester compenatrados, como numa reza, e de repente começa a maior algazarra, a maior barulheira. As crianças adoram.

Fantasia: Purim é uma festa feliz e fantasiar-se é uma maneira alegre e divertida de aumentar ainda mais a alegria do milagre ocorrido.

Além disso, costuma-se distribuir comida e dinheiro aos pobres e trocar presentes (geralmente 2 tipos de coisas comestíveis - tipo bolo, chocolate, vinho, frutas secas) entre os vizinhos e os amigos e encher a cara! Sim, sim! O costume é beber tanto (os adultos, claro) até que não se perceba a diferença entre o bem e o mau!!

Em praticamente toda cidade em Israel, há um tipo de carnavalzinho de rua: As prefeituras organizam um desfile de carros alegóricos bem mais simples dos que conhecemos no Brasil, a criançada e seus pais vão pras ruas fantasiadas, há atrações como shows infantis, brinquedos tipo pula pula, algodão doce e etc. É diferente do carnaval brasileiro, muito mais "inocente" e mais simples, mas é muito alegre, principalmente pras crianças.

E também há festas nas escolinhas, nas empresas, nas boates...

Esse é um dos meus feriados favoritos, e acho que vou passar a curtí-lo cada vez mais, como mãe. Esse ano as festividades começaram na 6a feira por aqui, com uma festa no gan dele. As crianças foram fantasiadas desde cedo e às 11 da manhã os pais se juntaram para um almoço oferecido pela dona do gan e que estava uma delícia.





Are Baba!



No domingo e na segunda ele não teve creche e eu fiquei com ele em casa. No domingo teve uma festa em um shopping bem perto aqui de casa e na segunda teve outra numa escola. Em ambas, shows, stands com pintura facial, artesanato pras crianças fazerem, brinquedos infláveis e outras atrações.

O Uri curtiu muito a festinha no gan, dançou com os amigos, gostou de se fantasiar. Aos pouquinhos, as festas judaicas vão fazendo mais sentido pra ele. 



O show no shopping:




Um grupo de adolescentes que "achei" fantasiados na rua e pedi pra tirar foto :-)





Quer ver como ele foi fantasiado nos outros anos?


Em 2011, com exato 1 mês de vida, de joaninha e de padeirinho, como o papai...








Em 2012, de gatinho e de Tigrão








O pior (ou melhor) é que eu não consigo decidir em que ano ele estava mais fofo, vamos concordar...








segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

De volta! E as 3 festas de aniversário!

Estivemos, Uri e eu, no Brasil entre janeiro e fevereiro. Com a correria pré-viagem, as compras de presentes e o trabalho que precisava ser terminado antes do embarque, acabei deixando o blog às traças desde dezembro.

Mas voltamos e tenho muitas coisas pra contar. Vou começar aleatoriamente, pelas festas de aniversário que o Uri ganhou pelos seus dois aninhos, pra registrar bem as diferenças entre elas.

A primeira, no Brasil:

Como não sabemos quando poderíamos comemorar a data junto da família e dos amigos novamente, resolvemos fazer uma pequena festa algumas semanas antes da data dele. Eu adoro organizar festas, tinha todo o suporte da família, mas decidi escolher um tema simples, pra não perder muito das minhas férias com os preparativos. Escolhemos fazer uma festinha à fantasia pros pequenos, e na decoração só usamos muitas cores e bolas.

Foi muito fácil conseguir a decoração toda, que maravilha que é fazer festa no Brasil!! A gente encontra tudo e o preço é razoável (com excessão dos descartáveis, que são muito mais variados e baratos em Israel).

A festa foi no salão de festas de uma amiga, um lugar muito bonito, com playground pras crianças e um salão amplo e coberto. O melhor? Encomendar toda a comida, TODA, de acordo com o número de pessoas. Comprei salgadinhos (e ainda sonho com eles), sanduíche de metro, o boloe todos os docinhos. Fiz a encomenda com dois dias de antecedência e uma hora antes da festa fui pegar tudo, quentinho, tinham acabado de montar as caixas. O preço? Mesmo não sendo "de graça", 330 reais, pra 35 pessoas, eu acho q foi muito bem pago! Só comprei mesmo algumas balas e refrigerante "por fora". Só alegria!

Eu estava com muita dor nesse dia (crise de nervo ciático inflamado), mal conseguia andar, mas hoje nem lembro dessa dor... Muita gente não pôde ir porque caiu bem num final de semana de feriado em SP, mas outros vieram de longe e foi uma delícia, um sonho, poder curtir essa tarde com tanta gente querida. Aliás, uma coisa que me estranhou no Brasil - Várias pessoas não confirmaram presença, ou confirmaram e não vieram... Achei isso chato, aqui em Israel isso quase nunca acontece, mas enfim, pelo que me disseram, é assim. Só é ruim porque fica difícil calcular a comida e a bebida direitinho, sobrou muita coisa e as pessoas que foram embora no final acabaram levando pékale pra casa.

Are Baba!!!

assoprando as velhinhas com a vovó







sonhando com eles...



A segunda, aqui em casa:

Chegamos em Israel e 10 dias depois festejamos aqui em casa, com os amigos mais chegados (brasileiros e israelenses). Como eu sabia da correria que seria, deixei toda a decoração pronta antes de viajar (comecei em novembro!). Cheguei aqui, terminei umas poucas coisas que faltavam e só deixamos a comida pra véspera. Sonhei com encomendar tudo de novo, mas na falta disso, fiz todos os docinhos uma semana antes, enrolei e congelei! Já tinha feito isso no ano passado e é uma das melhores dicas pra evitar a correria antes da festa! Fiz tudo com calma e no dia só descongelei, coloquei nas forminhas e pronto!

Aliás, aproveitando a viagem pro Brasil, trouxe bala de côco e papel pra ela, confeitos coloridos, forminhas e outras coisas nas cores das festas, coisas que não acho aqui, além de leite condensando de verdade, granulado (granulado em Israel não é de chocolate, é de açúcar) e até aquelas bolinhas de flocos de arroz. Tudo isso ajudou e muito a mãe detalhista!

Os comes e bebes todos foram feitos pelo meu marido e eu. Como nos organizamos muito (Excel, eu te amo!), pudemos respirar no dia anterior, não nos matamos até tarde da noite e nem deixamos de fazer o que planejamos.

Adorei a festa, principalmente o esquema de cores (sim, sou dessas). Mais do que isso, é gostoso ver que, com o passar dos anos, fomos formando a nossa família por aqui e muitos viajam mais de uma hora pra poder comemorar junto com a gente.

parece empadinha, não é, mas é tão bom quanto!





toda a decoração feita pela mamãe!!

o bolo, com recheio de brigadeiro e brigadeiro de maracujá, foi feito pelo papai e decorado
todinho por mim!

A casa, do jeito que a gente adora - cheia de gente querida!







A terceira, no gan:

Três dias depois, comemoramos no gan (creche) também. Como os amiguinhos são pequenos e não convidamos nenhum pra festa aqui em casa (porque teríamos que convidar também os pais e os irmãos, e ai não caberia), achamos que ele merecia comemorar lá também, já que todos os amiguinhso o fazem. E foi muito legal! Mas querem ver a diferença nos hábitos? Esqueçam as coxinhas e os risoles!

A dona do gan nos deu uma lista do que levar:

20 ovos cozidos
20 sanduichinhos
salada
um bolo simples

um pacote de marshmallows
dois pacotes de Bamba
dois pacotes de Begalê (um salgadinho tipo aquele de palitinhos do Brasil)

Esses três últimos itens vieram riscados assim mesmo, ela sabia que eu não aprovo esse tipo de "comida" pra criança pequena e não levaria.

Um dia antes, checando os últimos detalhes, ela me pediu pra não levar os ovos cozidos, porque a festa seria na hora do café da manhã, entre 8:30 e 10 e se eles comessem muito, não almoçariam (eles almoçam às 11:30, almoço de peão!)

Confesso que tínhamos pensado em fazer outras coisas, espetinhos de frutas, sanduíchinho em forma de bichinhos, mas devido à correria com a volta da viagem e a outra festa, e também porque sabíamos que eles não comeriam muito, resolvemos fazer somente o que ela pediu, à nossa maneira...

Não se usa fazer decoração com tema algum, mas eu usei o que sobrou da festa de 1 ano dele (que foi com o tema Safari) e dei uma abrasileirada nas coisas. Fiz convitinhos pras crianças e um cartaz bonito pra porta do gan (é assim q anunciam as festinhas, pros pais comprarem presente!). De lembrancinha mandei uma bolhinha de sabão personalizada e um rashan, um brinquedo que faz barulho, típico de Purim (que foi essa semana) .

Pra comer levamos salada (e os pequenos comeram, às 9 da manhã!), sanduichinhos de queijo e cupcakes de laranja, que eles acabaram comendo só à tarde e segundo a dona do gan, devoraram.





Depois do café da manhã (achei essa idéia bem legal, comida mais gostosa e saudável), ela começou com a festa em si. Foi muito bonitinho e emocionante pra mãe chorona ver a homenagem pro Uri. Mais lindo é vê-lo, tão pequeno, entendendo que aquele era o seu dia e interagindo, dançando, participando. Filmei tudo e juntei tudo no video abaixo, com algumas explicaçõeszinhas. Não repara na qualidade da edição, preciso aprender mais sobre isso e parar de filmar com o iphone (muito mais prático, concorda), pra fazer vídeos de melhor qualidade.


O Uri ganhou tantos, mas tantos presentes nessas três festas que tivemos que guardar a metade deles. temos uma prateleira cheinha de surpresas que ele vai ganhar por muitos meses!



Agora que a viagem e as festas acabaram, podemos respirar de novo e colocar, finalmente a vida em dia! Nosso ano começou com muitos eventos e muita alegria! Feliz 2013 pra todos!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quem cuida do seu filho em Israel?


Esse é outro post que fez parte de uma Blogagem Coletiva do Mães Internacionais (originalmente no Grãozinho de Bico) e resolvi transferir pra cá.

****

A licença maternidade paga em Israel é de míseras 14 semanas (3 meses e meio). Depois disso, se a mãe desejar, as empresas têm que aceitar que ela tire até os seis meses do bebê, mas ela não receberá mais pagamento por esse mês e meio. Após os 6 meses, fica a critério da empresa aceitar uma extensão ou não. Nem vou entrar no mérito do que é justo e o que não é, do quanto dói deixar o filho pequenininho e voltar para o trabalho e do quanto eu queria morar na Estônia, onde a licença maternidade pode chegar a 3 anos!!!

Então, chegada a hora maldita as mães têm algumas opções de cuidados pros bebês.

A comunidade russa (enorme no país), e muitos israelenses também, optam em deixar com a vovó. Na cultura russa isso é bem comum, minhas amigas do trabalho deixam os bebês com as babushkas e eu vejo um monte delas passeando com carrinhos por ai. Essa, pra mim, seria a opção ideal (tirando a de eu poder ficar em casa até o o primeiro aniversário dos meus filhos). Na minha opinião, até 1 ano de idade, o bebê não necessariamente precisa de contato com outros bebês, não precisa de muitos estímulos fora os que são dados pela mãe, se essa realmente passar um tempo de qualidade com o seu filho. Tipo aula de inglês, de música ou de sei lá o q, na minha opinião, é bobeira antes de 1 ano. Contato com outras crianças é legal, principalmente depois de uns 9, 10 meses, mas se a mãe tiver um círculo de amigas com filhos da mesma idade, se levar sempre no parquinho, se procurar atividades para bebês (no shopping na esquina de casa, tem encontros semanais e gratuitos para mães e bebês, com atividades que estimulam o desenvolvimento deles), a escolinha não é realmente fundamental.

Quem, como eu não tenha a safta (vovó, em Hebraico) por perto, mas ainda acha q o bebê deve receber um cuidado 1:1 nos primeiros meses, apela pra babá (ou metapelet). Aqui em Israel, a metapelet pode estar na sua casa ou na casa dela mesmo. Se for na sua casa, ela é, a priori, contratada pra cuidar do bebê, não da casa. Você pode combinar que ela cuide da roupinha dele e faça a comidinha dele enquanto ele dorme, mas não mais do que isso. Se vc quiser que ela faça qualquer outra coisa, tem que pagar a parte, o que é muito justo. O salário de uma metapelet varia, vai de 2 mil e poucos shekels (mil e poucos reais), a uns 5 mil, dependendo do número de crianças, da quantidade de horas trabalhadas por dia, e do que ela vai fazer na sua casa e pro bebê.

Dá também para deixar o bebê na casa da babá, se ela preferir e se você concordar (e ainda por cima achar estranho ter alguém enfiado na tua casa o dia todo). Essa é uma ótima alternativa também, desde que a babá escolhida seja uma pessoa de extrema confiança e que tenha indicações. Nas duas opções, vale combinar todos os detalhes, os horários, o que pode e o que não pode fazer com o bebê e em geral, principalmente se for na casa dela, porque a gente tende a se sentir menos à vontade e não fala desde o início, ai acontecem coisas que te desagradam, mas você acaba não falando nada. Por exemplo: Você combina com a babá o período de 9 às 16. Estando na casa dela, você até imagina que tudo bem ela fazer o almoço e comer enquanto o bebê dorme. Isso é normal, isso é aceitável. Porém, chegar na casa da babá e encontrar o teu filho, que já engatinha, preso no carrinho (sempre detestei carrinho dentro de casa, criança tem que ficar livre, aqui o carrinho fica do lado de fora, meu filho nunca ficou sentado no carrinho em casa), na cozinha com ela, enquanto ela limpa a casa com litros e litros de água sanitária. Isso não é OK!!!! Não é OK porque você não paga a babá pra limpar a casa dela quando poderia estar brincando, passeando ou cuidando do teu bebê e é menos OK ainda porque manter um bebê num ambiente fechado com cheiro de água sanitária é perigoso. Então, aprenda comigo: Combine tudo, escreva, converse, pergunte, teste. Não tome como certo que a babá vai pensar como você e querer o melhor pro teu filho. Talvez o melhor dela não seja tão bom assim. E fale tudo que te incomodar, desde sempre, pras reclamações não se acumularem e tudo ficar pior. E isso vale para babás israelenses, russas, brasileiras, argentinas, filipinas...

Os pais que não têm condições de ter uma metapelet, podem contar com uma outra opção: Algumas mães de bebês que podem ficar mais meses em casa mas que desejam aumentar a renda familiar, pegam mais um bebê pra cuidar junto com o seu. De novo, é uma ótima alternativa se você conhecer essa mãe, ou tiver muitas e excelentes indicações dela. E de novo, combine TUDO.

Há outras pessoas que resolvem cuidar de 3 a 4 bebês em suas casas. A isso se dá ao nome de mishpachton . Eu não sei dizer se há algum regulamento ou fiscalização para os mishpachtonim (plural de mishpachton), ou se quem quiser abre o seu e pronto. Já ouvi histórias horripilantes sobre eles, da cuidadora que espanca criança, de comida de pouca qualidade, de crianças jogadas em frente à TV o dia todo. Por outro lado, já ouvi falar de cuidadoras cuidadosas (há!) e carinhosas, lugares limpinhos e próprios pros pequenos, enfim, é a opção pra quem não quer ainda colocar o seu filho numa creche com muitos bebês.

As creches (ou ganim) aqui podem ser públicas ou privadas. Geralmente, as públicas, as gratuitas, começam aos 3 anos de idade da criança. Antes disso, há creches de entidades beneficentes que têm um bom desconto na mensalidade. Para isso, a mãe tem que provar q a renda familiar é mais baixa e o desconto é dado de acordo a isso. Esses ganim são muito concorridos não só por esse fator econômico, mas pela qualidade nos cuidados com as crianças (segundo contam). 

Nós pagamos pro Uri o equivalente a 1250 reais, pro período de 7 às 4 (se quiséssemos até às 5 seria 50 reais mais caro) de domingo à quinta e 7 às 12 às sextas feiras. Nesse preço estão incluídas 3 "refeições" - café da manhã (que pra gente seria mais um lanche da manhã, porque é "tarde", 9 e pouco, e ele toma café da manhã em casa), almoço e um lanchinho à tarde (não considero refeição porque ele sempre chega em casa morrendo de fome), algumas aulinhas extras por semana (yoga e esporte para crianças pequenas e musicalização) e só. Fraldas, lenços umedecidos, creme pra assadura, leite artificial (se for o caso) são mandados pelos pais.

Há ganim bons e ruins, como em todo lugar, eu acredito. Os espaços podem ser grandes, arejados e arrumados, mas também pequenos e bagunçados. Há ganim com camêras que filmam tudo e os pais podem ver os filhos pela internet, há ganim que mandam fotos pros pais das atividades dos pequenos com uma certa frequência, há ganim onde tudo é uma bagunça. Tem que saber procurar e acima de tudo, ter recomendações de gente conhecida.

Ainda pra essa faixa etária (até os 3 anos), há ganim religiosos, russos, bilingues (inglês e hebraico). Esses ganim têm uma certa fiscalização do governo, mas não são administrados por ele. A partir dos 3 anos, a criança vai pro gan trom-trom hová ("creche pré-pré obrigatória") e aí sim é o governo que manda e fiscaliza, há um planejamento a ser seguido, que é igual para todos e ele é Hebraico. Mesmo se a criança for para o gan onde só se falava russo até essa idade, ela terá que ir ao gan hová "nacional" quando for a hora. Esse gan é gratuito e funciona até às 13 ou 14 horas. Se os pais precisam que a criança fique até o final da tarde, pagam pelo tza'aron (falo dele aqui embaixo).

Aos 6 anos eles começam a escola, que é pública também (há escolas particulares, mas elas são as bilingues, as internacionais, enfim, as "especiais"). No ensino fundamental (até a 5a série de quando nós estudávamos - já me perdi com as mudanças na nomeclatura no Brasil ) as crianças estudam só na parte da manhã e um ou outro dia saem um pouco mais tarde.

Pras mães que trabalham e não têm onde deixar os filhos (maiores) na parte da tarde, há os tza'aronim, tanto nas escolas quanto fora delas. São lugares onde as crianças almoçam, passam a tarde, têm ajuda pra lição de casa, às vezes atividades como pintura, artesanato e brincadeiras dirigidas.

A minha opinião sobre o sistema, baseado no que vivemos até agora com o Uri (1 metapelet e 2 ganim particulares) ? Talvez por falta de sorte, talvez por exigência minha (confesso, sou chata), mas não estou satisfeita. com a metapelet, além de outros problemas que não têm a ver com ela (era longe demais), faltou comunicação no começo, faltou pontuar muitas coisas e eu acabei não falando de coisas que me incomodavam desde o começo, fui deixando passar e depois elas ficaram insustentáveis pra gente.

O primeiro gan que ele foi era longe demais (20 minutos pra ir, 20 pra voltar, mais os minutos que passávamos lá, quase 1 hora perdida de manhã e à tarde) e era ruim. As cuidadoras não paravam no emprego (forte indicativo de um mau local de trabalho). Eu tinha a impressão que meu filho ficava jogado no chão o dia todo, salvo quando comia ou dormia, e não era estimulado de maneira alguma. Eu não gostava das cuidadoras, não confiava. Enfim, não era bom. Ainda assim, demorou 6 meses pra eu me convencer de que o problema era o gan, não eu e a minha exigência.

Ai encontramos esse novo gan, na rua de baixo de casa, o que tranformou a nossa vida para melhor, temos muito mais qualidade de vida com o Uri, de manhã e à tarde (e até hoje eu e o marido nos perguntamos onde estávamos com a cabeça de colocar o nosso filho em dois lugares tão longes - a metapelet e o outro gan). Eu gosto muito de duas das 3 cuidadoras fixas, são mais velhas, são mães e se preocupam pra valer com o bem-estar das crianças. A terceira cuidadora é a dona do gan e responsável pela parte "pedagógica". Eu gosto dela, acho que ela faz um trabalho legal com as crianças, mas já a peguei gritando, o que eu não gosto. Fora que às vezes eu sinto que ela é um pouco falsa, fala as coisas que eu quero ouvir. Uma coisa que me incomoda bastante é às vezes chegar e a filha da dona (uma pirralha de 22 anos antipaticíssima e sem o menor appeal com as crianças) estar cuidando deles porque as outras cuidadoras já não estão. A comida é OK, mas o cardápio não varia muito e o pior, na minha opinião, é que oferecem doces pras crianças, pão com chocolate no lanche, Bamba e balas nas festinhas. Isso vai muito contra o que eu e o marido queremos e ensinamos ao Uri, mas recentemente, vendo meu filho deixar um bombom derreter na mão por falta de interesse e se acabar de gritar porque acabou o melão cortadinho no potinho dele, percebi que o nosso trabalho está feito, meu filho pode até comer um doce ou outro na creche (mesmo com toda a minha indignação com isso), mas só de não termos porcarias em casa - pelo menos não ao alcance dele - e ele vendo muitas coisas saudáveis por aqui, já adaptou o paladar. 



Além disso, eu percebo que o Uri aprende bastante coisa no gan, tanto no convívio social - guardar os brinquedos, aprender a dividir, a escutar comandos (como o de sentar e escutar) como músicas e palavras em Hebraico (coisa que não aprende em casa). Um dia, do nada, o vejo cantando musiquinhas em Hebraico, fazendo gestos, e percebo que ele tem sim um mundo "dele", longe dessa casa e da nossa influência.

De qualquer forma, pelo q eu ouço por aqui, apesar de diferente, o ensino em Israel é bom. Quer dizer, se compararmos às melhores escolas particulares do Brasil, claro que ele sai perdendo, mas sendo o ensino fundamental público, ele é bastante razoável. Quanto às creches, eu sinto sim falta de uma boa creche particular pro Uri, dessas ueq eu vejo nos blogs por ai. Aqui o negócio é diferente, não tem tanto capricho, mas como eu sei que me dedicaria à educação dele em casa de qualquer maneira, me forço a não ficar me lamuriando e não tentando comparar muito. 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Das coisas boas de Israel - Tahine (ou tchina)

Os árabes e o resto do mundo a chamam de tahine. Nós aqui em Israel a chamamos de tchina - o "ch" tem som de "rr" aspirado e a sílaba tônica é a 1a, mais ou menos assim: t-rrí-na.

Tchina é uma pasta de gergelim q além de ser super gostosa, é versátil e nutritiva.Rico em cálcio e sem glúten, ele pode ser consumido por pessoas com alergia ao leite, intolerância à lactose e celíacos. O gergelim é o único ingrediente da tchina, e como ele contém uma grande quantidade de óleo - cerca de 50% do peso da semente, mais do que a soja e as nozes - depois de trituradas, as sementes transformam-se numa pasta oleosa, densa, de cor bege, riquíssima em sabor e com inúmeros usos na cozinha.


Em qualquer mo mercado, a gente compra um pote de tchina pastosa, como esse ao lado, q geralmente mostra bem a quantidade de óleo que o gergelim tem - uma pasta bege escura assenta, enquanto uma parte de óleo fica por cima. ah, e podemos encontrar tchina preparada com gergelim "normal" ou com gergelim integral. O gosto, pra mim, é o mesmo.

 Ai tem q preparar o molho, o q é super fácil: É só misturar a pasta com água (gelada), suco de limão, sal e outros temperos (alho, salsinha, páprica) e ir misturando aos poucos até q fique na consistência que você quiser (pode ser que você tenha que adicionar mais tchina ou mais água até dar o ponto certinho).

 Esse molho fica gostoso em saladas, em cima de uma beringela ou pimentão assados (adoro), em cima de kibe (de bandeija ou frito), como um dip pra mergulhar palitos de cenoura, pimentão, pepino, e claro, aompanhando outros pratos típicos dessas bandas, como o hummus, o falafel e o schwarma (falarei deles um dia).

 Tem gente q adiciona a tchina em bolos e tortas (eu nunca fiz) e por ser um alimento muito nutritivo, as crianças o comem desde bem cedo. Na primeira creche que meu filho frequentou, batiam tchina com as papinhas de frutas dos bebês (fica bom, eu já experimentei).

Enfim, essa é uma das minhas aquisições gastronômicas nessa terra. É fácil de preparar, é gostosa e é nutritiva.

 Não tem tchina onde você mora? Ou tem e é muito caro? Nesse blog tem uma receita e outras curiosidades sobre ela.

 Aqui, um video bem antigo q eu e meu marido fizemos pra ensinar a minha irmã a preparar o molho de tchina.