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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva - Laços de família

Minhas primas moraram fora do Brasil quase que desde sempre e nós passamos anos da nossa infância e adolescência trocando cartas, postais, cartões e bilhetinhos entre a gente. A nossa maior alegria era quando alguém ia ou vinha de onde eles estavam (Recife, Fortaleza, Bolivia, Honduras, Espanha) e trazia pacotes e mais pacotes de cartas e fotos, que tinham sido escritas durante semanas, contando como ia a vida delas, como estava a escola, as primeiras paixões, as viagens que elas faziam e etc.

Essa era a nossa única forma de comunicação, ligações internacionais eram caras e só eram feitas nos aniversários e outras datas especiais. Às vezes chegavam também fitas de vídeo com as aventuras da família, às quais nós (eu e minha irmã mais nova) assistíamos muitas e muitas vezes. Outras vezes eram fitas cassete, com os hits em Espanhol do momento, com falas e propagandas de rádio mal gravadas, e tudo era motivo de festa para gente, tudo era visto como a possibilidade de estarmos perto, mesmo que tão longe. 

Além da gente, eu me lembro do meu avô carregando as fotos dos netos "estrangeiros" pra cima e pra baixo, mostrando pra todos os amigos na padaria e na lotérica, contando orgulhoso do que via quando ia visitá-los, esperando ansioso por um fax do meu tio (que quase sempre dava problema, chegava cortado, a tinta acabava, mas era o ápice da modernidade no começo dos anos 90).

********************

Vinte anos depois, hoje eu me vejo longe do meu país, criando meu filho longe da família. E isso é triste. Eu vejo o tempo passando e a minha mãe perdendo os pequenos momentos do dia-a-dia da vida do neto, as gracinhas, as palavras novas, os abraços e os beijos melados que só uma criança de um ano e meio sabe dar. 

Quando decidi me mudar para Israel, filhos, apesar de estarem nos planos e nos sonhos, ficavam longe da minha realidade. Quando eu me vi grávida e sem ninguém para me acompanhar nos ultrassons, sem ninguém pra fazer compras comigo, percebi que quando da minha vinda, essas pequenas alegrias não estavam na minha cabeça e que hoje elas são importantes sim.

Mas não fico me lamuriando, eu fiz as minhas escolhas e não me arrependo delas, e como não há maneira de termos tudo na vida, vamos levando e tirando o melhor de todas as situações. Não tendo outra alternativa, fico felizes com que temos. 

E graças às maravilhas da modernidade e da tecnologia, hoje temos muito mais recursos do que apenas fitas de vídeo ou cartas escritas à mão!!

Eu sempre adorei registrar todos os momentos da gravidez e chegada do Uri para que ele um dia possa ver como foi querido desde sempre, como as pessoas vibravam com a vinda e a vida dele. Comecei um blog e nele contei (e conto) com detalhes sobre tudo o que aconteceu desde que ele foi concebido, para que todos, mesmo de longe, possam acompanhá-lo e expressar seu carinho por ele. Um dia quero imprimir os posts do blog e dar pra ele de presente. 

Colecionei todos os emails, mensagens, cartões, recados e comentários no facebook desde o dia em que descobri a gravidez e colei tudo em um caderno decorado. São fotos de US, poemas escrito pela bisavó, mensagens de amigos. Me deu muito trabalho fazer isso, mas foi uma forma legal de registrar esses momentos pra mim e pra ele, tenho certeza de que um dia ele vai gostar de ver o carinho de pessoas de longe para com ele. Eu mesma peguei o caderno outro dia e me emocionei com a expectativa de todo mundo, realmente, é uma delícia recordar esses momentos. Hoje em dia eu guardo mensagens e cartões em datas especiais, como o primeiro aniversário, não dá mais para salvar, imprimir, recortar e colar todos os recadinhos!






Fora isso, eu coloco muitas fotos e muitas atualizações da nossa vida no facebook, maldito e bendito facebook! Eu às vezes sinto que me exponho demais, mas essa é a maneira da família de longe acompanhar o que acontece por aqui.

Eu tenho uma irmã no Brasil e outra que trabalha num navio e cada dia está num lugar. Tenho primas nos Estados Unidos, no Brasil e na Espanha (as das cartas), que por sua vez têm filhas, que são as únicas priminhas do Uri. Meu marido tem família no Uruguai, um irmão em Israel, outro na República Dominicana e outra em Cuba. Fora os amigos... Ou seja, o Uri tem tios espalhados por todo canto e para que eles possam estar a par do q acontece na nossa vida, o facebook é uma maravilha.

Tem também o Skype e vira e mexe tem algum tio vendo o Uri comer, brincar e fazer gracinhas. No começo ele não entendia e ficava mudo, hoje em dia ele interage, "conversa", manda beijos e faz tchau. O iphone também me deixa mandar fotos, vídeos e mensagens instantâneas pra muita gente, contar os detalhes mais (in)significantes e nos aproxima muito da família e dos amigos de longe.

A minha mãe não é uma pessoa nada tecnológica, não tem e nem sabe usar um computador, então ela conta com a boa vontade do meu tio e das minhas irmãs para ver fotos e videos do neto e para promover conversas no Skype quando dá. 

Hoje em dia, as ligações internacionais são muito mais baratas (além das que podem ser feitas gratuitamente no computador ou smartphones, como no Viber ou FaceTime), um minuto para o Brasil pode ser mais barato do que um minuto dentro de Israel mesmo. Eu ainda tenho mais sorte, pois minha conta de telefone é paga pela empresa. Eu não abuso, mas sei que posso ligar sem custo algum para quem eu quiser (e a empresa sabe disso, antes que me chamem de aproveitadora). A nova onda do Uri é pegar o telefone e "conversar" com quem está do outro lado. Tirando o "auô" e o "taaaau... byyeee", não se entende muito o q ele diz (mas minha mãe deve achar que é Hebraico fluente), mas ele faz a alegria de muita gente. 

Não falo tanto quanto gostaria com a minha família porque todos são ocupados e o fuso horário atrapalha muito, mas entre mensagens no facebook, um comentário numa foto, uma ligação no Skype e outra no telefone, todos nos comunicamos minimamente bem.

Outra coisa que nós usamos muito por aqui são fotos. Eu gosto muito de porta-retratos, minha casa está cheia deles e nós sempre mostramos fotos pro Uri, ensinamos quam é quem e aos poucos ele vai "convivendo" com a família, nem que seja a estática, conversa com eles, aponta, ri, dá beijos.


As portas de entrada em Israel são de ferro, sempre, por motivos de segurança e como uma maneira de segurar o fogo no caso de um incêndio. Assim, temos um grande painel de ímãs à nossa disposição. Quando o Uri começou a engatinhar, coloquei ímã em uma foto da minha mãe e em uma da minha irmã e o ensinei quem era a vovó e quem era a titia. Ele aprendeu a reconhecê-las e era só falar em uma delas que ele apontava pra porta, desde uns 9 meses. E de vez em quando a gente o pega dando uns beijos nas duas... Meu objetivo era aos poucos encher a porta de fotos, mas confesso que deixei passar.

Em janeiro vamos pela primeira vez ao Brasil, eu e ele. Acho que como ele já vai estar perto dos dois anos, vai entender melhor, se socializar, formar laços com a parte da família que está lá, e a gente vai fortalecê-los na volta. Em junho passado fomos à Espanha visitar as minhas primas e até hoje ele "fala" delas. 

E assim vamos levando... Sempre morrendo de saudades, às vezes com o coração apertado, mas sempre fazendo possível para estarmos "juntos". 



Quer saber como outras expatriadas garantem o convívio dos pequenos com as famílias? Clica aqui!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Coisas que só vi em Israel

Cada país tem suas peculiaridades, cada povo tem suas manias e quando chegamos a um lugar novo estranhamos o que não nos é comum, chegamos a achar um absurdo, coisa de gente doida, mas depois de um tempo nos acostumamos, entendemos e às vezes até adquirimos os costumes, adaptamos aos nossos e tudo fica bem.

Quer saber de algumas coisas que "assustaram" os brasileiros que chegaram à Terra Santa (inclusive eu mesma)? Vem comigo!

1. Comer salada no café da manhã - Comem pepino, comem tomate, pimentão, cebola, azeitona. Não são todos nem todos os dias, muita gente só come salada aos finais de semana, quando há mais tempo para preparar, ou quando saem pra tomar café da manhã fora. Aqui em casa nós comemos todo dia - pepino + tomate cereja + pimentão, picadinhos, com sal, azeite e 2 colheres de queijo cottage. Ah, pra constar - come-se pão também e toma-se café, mas esse café é diferente... 

2. Café é Nescafé, com leite (eles chamam carinhosamente de Nes). Tem uns que tomam café turco, ou café "botz" (lama), que é um café não coado, o pó fica no fundo da xícara. Eu particularmente não entendo a graça de sujar os dentes com café, mas muita gente gosta. Café filtrado é extremamente raro, temos algumas marcas nos supermercados, são caras e não têm o mesmo gosto que o nosso cafezinho tem. A gente aqui em casa não abre mão do café de filtro e "importa" por todas as pessoas que chegam do Brasil e se oferecem a trazer algo. 


kumkum
3. Ainda sobre café, todas as casas tem uma chaleira elétrica (kettle em Inglês, kumkum em Hebraico - adoro essa palavra). É só colocar água, apertar um botão e em poucos minutos a água está fervendo para o café, o chá, pra cozinhar o macarrão e etc. Esse é um eletrodoméstico bem comum na Europa, mas no Brasil ainda é pouquíssimo usado. É uma maravilha, ajuda muito. Tem também uma outra "máquina" de água, que nada mais é do que um mega filtro, aperta um botão e sai fria , aperta outro e sai água fervendo pro café (eliminando o uso da kumkum). 



essa é que nós temos. Foi cara, pagamos em muitas prestações,
mas nunca mais precisamos carregar garrafas de água mineral do super

4. O interruptor de luz dos banheiros (e só dos banheiros) fica do lado de fora, tem que acender antes de entrar. Provavelmente deve ser pra evitar problemas da eletricidade em contacto com a umidade. Ainda no assunto banheiro, nas portas há uma um quadrado de vidro, assim quem tá de fora pode ver se o banheiro está ocupado (com a luz acesa) sem que ninguém tenha q gritar "tem geeeente". 



5. E mais sobre os banheiros - nas casas mais antigas e mais simples, não há uma divisão entre a área onde se toma banho e o resto do banheiro. Explico: Não há box (dá pra colocar uma cortininha) e às vezes não há nem um desnível entre a área do chuveiro e a da prvada, espelho, etc. Ou seja, tomou banho, alagou o Oriente Médio. Então nesses banheiros sempre tem um rodo dentro, tomou banho, tem q tirar a água. É irritante, mas olhando pelo lado positivo, tem a vantagem do banheiro estar sempre limpo. 

6. Quer mais sobre banheiros? A descarga tem dois botões - um que solta menos água e outro que solta mais (e ai você saberá qual apertar para cada tipo de "uso"). Além disso, a maioria das pessoas mantémno banheiro um pacote de lenços umedecidos (desses de limpar bumbum de bebê) para uso dos adultos, o que garante uma "refrescância" maior. Recomendado!

 רכב חשמלי קלנועית  קלנוע7. Assim como temos o agalul para transportar crianças (sobre o qual eu contei aqui), temos também as motinhos dos velhinhos, o kalnoit. São motos mais confortáveis, de 1 ou 2 lugares, geralmente são movidas a eletricidade (tem que carregar toda hora) e os velhinhos que têm dificuldades motoras passeiam pela cidade toda com as suas. Eu já até presenciei a cena (fofissima) de um velhinho que pegou a sua gatinha pra dar uma volta na praia. Quer ver mais modelos? Clica aqui! 

8. Sistema de irrigação - por ser um país de clima desértico, obviamente que tudo é muito seco aqui e estaríamos fadados à fome se não fossem os engenheiros agrícolas espertinhos que desenvolveram sistemas de irrigação modernos e que garantem a água das gramas, das flores e das plantações sem precisar de ninguém regando com mangueira ou regador. Então em praticamente todo prédio, toda praça e todo jardim, tem água saindo pelo solo e muitas vezes em forma de jatos que já me causaram cenas engraçadas (ou nâo) de passar por um prédio, não perceber que o jato estava vindo em minha direção e me molhar toda. 

9. Horários de atendimento - No Brasil os bancos, correios e demais locais de atendimento ao público funcionam de 8 às 4 geralmente, né? Pois por esses lados você sempre tem que checar a que horas o lugar que você precisa ir vai estar aberto naquele dia. Tem dia na semana que eles funcionam direto das 8 às 4, tem dias que funcionam de 8 às 12, fecham e abrem novamente de 4 à 7 da noite, às sextas e véspera de feriado eles fecham mais cedo, e tem dias que não abrem (os bancos não abrem aos domingos, por exemplo). O mesmo vale para os médicos e dentistas. Muitos atendem de manhã, fazem um intervalo e voltam a atender no fim da tarde, começo da noite. É estranho, mas quando você acostuma, percebe que é prático, porque muitas vezes você não precisa perder um dia de trabalho, ou chegar mais tarde, pra poder ir tirar o passaporte, por exemplo. Eu acho inteligente.


10. Além de ônibus e trem, nós temos como meio de transporte público as moniot sherut, um tipo de van (amarela) onde viajam 10 pessoas e o motorista. Como não tem cobrado, o dinheiro é passado de um a um até chegar ao motoca. Te cutucam com a moeda e falam "Efshar le'avir?" ("Pode passar?"). Confesso - Irrita muito! E não, ninguém embolsa a grana não!

Enfim, isso foi o que veio à minha cabeça e a dos companheiros da comunidade Brasileiros em Israel do facebook. Mora aqui e estranhou mais alguma coisa que eu não lembrei? Escreve nos comentários que eu adiciono. 

É claro que temos diferenças alimentares (sobre as quais eu já falei aqui), tem as diferenças religiosas também, mas optei por não entrar nesses detalhes nesse post. Quis escrever sobre coisas cotidianas que me pareceram estranhas mas que, em 7 anos por aqui, acabei assimilando e hoje em dia acabo nem reparando mais. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"Iguarias" brasileiras em Israel

** editado, inckuindo dicas de outros brasileiros em Israel ** 

Muitos expatriados sentem falta das iguarias brasileiras, reclamam que as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá, que aqui não tem requeijão, que têm vontade de pastel, que abacaxi é caro. 

A verdade é que precisamos é parar de reclamar (ou pelo menos reclamar menos). Em primeiro lugar, muitas das coisas "típicas" brasileiras já podem ser encontradas ou adaptadas por aqui. Não temos supermercados brasileiros como os russos têm ou como os brasileiros que vivem em Miami têm, mas... 

Guaraná Antártica tem em todo canto. Uma garrafa de 1,5 litro custa mais do que uma de Coca-Cola (por volta de 11 shekels), mas ainda assim dá pra matar a vontade de vez em quando. Só precisam trazer Guaraná Light também. 

Pão de queijo dá pra fazer com a farinha de tapioca vendida nos mercados de comida oriental (tailandeses, indianos e etc) em Tel Aviv ou ainda na parte de farinhas especiais da rede Teva Market. Tem também pronto e congelado em algumas lojas de sul americanos em Kfar Saba.

No Teva também (adoro esse lugar!) dá pra encontrar feijão preto e carioca (além de feijão branco e muitos outros tipos, até feijão fradinho tem!). Quando eu vou até lá, compro bastante e sempre tenho.

Farofa a gente engana com farinha de rosca. Não fica igual, mas engana.

Strogonoff dá pra fazer com leite de coco (para os que comem kasher) ou com creme de leite de soja (da marca Alpro). Eu só faço com leite de coco e adoro. 


Requeijão tem em mercado árabe e russo. Me indicaram esse dinamarquês e apesar de ser carinho (quase 9 reais um pote), é bem parecido com o brasileiro, um pouco mais salgado. Tem também 
esse queijo de passar no pão da Tara (tem uns também chamados New York que são bons, mas são caros). 

Leite condensado é mais problemático. Dá pra encontrar, geralmente em supermercados de russos (em israelenses também tem, mas a variedade é menor), eu já comprei várias vezes, dá pra fazer sobremesas (como pudim), mas não dá ponto pro brigadeiro. Eu nunca consegui, mas me indicaram o leite condesado russo que tem uma vaquinha no rótulo azul e branco. O nome é algo parecido com MONOKO. Além disso, parece que a dica é acrescentar uma gema de ovo à receita do brigadeiro. 

Já ouvi falar de algumas pessoas que fazem pastel, coxinha e salgadinhos em geral, mas é a velha história... nunca vi, nem comi, só ouço falar que são bons. Muitos brasileiros me indicaram uma moça de Naharya q faz salgadinhos e docinho ótimos (não vou fazer a propaganda porque realmente não comi). Fora isso, a internet tá ai com receita de tudo pra gente testar de casa.

Nas minhas andanças por ai eu já encontrei bolachas e torradas Bauducco e bombom argentino que imita sonho de valsa. 

Maracujá tem plantado aos montes nos prédios do meu bairro. Pelo menos duas vezes por semana enchemos duas sacolas de supermercado, comemos, fazemos suco e congelamos para ter durante o ano. Mamão tem no Teva também (deviam me pagar pela propaganda).

Eu ainda sinto falta de algumas coisas, é verdade. O abacaxi, por exemplo, é muito caro e eu morro de medo de pagar 30 shekels em um (15 reais) e depois descobrir que ele está azedo de arrepiar a alma. 

Outra coisa que eu tenho vontade é pizza no forno a lenha. Não tem, pelo menos eu nunca vi. Já ouvi falar em algumas pizzarias em Tel Aviv (me indicaram a Tony Vespa), mas por enquanto eu me contento com as pizzas do meu marido (que é padeiro) que são muito boas. 

Não temos pão francês (pelo menos na minha opinião, baguete não é pão francês!), mas temos chalá no Shabbat (ou a semana inteira pra quem quiser) que fazem a alegria da minha semana. Eu AMO chalá doce com requeijão ou manteiga. 

Fora isso, acho que faz parte do processo de adaptação ao país e à cultura nova conhecer pratos e ingredientes novos, não ficar só reclamando do que não tem, mas adaptar o que dá e incorporar outros sabores à nossa mesa. Outro dia eu falei do silan, num próximo post eu falarei da tchina, ou tahine, como é conhecido o molho de gergelim por aí..

(Se você é brasileiro, vive em Israel e tem dicas e soluções pras nossas vontades e saudades, coloca aqui nos comentários que eu atualizo o post depois)





sexta-feira, 15 de junho de 2012

Ode to Uri



Meu filho,


Amanhã é a data prevista do seu parto. Amanhã é aquele dia que calculamos, 9 meses atrás, como sendo o dia em que você viria ao mundo, talvez um pouco antes, talvez um pouco depois, mas nosso ponto sempre foi o dia 14 de Fevereiro, Valentine's Day, o dia universal do amor.

Como sonhamos com essa data, meu amor!! Quanto tempo faltava pra ela chegar e eu e o teu pai já te amávamos tanto... Já planejávamos a tua chegada, a tua vida, a tua personalidade, a tua rotina, a tua aparência, as coisas que faremos com você. Planejamos e sonhamos esses 9 meses inteiros, sempre sabendo que na verdade, tudo vai ser muito diferente de qualquer coisa q tenha passado por nossas cabeças.

Um dia você terá a verdadeira noção desse amor infinito e inexplicável que nós sentimos por você. Afinal, é fruto do nosso amor. É a fusão do Ariel e da Luciana, e o "resultado" de tudo de melhor que há em nós. Mas você, acima de tudo, é VOCÊ, o nosso Uri, a nossa luz, nosso filho brilhante, cheio de luz, iluminado. Vai nos ensinar que não importa o que eu e o papai imaginarmos, você virá ao mundo para escrever a sua própria história, pra ser quem desejar ser.

Nós prometemos te amar e te proteger muito, a vida toda. Mas também prometemos te mostrar e te ensinar que nem tudo nessa vida é fácil e que muitas vezes, nossas maiores conquistas vêm dos nossos maiores esforços. Nos esforçaremos para criar um homem forte, responsável por seus atos e por suas palavras, fiel a seus valores e aos seus queridos.

Mas, acima de tudo, meu filho, queremos que você seja feliz. Muito feliz, cada vez mais.

Queremos que saiba q a felicidade está em valorizar o q temos e não em sonhar com o inatingível e o impossível, que pode te trazer a frustração e o desânimo. Construa o teu caminho, pedra após pedra, e saiba que nós estaremos do teu lado, segurando a tua mão e te pegando no colo, se necessário for. Entenda que muitas vezes, nosso apoio não te será óbvio e te trará revolta, mas tenha sempre em mente que nós teremos como principio somente a tua integridade, a tua felicidade e a tua segurança.

A vida não é simples, meu amor. Mas como é bom viver! Como é abençoado sentir e escrever cada etapa da nossa história, com suas partes boas e difíceis. E se você encontrar, como a mamãe encontrou, companheiros de jornada e de alma, vai ver que tudo se tornará mais fácil, mais bonito, mais feliz. Procure se aproximar de pessoas boas e eles te guiarão como anjos, a quem você chamará de amigos.

Que você tenha a inocência e o bom coração do teu pai, Uri. E que você herde a minha tenacidade e a minha força em colocar amor e intensidade em todos os meus passos.

Que você ame os animais e veja neles um amor puro e sem preços. Que você queira aprender muito, e sempre, sobre tudo, e que a curiosidade te leve por mundos e experiências fascinantes. Que encontre os mais diferentes tipos de pessoas na vida, e que elas te ensinem q ninguém é melhor do q ninguém, ninguém é mais do que ninguém.

Ame, meu filho, ame muito. Sonhe muito e nunca deixe ninguém rir dos teus sonhos. os sonhos são o ponto de partida das conquistas, acredite em mim. Chore e sofra quando necessário, mas saiba q nós viemos ao mundo para sermos felizes, e busque sempre a tua felicidade.

Há 9 meses você cresce dentro de mim, se desenvolve, se forma. E aqui fora, há 9 meses duas pessoas estão crescendo e se formando pais. Nós três estamos prontos.


Quando você quiser, é só me dar um toquinho, que eu vou lá no hospital te buscar!!

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* Ai está... o nome do Grão de Bico é Uri (que soa como Yuri, mas sem o Y). Uri é um nome hebraico que significa "minha luz", "iluminado", "brilhante". É um nome curto e forte, como eu queria, mas também suave e doce. O som de Uri se parece com Ari e tem um significado bem parecido com Luz(iana). Eu já gostava desse nome há anos, e ele estava planejado pro segundo filho, o que viesse depois de Noam. Mas, por algum motivo, o Uri virá primeiro.

Um dos motivos pelos quais eu gosto tanto desse nome é a música abaixo, da Noa, minha cantora favorita. Abaixo vai a letra e a tradução, em Inglês. (Ok, há 2 coisas na música que não combinam com o nosso Uri - o fato do menininho da música ser moreno e ter cachinhos, coisa q eu não consigo imaginar num filho meu - mas teremos a prova logo, e o fato de o Uri da música ter sido sonhado e esperado por alguém q aparentemente não podia ter filhos, o que, graças a D-us, não é o meu caso.)


Transliteração:


Ben lu hayah li
Yeled katan
Shchor taltalim venavon
Le'echoz beyado velifsoa le-at
Bishvilei hagan
Yeled katan
Uri ekra lo
Uri sheli
Rach vetsalul hashem hakatsar
Resis neharah
Leyaldi hashcharchar
Uri ekra lo
Uri ekra
Od etmarmer kerachel
Od etpalel kechanah beShiloh
(Od) Achake
Lo

Tradução:
I wish I had a son
A little boy
Bright, with black curly hair.
I would take his hand in mine
And stroll slowly, slowly
Through the garden...
Little boy.

Uri, I’d call him
My Uri!
How gentle and clear this tiny name
A glimmer of joy
For my little boy,
Uri, I’d call him
Uri, I’d call.

But I am still bitter as Rachel
I am still praying as Hannah in Shiloh,
I am still waiting for him.
I will
Wait.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Reblogando - O choque veio depois

Eu escrevi esse texto pro Mâes Internacionais há alguns meses, mas eu acho q ele combina tanto com esse blog e como eu quero tê-lo registrado nos meus arquivos, aqui vai, de novo, pra quem não leu: 

Eu vim pra Israel 3 vezes antes da vinda definitiva – em janeiro de 2000 por 1 mês, depois de setembro de 2000 a junho de 2011 morei num kibbutz e finalmente em julho de 2003 por outro mês. Amava, adorava, idolatrava esse país. Assim, quando vim de vez em agosto de 2005, eu estava realizando um sonho.
Eu achava tudo lindo, tudo legal. Como eu já falava Hebraico (ou achava que falava) desde a 1a vez que vim, pois tinha feito todos os níveis da língua na Unicamp, eu não me sentia tão perdida no meio dos israelenses, eu me virava e  viajava sozinha pra cima e pra baixo sem problema algum, mantinha conversinhas básicas, comprava o que eu precisava…
Os problemas com a língua começaram a vir meses depois, quando eu aluguei meu primeiro apartamento. O Ariel estava no exército, tudo era por minha conta (as contas e os trâmites práticos mesmo). Uma coisa é você perguntar quantos quartos tem, quanto custam o aluguel e o condomínio. Outra coisa é entender o contrato e os termos que curso nenhum te ensina. Tive que ter fé nas pessoas e acreditar que não iam me tirar do apartamento (uma kitnet minúscula)  20 dias depois e que ninguém ia sumir com o meu dinheiro (o que, de fato, não aconteceu).
O mesmo pra todos os serviços que contratei – TV a cabo (praticamente não existe TV aberta), telefone, internet. Eu ligava nas prestadoras, achava que entendia tudo, assinava, pagava o que me parecia razoável e pronto. Nunca deixei de receber o serviço, é verdade, mas anos depois eu descobri que pagava taxas e mais taxas por coisas que nunca usei (porque provavelmente me explicaram e eu concordei).
Israelense não é um povo educado e refinado por natureza. A galera aqui se exalta e se irrita por nada, levanta a voz, é grosso, é mal educado, não sabe o que é fila, passa na tua frente sem vergonha na cara. Veja bem, não é, em hipótese alguma, um povo violento. A agressão é verbal mesmo, e nunca passa disso.  Israelense simplesmente não tem muito tato e fala o que dá na telha. Povo meio bronco, sabe?
Pois eu achava LINDO. Juro, eu achava autêntico, eu achava que toda a polidez do brasileiro era falsidade e o certo mesmo é não ficar de sorrisinhos e falar o que se precisa. Quando eu não achava lindo, achava engraçado. O povo brigava na fila do supermercado? Eu me matava de rir.
Mas esse romantismo passou. Não sei se é só comigo, mas eu acho que todos os 28 anos como brasileira deixaram em mim marcas que são mais fortes do q os 6 anos em Israel.
Eu passei 1 ano e 8 meses aqui antes de ir visitar minha família no Brasil pela 1a vez. Foram 20 meses intensos, de muitas conquistas, muitas mudanças, eu praticamente não vi o tempo passar. E foram 20 meses de paixão por Israel. Sabe aqueles primeiros meses de relacionamento quando até o ronco dele você acha bonitinho? Quando até a mãe dele é gente boa? Então, assim era a minha relação com o meu novo país.
Ai eu fui pro Brasil por 1 mês. E a realidade veio como um boom na minha cara. Eu, Luciana, gostava de sorrisos, gostava de simpatia de graça (sim, é legal você dar um sorriso e um bom dia no elevador). Eu nasci e me criei assim, né? De repente me dava vontade de abraçar todo mundo, aquele que me deu passagem na rua, aquele que me ofereceu ajuda pra levantar uma caixa nem tão pesada assim no supermercado, o garçom que se desdobrou pra me atender bem. E dai que na verdade ele queria uma gorjeta legal? E daí que era falso? Essas pequenas gentilezas fazem a vida mais leve, menos carrancuda.
Nessa viagem eu também percebi que não importa quantas amigas eu faça aqui. As amigas, amigas mesmo, estão no Brasil. Aquelas que cresceram juntas comigo, aquelas de quem eu conheço a mãe, o irmão e a tia de longe. Eu nunca terei amigas assim aqui em Israel, porque simplesmente os tempos são outros, a vida é outra. Porém, nessa viagem eu percebi também que muitos dos “amigos” que eu achava ter, faziam parte daquela vida que eu tinha deixado pra traz em 2005.
Nesse mês eu lembrei o quanto é bom ter família por perto, comida da mãe, conversa com a irmã, carinho da vó. Quando a gente tá longe, sente saudades, sente falta, mas a vida se faz sem essas pessoas e você vai levando. Aí surge o reencontro e você se pergunta como consegue viver e ser feliz realmente sem eles.
Esse foi o meu breaking point. Foi ai que eu deixei de amar Israel cegamente. Eu sabia o que os dois países tinham pra me oferecer e mesmo escolhendo ficar por aqui, eu já enxergava os seus defeitos como defeitos, e não mais como piada. Eu passei a aceitar suas imperfeições como num relacionamento onde, passada a paixão inicial, ambos os lados admiram as qualidades e aceitam as coisinhas chatas.
*****
Hoje, 6 anos e 7 meses após a minha chegada, eu acho que atingi o meu ponto de equilíbrio. Eu sei que não vivo num país perfeito, mas sei que o Brasil também não é. Odeio grosseria (mesmo sendo muito grossa quando preciso – hehe), adoro uma gentileza, mas não suporto falsidade e muito menos a leviandade de muitos brasileiros que conheço (“Oh, como faço? Minha babá não concorda em dormir na minha casa TODAS AS NOITES pra que eu possa ter a opção de sair com o meu marido quando der na nossa telha”. Ah,  quem dera fossem esses os meus problemas