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quarta-feira, 13 de março de 2013

Purim

No final de fevereiro celebramos Purim aqui em Israel, o terceiro do Uri já!
Já passou há um tempinho, mas vamos registrar...

Pra quem não tem saco interesse nem tempo pra ler sobre mais um feriado judaico, aqui vai o resumo: Purim é o nosso carnaval. Pronto, pode ir lá pras fotos.

Mas pra quem quer um pouco mais de cultura, ai vai a minha adaptação e simplificação do que está explicado na Wikipedia.

Purim é um feriado judaico que comemora a salvação dos judeus persas do plano de Hamã, para exterminá-los, no antigo Império Persa, tal como está escrito no Livro de Ester, um dos livros da Bíblia. Os judeus estavam exilados na Babilônia desde a destruição do Templo de Salomão pelos babilônios e dispersão do Reino de Judá. A Babilônia, por sua vez, foi conquistada pela Pérsia.

O nome "Purim" vem da palavra hebraica "pur", que significa "sorteio". Este era o método usado por Haman, o primeiro-ministro do Rei Achashverosh da Pérsia (e o bad guy da história toda), para escolher a data na qual ele pretendia massacrar os judeus do país.

Costumes


Leitura do livro de Ester (ou Meguilat Ester), nas sinagogas, duas vezes durante o feriado.

Reco-reco: Toda vez que o nome de Haman for mencionado durante a leitura da Meguilá, faz-se barulho com o reco-reco ou outros instrumentos sonoros. Isso pra que o nome do cruel Haman não seja mais escutado. É engraçadinho ver isso numa sinagoga. Estão todos lendo o Livro de Ester compenatrados, como numa reza, e de repente começa a maior algazarra, a maior barulheira. As crianças adoram.

Fantasia: Purim é uma festa feliz e fantasiar-se é uma maneira alegre e divertida de aumentar ainda mais a alegria do milagre ocorrido.

Além disso, costuma-se distribuir comida e dinheiro aos pobres e trocar presentes (geralmente 2 tipos de coisas comestíveis - tipo bolo, chocolate, vinho, frutas secas) entre os vizinhos e os amigos e encher a cara! Sim, sim! O costume é beber tanto (os adultos, claro) até que não se perceba a diferença entre o bem e o mau!!

Em praticamente toda cidade em Israel, há um tipo de carnavalzinho de rua: As prefeituras organizam um desfile de carros alegóricos bem mais simples dos que conhecemos no Brasil, a criançada e seus pais vão pras ruas fantasiadas, há atrações como shows infantis, brinquedos tipo pula pula, algodão doce e etc. É diferente do carnaval brasileiro, muito mais "inocente" e mais simples, mas é muito alegre, principalmente pras crianças.

E também há festas nas escolinhas, nas empresas, nas boates...

Esse é um dos meus feriados favoritos, e acho que vou passar a curtí-lo cada vez mais, como mãe. Esse ano as festividades começaram na 6a feira por aqui, com uma festa no gan dele. As crianças foram fantasiadas desde cedo e às 11 da manhã os pais se juntaram para um almoço oferecido pela dona do gan e que estava uma delícia.





Are Baba!



No domingo e na segunda ele não teve creche e eu fiquei com ele em casa. No domingo teve uma festa em um shopping bem perto aqui de casa e na segunda teve outra numa escola. Em ambas, shows, stands com pintura facial, artesanato pras crianças fazerem, brinquedos infláveis e outras atrações.

O Uri curtiu muito a festinha no gan, dançou com os amigos, gostou de se fantasiar. Aos pouquinhos, as festas judaicas vão fazendo mais sentido pra ele. 



O show no shopping:




Um grupo de adolescentes que "achei" fantasiados na rua e pedi pra tirar foto :-)





Quer ver como ele foi fantasiado nos outros anos?


Em 2011, com exato 1 mês de vida, de joaninha e de padeirinho, como o papai...








Em 2012, de gatinho e de Tigrão








O pior (ou melhor) é que eu não consigo decidir em que ano ele estava mais fofo, vamos concordar...








segunda-feira, 4 de março de 2013

"Quem conhece a gaita já sabe quem está chegando..."

Publiquei esse texto semana passada no Mães Internacionais, mas essa história é tão especial na nossa vida que vale a pena registrar por aqui também!


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O Uri, meu filho que acaba de completar 2 anos, já tem uma grande paixão: o Júlio, personagem principal do Cocoricó, programa exibido pela TV Cultura.

Tamanha paixão tem um culpado: a mãe. Eu sempre gostei do programa, acho que é de uma qualidade incrível, tem humor sem ser bobo, ensina (muito) sem ser chato, não “emburrece” nem infantiliza as crianças. Assim, a mãe preocupada com o Português do pequeno israelense (e com a qualidade do que ele assiste), sempre soube que iria apresentar a turma do Paiol pra ele.

Quando ele fez um aninho, ganhou uns DVDs do Cocoricó de uma amiga brasileira aqui em Israel, cujos filhos nunca deram atenção a eles. E foi amor à primeira vista. Tão pequeno, o Uri olhava fascinado pra TV, dançava com a música de abertura e chorava quando colocávamos qualquer outro DVD, pra minha alegria e a do meu marido, que se rendeu aos encantos da turminha também.

O Júlio virou Lúlio (e continua sendo até hoje) e foi o primeiro nome que o Uri aprendeu na vida. Não foi o do pai, o da mãe ou de algum amigo da creche, foi o do Lúlio.

E aí que quase um ano depois, viajamos, eu e ele, pro Brasil. Desde que marquei a passagem, comecei a procurar na internet o calendário de shows do Cocoricó, pois queria muito levar o Uri pra conhecer os ídolos ao vivo, eu sabia que ele adoraria e me emocionava só de pensar na carinha dele quando anunciassem “Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando...”

Não achando nenhuma programação de shows, e com a data da viagem chegando, resolvi ser cara de pau e escrever pra TV Cultura. Perguntei se eles poderiam me informar quando haveria show em São Paulo ou na região de Campinas e que, no caso de não haver mais shows, perguntei se poderia ir com o Uri conhecer os estúdios do paiol (mãe, essa cara de pau!). Algumas horas depois, recebi um email muito atencioso de um funcionário, o F.(vamos manter a privacidade dele, né?), dizendo que os shows foram realmente cancelados (o contrato acabou e não foi renovado) e que ele averiguaria a possibilidade de visitarmos as gravações do programa.

Viajamos pro Brasil e com a correria toda de se viajar com um bebê sozinha por tantas horas, acabei esquecendo do Lúlio, do Cocoricó, da TV Cultura e de várias outras coisas. Mas qual não foi minha surpresa ao abrir meus emails, já em Campinas, e ver uma mensagem do F. dizendo que poderíamos sim visitar o estúdio!

O próximo passo foi descobrir como chegar lá, tanto o endereço, como o meio de transporte, pois iríamos pra São Paulo na semana seguinte, mas sem carro – e cá pra nós, São Paulo não é uma cidade muito fácil de se circular, ainda mais com bebê e sem carro.

Mas como eu tenho as melhores amigas do mundo, um esquema tático foi armado e conseguimos! Estávamos hospedados na casa de uma amiga, na zona sul da cidade. Outra amiga querida, a Fernanda, veio nos buscar e nos levou pra um shopping do outro lado da cidade, que ficava bem perto da Água Branca, onde fica a TV Cultura. Como a Fernanda tinha que trabalhar à tarde, outra amiga, a Karina, veio nos buscar nesse shopping e nos acompanhou até o paiol (e foi a melhor compania que poderiamos ter escolhido pra isso).

Como nada poderia ser tão simples assim, quando saímos do shopping, pra passar a cadeirinha de bebê do carro de uma pro da outra, descobrimos que não tínhamos anotado em qual estacionamento a Fernanda tinha deixado o dela! Sim, foi um erro primário, que nos resultou em 40 minutos de busca do carro perdido, e um pouco de aflição, pois a gravação já estaria começando, mas não perdemos o bom humor.

Outra aventura foi encontrar a TV Cultura! O GPS da Karina se perdia, andava em curvas, errava tudo. Achei um mapa da região no meu celular e conseguimos! Chegamos à Cultura às 3:30, as gravações terminariam em meia hora. Ainda tivemos que esperar a liberação do estacionamento, esperamos o F. nos encontrar e lá fomos nós!

Fomos orientadas a não tirar fotos dos bichos “mortos” (sem o manipulador) e a manter o silêncio, afinal, eles estavam gravando. Munidas de chupeta, biscoito polvilho e muita reza pra manter o Uri quietinho e não atrapalhar, sentamos atrás de um monitor. Ele até que ficou em silêncio durante a gravação da primeira cena, sem entender muito o que acontecia, já que os personagens estavam gravando numa parte que a gente não podia ver do estúdio e ele estava assistindo na “televisão”, como em casa. Mas era pedir demais que um menino tão pequeno, perto dos seus ídolos, não ficasse emocionado e não começasse a demonstrar isso. Na gravação da segunda cena ele se agitou, falou, apontou... Resolvemos esperar lá fora então.

Esperamos pouco, uns 10 minutos apenas, tempo suficiente pra conversar um pouco com o F., agradecer umas 800 vezes pela atenção e ainda, de quebra, ganhar um pacote cheinho de presentes do Cocoricó – um DVD, um jogo, um livro pra colorir, adesivos.

Logo nos chamaram de volta ao estúdio e o Uri foi recebido pelo seu amigão – O Lúlio! A emoção era tanta que ele nem reparou no Fernando Gomes, o manipulador do boneco. Ele olhava encantado, extasiado, apaixonado. Confesso que, antes de chegar, tive um pouco de medo da reação dele ao ver as pessoas manipulando os bonecos, não queria estragar a fantasia dele, mas a verdade é que ele estava tão encantado que realmente não percebeu.

Fomos recebidos com muito carinho, principalmente o Uri. Fizeram questão de conversar com ele, tirar fotos no cenário, receber e dar beijos. Na saída, a mãe aqui ainda pediu um autógrafo pro Lúlio, pra guardar pra posteridade.

Se eu já gostava do Cocoricó, hoje eu sou fã fervorosa. Aliás, não só dele, mas dos manipuladores e dos funcionários da TV Cultura. Fomos recebidos, desde o primeiro email enviado, até o porteiro dos estúdios, com uma atenção e simpatia incomparáveis. A minha fiel escudeira Karina e eu ficamos impressionadas com tanto carinho! Se nos tivessem deixado apenas conhecer o estúdio vazio, se tivessem somente tirado fotos com a gente, já teria bastado. Mas fizeram muito mais do que isso. Realizaram, com muita ternura, o sonho que um menininho nem sabia que tinha! E deixaram uma mãe extasiada... Com a sensação de que ela tem sim super poderes e que sempre vai fazer o impossível pra ver esse sorriso no rosto do filho...





E aqui vão dois videos curtinhos e cortados, mas a emoção e a surpresa eram tamanhas que ninguém raciocinava direito:





quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quem cuida do seu filho em Israel?


Esse é outro post que fez parte de uma Blogagem Coletiva do Mães Internacionais (originalmente no Grãozinho de Bico) e resolvi transferir pra cá.

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A licença maternidade paga em Israel é de míseras 14 semanas (3 meses e meio). Depois disso, se a mãe desejar, as empresas têm que aceitar que ela tire até os seis meses do bebê, mas ela não receberá mais pagamento por esse mês e meio. Após os 6 meses, fica a critério da empresa aceitar uma extensão ou não. Nem vou entrar no mérito do que é justo e o que não é, do quanto dói deixar o filho pequenininho e voltar para o trabalho e do quanto eu queria morar na Estônia, onde a licença maternidade pode chegar a 3 anos!!!

Então, chegada a hora maldita as mães têm algumas opções de cuidados pros bebês.

A comunidade russa (enorme no país), e muitos israelenses também, optam em deixar com a vovó. Na cultura russa isso é bem comum, minhas amigas do trabalho deixam os bebês com as babushkas e eu vejo um monte delas passeando com carrinhos por ai. Essa, pra mim, seria a opção ideal (tirando a de eu poder ficar em casa até o o primeiro aniversário dos meus filhos). Na minha opinião, até 1 ano de idade, o bebê não necessariamente precisa de contato com outros bebês, não precisa de muitos estímulos fora os que são dados pela mãe, se essa realmente passar um tempo de qualidade com o seu filho. Tipo aula de inglês, de música ou de sei lá o q, na minha opinião, é bobeira antes de 1 ano. Contato com outras crianças é legal, principalmente depois de uns 9, 10 meses, mas se a mãe tiver um círculo de amigas com filhos da mesma idade, se levar sempre no parquinho, se procurar atividades para bebês (no shopping na esquina de casa, tem encontros semanais e gratuitos para mães e bebês, com atividades que estimulam o desenvolvimento deles), a escolinha não é realmente fundamental.

Quem, como eu não tenha a safta (vovó, em Hebraico) por perto, mas ainda acha q o bebê deve receber um cuidado 1:1 nos primeiros meses, apela pra babá (ou metapelet). Aqui em Israel, a metapelet pode estar na sua casa ou na casa dela mesmo. Se for na sua casa, ela é, a priori, contratada pra cuidar do bebê, não da casa. Você pode combinar que ela cuide da roupinha dele e faça a comidinha dele enquanto ele dorme, mas não mais do que isso. Se vc quiser que ela faça qualquer outra coisa, tem que pagar a parte, o que é muito justo. O salário de uma metapelet varia, vai de 2 mil e poucos shekels (mil e poucos reais), a uns 5 mil, dependendo do número de crianças, da quantidade de horas trabalhadas por dia, e do que ela vai fazer na sua casa e pro bebê.

Dá também para deixar o bebê na casa da babá, se ela preferir e se você concordar (e ainda por cima achar estranho ter alguém enfiado na tua casa o dia todo). Essa é uma ótima alternativa também, desde que a babá escolhida seja uma pessoa de extrema confiança e que tenha indicações. Nas duas opções, vale combinar todos os detalhes, os horários, o que pode e o que não pode fazer com o bebê e em geral, principalmente se for na casa dela, porque a gente tende a se sentir menos à vontade e não fala desde o início, ai acontecem coisas que te desagradam, mas você acaba não falando nada. Por exemplo: Você combina com a babá o período de 9 às 16. Estando na casa dela, você até imagina que tudo bem ela fazer o almoço e comer enquanto o bebê dorme. Isso é normal, isso é aceitável. Porém, chegar na casa da babá e encontrar o teu filho, que já engatinha, preso no carrinho (sempre detestei carrinho dentro de casa, criança tem que ficar livre, aqui o carrinho fica do lado de fora, meu filho nunca ficou sentado no carrinho em casa), na cozinha com ela, enquanto ela limpa a casa com litros e litros de água sanitária. Isso não é OK!!!! Não é OK porque você não paga a babá pra limpar a casa dela quando poderia estar brincando, passeando ou cuidando do teu bebê e é menos OK ainda porque manter um bebê num ambiente fechado com cheiro de água sanitária é perigoso. Então, aprenda comigo: Combine tudo, escreva, converse, pergunte, teste. Não tome como certo que a babá vai pensar como você e querer o melhor pro teu filho. Talvez o melhor dela não seja tão bom assim. E fale tudo que te incomodar, desde sempre, pras reclamações não se acumularem e tudo ficar pior. E isso vale para babás israelenses, russas, brasileiras, argentinas, filipinas...

Os pais que não têm condições de ter uma metapelet, podem contar com uma outra opção: Algumas mães de bebês que podem ficar mais meses em casa mas que desejam aumentar a renda familiar, pegam mais um bebê pra cuidar junto com o seu. De novo, é uma ótima alternativa se você conhecer essa mãe, ou tiver muitas e excelentes indicações dela. E de novo, combine TUDO.

Há outras pessoas que resolvem cuidar de 3 a 4 bebês em suas casas. A isso se dá ao nome de mishpachton . Eu não sei dizer se há algum regulamento ou fiscalização para os mishpachtonim (plural de mishpachton), ou se quem quiser abre o seu e pronto. Já ouvi histórias horripilantes sobre eles, da cuidadora que espanca criança, de comida de pouca qualidade, de crianças jogadas em frente à TV o dia todo. Por outro lado, já ouvi falar de cuidadoras cuidadosas (há!) e carinhosas, lugares limpinhos e próprios pros pequenos, enfim, é a opção pra quem não quer ainda colocar o seu filho numa creche com muitos bebês.

As creches (ou ganim) aqui podem ser públicas ou privadas. Geralmente, as públicas, as gratuitas, começam aos 3 anos de idade da criança. Antes disso, há creches de entidades beneficentes que têm um bom desconto na mensalidade. Para isso, a mãe tem que provar q a renda familiar é mais baixa e o desconto é dado de acordo a isso. Esses ganim são muito concorridos não só por esse fator econômico, mas pela qualidade nos cuidados com as crianças (segundo contam). 

Nós pagamos pro Uri o equivalente a 1250 reais, pro período de 7 às 4 (se quiséssemos até às 5 seria 50 reais mais caro) de domingo à quinta e 7 às 12 às sextas feiras. Nesse preço estão incluídas 3 "refeições" - café da manhã (que pra gente seria mais um lanche da manhã, porque é "tarde", 9 e pouco, e ele toma café da manhã em casa), almoço e um lanchinho à tarde (não considero refeição porque ele sempre chega em casa morrendo de fome), algumas aulinhas extras por semana (yoga e esporte para crianças pequenas e musicalização) e só. Fraldas, lenços umedecidos, creme pra assadura, leite artificial (se for o caso) são mandados pelos pais.

Há ganim bons e ruins, como em todo lugar, eu acredito. Os espaços podem ser grandes, arejados e arrumados, mas também pequenos e bagunçados. Há ganim com camêras que filmam tudo e os pais podem ver os filhos pela internet, há ganim que mandam fotos pros pais das atividades dos pequenos com uma certa frequência, há ganim onde tudo é uma bagunça. Tem que saber procurar e acima de tudo, ter recomendações de gente conhecida.

Ainda pra essa faixa etária (até os 3 anos), há ganim religiosos, russos, bilingues (inglês e hebraico). Esses ganim têm uma certa fiscalização do governo, mas não são administrados por ele. A partir dos 3 anos, a criança vai pro gan trom-trom hová ("creche pré-pré obrigatória") e aí sim é o governo que manda e fiscaliza, há um planejamento a ser seguido, que é igual para todos e ele é Hebraico. Mesmo se a criança for para o gan onde só se falava russo até essa idade, ela terá que ir ao gan hová "nacional" quando for a hora. Esse gan é gratuito e funciona até às 13 ou 14 horas. Se os pais precisam que a criança fique até o final da tarde, pagam pelo tza'aron (falo dele aqui embaixo).

Aos 6 anos eles começam a escola, que é pública também (há escolas particulares, mas elas são as bilingues, as internacionais, enfim, as "especiais"). No ensino fundamental (até a 5a série de quando nós estudávamos - já me perdi com as mudanças na nomeclatura no Brasil ) as crianças estudam só na parte da manhã e um ou outro dia saem um pouco mais tarde.

Pras mães que trabalham e não têm onde deixar os filhos (maiores) na parte da tarde, há os tza'aronim, tanto nas escolas quanto fora delas. São lugares onde as crianças almoçam, passam a tarde, têm ajuda pra lição de casa, às vezes atividades como pintura, artesanato e brincadeiras dirigidas.

A minha opinião sobre o sistema, baseado no que vivemos até agora com o Uri (1 metapelet e 2 ganim particulares) ? Talvez por falta de sorte, talvez por exigência minha (confesso, sou chata), mas não estou satisfeita. com a metapelet, além de outros problemas que não têm a ver com ela (era longe demais), faltou comunicação no começo, faltou pontuar muitas coisas e eu acabei não falando de coisas que me incomodavam desde o começo, fui deixando passar e depois elas ficaram insustentáveis pra gente.

O primeiro gan que ele foi era longe demais (20 minutos pra ir, 20 pra voltar, mais os minutos que passávamos lá, quase 1 hora perdida de manhã e à tarde) e era ruim. As cuidadoras não paravam no emprego (forte indicativo de um mau local de trabalho). Eu tinha a impressão que meu filho ficava jogado no chão o dia todo, salvo quando comia ou dormia, e não era estimulado de maneira alguma. Eu não gostava das cuidadoras, não confiava. Enfim, não era bom. Ainda assim, demorou 6 meses pra eu me convencer de que o problema era o gan, não eu e a minha exigência.

Ai encontramos esse novo gan, na rua de baixo de casa, o que tranformou a nossa vida para melhor, temos muito mais qualidade de vida com o Uri, de manhã e à tarde (e até hoje eu e o marido nos perguntamos onde estávamos com a cabeça de colocar o nosso filho em dois lugares tão longes - a metapelet e o outro gan). Eu gosto muito de duas das 3 cuidadoras fixas, são mais velhas, são mães e se preocupam pra valer com o bem-estar das crianças. A terceira cuidadora é a dona do gan e responsável pela parte "pedagógica". Eu gosto dela, acho que ela faz um trabalho legal com as crianças, mas já a peguei gritando, o que eu não gosto. Fora que às vezes eu sinto que ela é um pouco falsa, fala as coisas que eu quero ouvir. Uma coisa que me incomoda bastante é às vezes chegar e a filha da dona (uma pirralha de 22 anos antipaticíssima e sem o menor appeal com as crianças) estar cuidando deles porque as outras cuidadoras já não estão. A comida é OK, mas o cardápio não varia muito e o pior, na minha opinião, é que oferecem doces pras crianças, pão com chocolate no lanche, Bamba e balas nas festinhas. Isso vai muito contra o que eu e o marido queremos e ensinamos ao Uri, mas recentemente, vendo meu filho deixar um bombom derreter na mão por falta de interesse e se acabar de gritar porque acabou o melão cortadinho no potinho dele, percebi que o nosso trabalho está feito, meu filho pode até comer um doce ou outro na creche (mesmo com toda a minha indignação com isso), mas só de não termos porcarias em casa - pelo menos não ao alcance dele - e ele vendo muitas coisas saudáveis por aqui, já adaptou o paladar. 



Além disso, eu percebo que o Uri aprende bastante coisa no gan, tanto no convívio social - guardar os brinquedos, aprender a dividir, a escutar comandos (como o de sentar e escutar) como músicas e palavras em Hebraico (coisa que não aprende em casa). Um dia, do nada, o vejo cantando musiquinhas em Hebraico, fazendo gestos, e percebo que ele tem sim um mundo "dele", longe dessa casa e da nossa influência.

De qualquer forma, pelo q eu ouço por aqui, apesar de diferente, o ensino em Israel é bom. Quer dizer, se compararmos às melhores escolas particulares do Brasil, claro que ele sai perdendo, mas sendo o ensino fundamental público, ele é bastante razoável. Quanto às creches, eu sinto sim falta de uma boa creche particular pro Uri, dessas ueq eu vejo nos blogs por ai. Aqui o negócio é diferente, não tem tanto capricho, mas como eu sei que me dedicaria à educação dele em casa de qualquer maneira, me forço a não ficar me lamuriando e não tentando comparar muito. 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O parquinho dos bebês

Eu tinha proposto mostrar alguns parques daqui de Israel, mas depois do Sportek, acabei não mostrando mais nenhum.

Mas me redimo e mostro hoje outro parque que fica bem pertinho daqui de casa, ao qual nós vamos bastante. Eu e o meu marido o chamamos de "parquinho dos bebês", ou "parque dos prédios" (porque ele fica entre 2 prédios, parece até o playground particular deles). 

"Parquinho dos bebês" porque realmente ele é o mais propício para crianças menores. O chão é de grama artificial, os brinquedos são mais baixos e mais adaptados aos pequenos engatinhantes e recém-andantes e como ele fica numa área menor e mais fechada, é menos atrativa a crianças maiores andando de bicicleta, coisa que me deixa bem nervosa em outros parques, porque meu filho ainda não se dá conta e anda pra lá e pra cá sem prestar atenção ao movimento e muitas vezes as próprias crianças de bicicleta (patins, patinete e afins) são pequenas e não tomam cuidado com os pequenos pelo caminho. Então nesse parque eu fico mais tranquila quanto a isso. 

Além disso, o parque tem uma cobertura legal, o que garante menos sol no longo verão insuportavelmente quente dessa terra. Por outro lado, essa cobertura não tem iluminação e agora no outono e no inverno, quando o dia é mais curto, o parque fica escuro bem cedo, o que é um ponto negativo dele.

Outra coisa que nos incomoda muito é a falta de cidadania e de respeito de alguns (ou muitos) frequentadores do parque, que sujam o chão todo com casquinha de semente de girassol (mania nacional), pacotes de salgadinho, bitucas de cigarros e até fraldas sujas!!! A prefeitura limpa sempre os parques, mas já aconteceu de chegarmos, nos depararmos com a catástrofe e a sujeira e darmos meia volta... Não consigo entender como, em primeiro lugar, alguns pais fumem tão perto de crianças. Se nós estamos em algum parquinho e vem alguém fumar perto dos brinquedos, pedimos pra se afastar. Eu acho que é nosso direito, e principalmente das crianças (e dane-se se acharem ruim). Além disso, esse é um (dos muitos) parques tão bonitos, tão planejados e tão curtidos por aqui, tanta gente no Brasil gostaria de poder levar os filhos num lugar tão legal e tão perto de casa, por que, por quê, meu D-us, não valorizar e não ajudar a cuidar? Juro, eu não entendo.

Mas enfim, nós levamos o nosso filho nesse parque desde os 7, 8 meses de idade, quando ele só engatinhava a gente muitas vezes o deixava solto pelo chão, junto com outros bebês. Hoje em dia ele corre e sobe em tudo e a gente fica por perto garantindo que ele não vá cair de algum brinquedo mais alto. 

Agora as fotos...

Tem uma área meio separada com algumas "estátuas" de bichos pras crianças subirem:




A parte dos brinquedos, coberta








jogo da velha!




domingo, 7 de outubro de 2012

Festa das Nações & outros eventos em Sukkot

No post anterior eu comentei que durante a semana de Sukkot as crianças têm férias nas escolas e há uma grande variedade de atividades e eventos para elas e para as famílias nesse período no país inteiro.

Esse ano aproveitamos esses eventos um pouquinho, já que o Uri já está maior e curtindo mais e podendo sair um pouco da sua rotina de estar na cama antes das 7:40 da noite.

Então na 3a passada eu o levei a um showzinho em um centro comercial aqui na esquina de casa. Era um evento de um dos quatro planos de saúde do país que aconteceu durante a semana toda, cada dia era uma atividade diferente para as crianças, tudo de graça, bem legal.

Nesse dia tinha um show de uma "palhaça" (ela se entitulava palhaça, mas esqueceu de pôr a fantasia), umas pessoas de perna de pau e um teatrinho de bonecos. Nós encontramos 2 amiguinhas do Uri da escola e foi uma tarde diferente e engraçadinha (mas nada de mais). Ele correu e se divertiu e é o que importa.







Dai no dia seguinte fomos numa festa maior, promovida pela prefeitura, em um parque lindo daqui de Netanya (preciso voltar lá de dia e tirar umas fotos pra colocar aqui, já tinhamos ido umas vezes, mas não chegamos a ver 1/3 dele).

Eu já tinha visto propaganda dessa festa no ano passado, mas não fomos porque ele era bem pequeno, então esse ano eu insisti para que fóssemos e foi muito legal!

Pela propaganda (que eu li errado) era uma "Festa das Nações". Eu imaginei as festas desse tipo que eu ia no Brasil, barraquinhas de comidas típicas, shows de dança e pronto. Sempre gostei desse tipo de festa (call me tacky), achei que seria algo do mesmo estilo.

Mas não era. Era uma festa sobre as comunidades judaicas ao redor do mundo (na Diáspora) e sobre a chegada deles em Israel.

Logo que chegamos percebemos que estava tudo super bem montado, super arrumado. Havia vários stands de várias entidades judaicas aqui em Israel e em outros lugares do mundo, muitas coisas interativas, jogos para crianças de várias idades, exposições, shows para crianças e adultos. Tinha várias apresentações de crianças dançando, principalmente em inglês e em russo. Ah, e uma sukká enorme, com decorações típicas de um monte de países, mas não conseguimos entrar porque a fila estava enorme e o nosso filho ficou impaciente.

As barracas de comidas típicas deixaram a desejar, eu acho que a prefeitura poderia ter reunido as comunidades presentes na cidade e incentivado um maior número de barraquinhas. Mas ok, tinha os básicos - hamburguer e hot dog, batata frita, comida chinesa, crepe francês, pizza, pipoca, refrigerante.

Uma coisa que eu (a eterna teacher) adorei foi que logo na entrada ganhamos um "passaporte" de papel, com bandeiras, perguntas e lacunas para preencher. Eu achei que era alguma coisa pra responder em casa e logo enfiei no bolso do carrinho do bebê. Mais tarde eu e o meu marido percebemos que aquilo na verdade era um jogo para crianças maiores, que precisavam passar pelos stands e cartazes de vários países, participar de uma atividade em cada um deles e depois preencher os dados que eram pedidos no passaporte, e ai ganhavam um carimbo da "alfândega". Achei muito legal essa idéia de ensinar judaísmo, história judaica e geografia fora da sala de aula. Ponto pra prefeita de Netanya!

o "passaporte"

As placas com informações sobre as comunidades judaicas em diversos países e algumas atividades:




                                               
                                                           as crianças super participando - achei demais!

Enfim, nos divertimos muito, a família inteira. A única pena é que com o término do horário de verão, escureceu bem rápido e logo voltamos para casa, aproveitando menos do que gostaríamos. Esse tipo de festa, para mim, seria programa para um sábado inteiro, aproveitando as atividades, vendo tudo com calma e aprendendo várias coisas. Ah, e as fotos e as gravações em vídeo ficaram ruins, mas dá pra ter uma idéia.






"vou dar um pulinho no Brasil e já volto"


Uma atividade que mostrava quantos judeus há em muitos países do mundo: 





Esse era o stand do Birthright, uma entidade que tem como objetivo ajudar a trazer jovens judeus a Israel por 10-15 dias a preços bem simbólicos (ou de graça em alguma países). Segundo eles, todo judeu tem direito a vir conhecer Israel, um direito de nascença (birth right). Eles já promovem essas viagens há 13 anos e trouxeram centenas de milhares de jovens de todo o mundo pra cá. Meu marido e eu fizemos esse programa. Eu, inclusive, vim no primeiro grupo que saiu do Brasil!



E criancinhas russas cantando e dançando - achei fofo e se fosse meu filho eu estaria chorando.