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segunda-feira, 4 de março de 2013

"Quem conhece a gaita já sabe quem está chegando..."

Publiquei esse texto semana passada no Mães Internacionais, mas essa história é tão especial na nossa vida que vale a pena registrar por aqui também!


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O Uri, meu filho que acaba de completar 2 anos, já tem uma grande paixão: o Júlio, personagem principal do Cocoricó, programa exibido pela TV Cultura.

Tamanha paixão tem um culpado: a mãe. Eu sempre gostei do programa, acho que é de uma qualidade incrível, tem humor sem ser bobo, ensina (muito) sem ser chato, não “emburrece” nem infantiliza as crianças. Assim, a mãe preocupada com o Português do pequeno israelense (e com a qualidade do que ele assiste), sempre soube que iria apresentar a turma do Paiol pra ele.

Quando ele fez um aninho, ganhou uns DVDs do Cocoricó de uma amiga brasileira aqui em Israel, cujos filhos nunca deram atenção a eles. E foi amor à primeira vista. Tão pequeno, o Uri olhava fascinado pra TV, dançava com a música de abertura e chorava quando colocávamos qualquer outro DVD, pra minha alegria e a do meu marido, que se rendeu aos encantos da turminha também.

O Júlio virou Lúlio (e continua sendo até hoje) e foi o primeiro nome que o Uri aprendeu na vida. Não foi o do pai, o da mãe ou de algum amigo da creche, foi o do Lúlio.

E aí que quase um ano depois, viajamos, eu e ele, pro Brasil. Desde que marquei a passagem, comecei a procurar na internet o calendário de shows do Cocoricó, pois queria muito levar o Uri pra conhecer os ídolos ao vivo, eu sabia que ele adoraria e me emocionava só de pensar na carinha dele quando anunciassem “Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando...”

Não achando nenhuma programação de shows, e com a data da viagem chegando, resolvi ser cara de pau e escrever pra TV Cultura. Perguntei se eles poderiam me informar quando haveria show em São Paulo ou na região de Campinas e que, no caso de não haver mais shows, perguntei se poderia ir com o Uri conhecer os estúdios do paiol (mãe, essa cara de pau!). Algumas horas depois, recebi um email muito atencioso de um funcionário, o F.(vamos manter a privacidade dele, né?), dizendo que os shows foram realmente cancelados (o contrato acabou e não foi renovado) e que ele averiguaria a possibilidade de visitarmos as gravações do programa.

Viajamos pro Brasil e com a correria toda de se viajar com um bebê sozinha por tantas horas, acabei esquecendo do Lúlio, do Cocoricó, da TV Cultura e de várias outras coisas. Mas qual não foi minha surpresa ao abrir meus emails, já em Campinas, e ver uma mensagem do F. dizendo que poderíamos sim visitar o estúdio!

O próximo passo foi descobrir como chegar lá, tanto o endereço, como o meio de transporte, pois iríamos pra São Paulo na semana seguinte, mas sem carro – e cá pra nós, São Paulo não é uma cidade muito fácil de se circular, ainda mais com bebê e sem carro.

Mas como eu tenho as melhores amigas do mundo, um esquema tático foi armado e conseguimos! Estávamos hospedados na casa de uma amiga, na zona sul da cidade. Outra amiga querida, a Fernanda, veio nos buscar e nos levou pra um shopping do outro lado da cidade, que ficava bem perto da Água Branca, onde fica a TV Cultura. Como a Fernanda tinha que trabalhar à tarde, outra amiga, a Karina, veio nos buscar nesse shopping e nos acompanhou até o paiol (e foi a melhor compania que poderiamos ter escolhido pra isso).

Como nada poderia ser tão simples assim, quando saímos do shopping, pra passar a cadeirinha de bebê do carro de uma pro da outra, descobrimos que não tínhamos anotado em qual estacionamento a Fernanda tinha deixado o dela! Sim, foi um erro primário, que nos resultou em 40 minutos de busca do carro perdido, e um pouco de aflição, pois a gravação já estaria começando, mas não perdemos o bom humor.

Outra aventura foi encontrar a TV Cultura! O GPS da Karina se perdia, andava em curvas, errava tudo. Achei um mapa da região no meu celular e conseguimos! Chegamos à Cultura às 3:30, as gravações terminariam em meia hora. Ainda tivemos que esperar a liberação do estacionamento, esperamos o F. nos encontrar e lá fomos nós!

Fomos orientadas a não tirar fotos dos bichos “mortos” (sem o manipulador) e a manter o silêncio, afinal, eles estavam gravando. Munidas de chupeta, biscoito polvilho e muita reza pra manter o Uri quietinho e não atrapalhar, sentamos atrás de um monitor. Ele até que ficou em silêncio durante a gravação da primeira cena, sem entender muito o que acontecia, já que os personagens estavam gravando numa parte que a gente não podia ver do estúdio e ele estava assistindo na “televisão”, como em casa. Mas era pedir demais que um menino tão pequeno, perto dos seus ídolos, não ficasse emocionado e não começasse a demonstrar isso. Na gravação da segunda cena ele se agitou, falou, apontou... Resolvemos esperar lá fora então.

Esperamos pouco, uns 10 minutos apenas, tempo suficiente pra conversar um pouco com o F., agradecer umas 800 vezes pela atenção e ainda, de quebra, ganhar um pacote cheinho de presentes do Cocoricó – um DVD, um jogo, um livro pra colorir, adesivos.

Logo nos chamaram de volta ao estúdio e o Uri foi recebido pelo seu amigão – O Lúlio! A emoção era tanta que ele nem reparou no Fernando Gomes, o manipulador do boneco. Ele olhava encantado, extasiado, apaixonado. Confesso que, antes de chegar, tive um pouco de medo da reação dele ao ver as pessoas manipulando os bonecos, não queria estragar a fantasia dele, mas a verdade é que ele estava tão encantado que realmente não percebeu.

Fomos recebidos com muito carinho, principalmente o Uri. Fizeram questão de conversar com ele, tirar fotos no cenário, receber e dar beijos. Na saída, a mãe aqui ainda pediu um autógrafo pro Lúlio, pra guardar pra posteridade.

Se eu já gostava do Cocoricó, hoje eu sou fã fervorosa. Aliás, não só dele, mas dos manipuladores e dos funcionários da TV Cultura. Fomos recebidos, desde o primeiro email enviado, até o porteiro dos estúdios, com uma atenção e simpatia incomparáveis. A minha fiel escudeira Karina e eu ficamos impressionadas com tanto carinho! Se nos tivessem deixado apenas conhecer o estúdio vazio, se tivessem somente tirado fotos com a gente, já teria bastado. Mas fizeram muito mais do que isso. Realizaram, com muita ternura, o sonho que um menininho nem sabia que tinha! E deixaram uma mãe extasiada... Com a sensação de que ela tem sim super poderes e que sempre vai fazer o impossível pra ver esse sorriso no rosto do filho...





E aqui vão dois videos curtinhos e cortados, mas a emoção e a surpresa eram tamanhas que ninguém raciocinava direito:





quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva - Laços de família

Minhas primas moraram fora do Brasil quase que desde sempre e nós passamos anos da nossa infância e adolescência trocando cartas, postais, cartões e bilhetinhos entre a gente. A nossa maior alegria era quando alguém ia ou vinha de onde eles estavam (Recife, Fortaleza, Bolivia, Honduras, Espanha) e trazia pacotes e mais pacotes de cartas e fotos, que tinham sido escritas durante semanas, contando como ia a vida delas, como estava a escola, as primeiras paixões, as viagens que elas faziam e etc.

Essa era a nossa única forma de comunicação, ligações internacionais eram caras e só eram feitas nos aniversários e outras datas especiais. Às vezes chegavam também fitas de vídeo com as aventuras da família, às quais nós (eu e minha irmã mais nova) assistíamos muitas e muitas vezes. Outras vezes eram fitas cassete, com os hits em Espanhol do momento, com falas e propagandas de rádio mal gravadas, e tudo era motivo de festa para gente, tudo era visto como a possibilidade de estarmos perto, mesmo que tão longe. 

Além da gente, eu me lembro do meu avô carregando as fotos dos netos "estrangeiros" pra cima e pra baixo, mostrando pra todos os amigos na padaria e na lotérica, contando orgulhoso do que via quando ia visitá-los, esperando ansioso por um fax do meu tio (que quase sempre dava problema, chegava cortado, a tinta acabava, mas era o ápice da modernidade no começo dos anos 90).

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Vinte anos depois, hoje eu me vejo longe do meu país, criando meu filho longe da família. E isso é triste. Eu vejo o tempo passando e a minha mãe perdendo os pequenos momentos do dia-a-dia da vida do neto, as gracinhas, as palavras novas, os abraços e os beijos melados que só uma criança de um ano e meio sabe dar. 

Quando decidi me mudar para Israel, filhos, apesar de estarem nos planos e nos sonhos, ficavam longe da minha realidade. Quando eu me vi grávida e sem ninguém para me acompanhar nos ultrassons, sem ninguém pra fazer compras comigo, percebi que quando da minha vinda, essas pequenas alegrias não estavam na minha cabeça e que hoje elas são importantes sim.

Mas não fico me lamuriando, eu fiz as minhas escolhas e não me arrependo delas, e como não há maneira de termos tudo na vida, vamos levando e tirando o melhor de todas as situações. Não tendo outra alternativa, fico felizes com que temos. 

E graças às maravilhas da modernidade e da tecnologia, hoje temos muito mais recursos do que apenas fitas de vídeo ou cartas escritas à mão!!

Eu sempre adorei registrar todos os momentos da gravidez e chegada do Uri para que ele um dia possa ver como foi querido desde sempre, como as pessoas vibravam com a vinda e a vida dele. Comecei um blog e nele contei (e conto) com detalhes sobre tudo o que aconteceu desde que ele foi concebido, para que todos, mesmo de longe, possam acompanhá-lo e expressar seu carinho por ele. Um dia quero imprimir os posts do blog e dar pra ele de presente. 

Colecionei todos os emails, mensagens, cartões, recados e comentários no facebook desde o dia em que descobri a gravidez e colei tudo em um caderno decorado. São fotos de US, poemas escrito pela bisavó, mensagens de amigos. Me deu muito trabalho fazer isso, mas foi uma forma legal de registrar esses momentos pra mim e pra ele, tenho certeza de que um dia ele vai gostar de ver o carinho de pessoas de longe para com ele. Eu mesma peguei o caderno outro dia e me emocionei com a expectativa de todo mundo, realmente, é uma delícia recordar esses momentos. Hoje em dia eu guardo mensagens e cartões em datas especiais, como o primeiro aniversário, não dá mais para salvar, imprimir, recortar e colar todos os recadinhos!






Fora isso, eu coloco muitas fotos e muitas atualizações da nossa vida no facebook, maldito e bendito facebook! Eu às vezes sinto que me exponho demais, mas essa é a maneira da família de longe acompanhar o que acontece por aqui.

Eu tenho uma irmã no Brasil e outra que trabalha num navio e cada dia está num lugar. Tenho primas nos Estados Unidos, no Brasil e na Espanha (as das cartas), que por sua vez têm filhas, que são as únicas priminhas do Uri. Meu marido tem família no Uruguai, um irmão em Israel, outro na República Dominicana e outra em Cuba. Fora os amigos... Ou seja, o Uri tem tios espalhados por todo canto e para que eles possam estar a par do q acontece na nossa vida, o facebook é uma maravilha.

Tem também o Skype e vira e mexe tem algum tio vendo o Uri comer, brincar e fazer gracinhas. No começo ele não entendia e ficava mudo, hoje em dia ele interage, "conversa", manda beijos e faz tchau. O iphone também me deixa mandar fotos, vídeos e mensagens instantâneas pra muita gente, contar os detalhes mais (in)significantes e nos aproxima muito da família e dos amigos de longe.

A minha mãe não é uma pessoa nada tecnológica, não tem e nem sabe usar um computador, então ela conta com a boa vontade do meu tio e das minhas irmãs para ver fotos e videos do neto e para promover conversas no Skype quando dá. 

Hoje em dia, as ligações internacionais são muito mais baratas (além das que podem ser feitas gratuitamente no computador ou smartphones, como no Viber ou FaceTime), um minuto para o Brasil pode ser mais barato do que um minuto dentro de Israel mesmo. Eu ainda tenho mais sorte, pois minha conta de telefone é paga pela empresa. Eu não abuso, mas sei que posso ligar sem custo algum para quem eu quiser (e a empresa sabe disso, antes que me chamem de aproveitadora). A nova onda do Uri é pegar o telefone e "conversar" com quem está do outro lado. Tirando o "auô" e o "taaaau... byyeee", não se entende muito o q ele diz (mas minha mãe deve achar que é Hebraico fluente), mas ele faz a alegria de muita gente. 

Não falo tanto quanto gostaria com a minha família porque todos são ocupados e o fuso horário atrapalha muito, mas entre mensagens no facebook, um comentário numa foto, uma ligação no Skype e outra no telefone, todos nos comunicamos minimamente bem.

Outra coisa que nós usamos muito por aqui são fotos. Eu gosto muito de porta-retratos, minha casa está cheia deles e nós sempre mostramos fotos pro Uri, ensinamos quam é quem e aos poucos ele vai "convivendo" com a família, nem que seja a estática, conversa com eles, aponta, ri, dá beijos.


As portas de entrada em Israel são de ferro, sempre, por motivos de segurança e como uma maneira de segurar o fogo no caso de um incêndio. Assim, temos um grande painel de ímãs à nossa disposição. Quando o Uri começou a engatinhar, coloquei ímã em uma foto da minha mãe e em uma da minha irmã e o ensinei quem era a vovó e quem era a titia. Ele aprendeu a reconhecê-las e era só falar em uma delas que ele apontava pra porta, desde uns 9 meses. E de vez em quando a gente o pega dando uns beijos nas duas... Meu objetivo era aos poucos encher a porta de fotos, mas confesso que deixei passar.

Em janeiro vamos pela primeira vez ao Brasil, eu e ele. Acho que como ele já vai estar perto dos dois anos, vai entender melhor, se socializar, formar laços com a parte da família que está lá, e a gente vai fortalecê-los na volta. Em junho passado fomos à Espanha visitar as minhas primas e até hoje ele "fala" delas. 

E assim vamos levando... Sempre morrendo de saudades, às vezes com o coração apertado, mas sempre fazendo possível para estarmos "juntos". 



Quer saber como outras expatriadas garantem o convívio dos pequenos com as famílias? Clica aqui!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Um conto iraniano

No começo de junho nós fizemos nossa primeira grande viagem em família. No alto dos seus 15 meses, o Uri já tem passaporte, já andou de avião e já foi comer paella e visitar as priminhas na Espanha. 


Um dos meus maiores medos em viajar com uma criança tão pequena (mas que já não é um bebê que dorme o tempo todo e é facilmente distraído) era a viagem de avião, porque se ele resolvesse que não estava a fim de cooperar, não teríamos pra onde fugir sem os nossos paraquedas. Mas ele foi um príncipe em todos os vôos, colaborou, curtiu, brincou e principalmente dormiu muito.


Toda a nossa preparação e as nossas escolhas certas de horários de vôo ajudaram muito, é verdade. Uma das nossas idéias era deixar pra lá essa história de preferencial por termos um bebê de colo e entrarmos por último no vôo, assim teríamos menos tempo para entreter o pequeno entre as poltronas do avião, e mais tempo para cansar um recém bípede. 


E se na ida a gente chegou ao aeroporto aqui em Israel com 3 horas de antecedência, para fazer tudo com calma, passear no free shop, tomar um lanche e começar a curtir as férias, na volta, na tentativa de esticar a alegria por mais alguns minutos, fizemos check-in e passamos por todos os controles no último minuto, já na hora do embarque que, para nossa sorte, atrasou por uns 20 minutos. 


Tivemos um acidente com o danoninho q levávamos pro Uri e enquanto eu lavava a bolsinha termica e tudo mais que estava endanonizado, o Ariel foi cansar o pequeno. 


Depois de um tempo, meu filho, que tem a simpatia e a cara de pau do pai dele, foi avistado empurrando um carrinho de bebê pela área de embarque, ali, junto ao portão. Não era o carrinho dele, obviamente, era o da Miriam. Quando eu me aproximei, depois de limpar toda a sujeira, descobri que a Miriam era a nova amiguinha dele. 


A Miriam era uma bebê iraniana de pouco mais de um ano de idade. Pelo que o Ariel entendeu (porque homem não sabe pegar informações pra contar pra mulher depois), o pai dela havia morado em Mallorca e falava espanhol perfeitamente. Eles tinham saído do Irã e vindo para a Espanha para marcar a cirurgia cardíaca da Miriam (e claro que o Ariel não perguntou o que ela tinha). O pai viajava sozinho com a filha e mostrava ter um carinho enorme e muita paciência com ela. 


A palavra "cirurgia", acompanhada da outra "coração" tocaram a mãe aqui. Como assim um bebê tão pequenininho já tem um problema?  Como assim ela vai ter q passar por uma cirurgia?


Eles entraram no vôo antes da gente (o pai da Miriam, apesar de carinhoso, não foi astuto pra deixá-la cansar um pouco mais lá fora) e se sentaram no banco ao lado, mas numa fileira mais atrás. 


O Uri entrou no avião, tomou uma mamadeira e dormiu, acabando com todos os planos dos dois pais de colocarem os dois para brincar. O pai da Miriam pediu ajuda ao Ariel pra arrumar uma caminha pra ela com cobertores do avião. E a Miriam chorou. A Miriam resolveu que chorar era o q ela ia fazer naquele avião. O pai achou que era sono e que tinha que fazer a filha dormir. 


Eu não sei como a mãe da Miriam a fazia dormir, não sei se o pai sabia tão pouco, mas sei que a Miriam não estava achando legal ser sacudida pelo pai e chorava mais e mais. O Ariel olhava pro seu novo amigo, oferecendo ajuda, mas eu aconselhei a parar porque o cara poderia se ofender, achar que pensávamos que ele não sabia cuidar da filha. Falei pro Ariel que criança é assim mesmo, que poderia ser o Uri e que ainda bem que não era, ent'ao eu ia aproveitar e dormir. Até cochilei, mas acordei com o choro da Miriam.


Imaginei que o avião inteiro estava incomodado com os gritos, mas pensei muito mais no pai. Cansado, preocupado com a cirurgia da filha, frustrado por não conseguir acalmá-la, pensando por que diabos não mandou a mulher com a menina e ficou com o resto da família, e com vergonha dos outros passageiros, vergonha dos ssshhh e dos olhares. E eu pensava na Miriam, que talvez quisesse a mãe dela, que não estivesse muito acostumada com o jeito do pai, ou simplesmente não estava sendo compreendida que não queria dormir coisa nenhuma. 


Me segurei por mais um tempo, até que não me aguentei, pedi passagem pro Ariel e sai do assento. O cara sorriu envergonhado e eu perguntei se ele se incomodaria se eu levasse a Miriam para passear um pouco, pra ele descansar. 


Peguei a nenê, que estendeu os bracinhos pra mim e sorriu imediatamente. O pai respirou aliviado, junto com todo os passageiros, que finalmente não escutavam mais o choro daquela criança. E eu andei com ela por todo o corredor do avião, fui e voltei, e recebi olhares de apoio, de "ai que bom que você fez isso". 


Passeei com ela, voltei para a nossa poltrona e fiquei ali com ela no colo, brincando. O pai perguntando a todo momento se ela estava incomodando, e dizendo que se eu me cansasse, era só devolver. Mas ele falava isso e quando eu respondia que estava tudo bem, sorria, virava e dormia. 


E eu brinquei de mãe de menina. De menina iraniana, que na teoria, deveria vir do povo do "inimigo", da ameaça. Ela era linda, tinha os olhos pretos, enormes e brilhantes, o cabelo cacheado e estava muito bem vestida, tudo combinando, da roupinha ao prendedor de chupeta (certeza que a mãe deixou tudo separadinho pro pai).


Ela me olhava, me fazia carinho no rosto, brincava com a minha corrente, até tentava baixar a minha blusa, o que me fez pensar que talvez a mãe ainda a amamentasse, ou que tivesse parado há pouco. Ela brincou com os brinquedos do Uri (que dormia ainda) e leu os livrinhos dele. Em Hebraico, a menininha persa. 


imagem do Google
Eu olhava para aquela nenê e só conseguia desejar o bem para ela, que desse tudo certo na cirurgia e que ela crescesse saudável e feliz num país decente, com um governante que não desejasse acabar com o mundo, ou com o meu povo. Desejei, do fundo do meu coração, que um dia ela e o Uri pudessem ser amigos, que pudessem passar férias nas casas um do outro e que o fato de eu estar brincando e acalmando uma menina iraniana não me parecesse interessante, estranho ou engraçado nunca mais. 





O avião pousou em Instambul, nossa escala e como esse vôo tinha atrasado, teríamos que correr para não perder o próximo para Tel Aviv. Esperamos trazer o carrinho, colocamos o Uri nele e saímos com pressa. Só tivemos tempo de nos despedir da Miriam e do seu pai, mas não pudemos trocar email, nome no facebook, nem nada.


E eu, que queria ao menos saber sobre a saúde dela, terei que ficar somente com a imagem e as lembranças da pequena iraniana que me mostrou que tem horas que só a mãe salva, mesmo que ela não seja a mãe da gente. E mesmo que a mãe seja israelense e judia. 




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Gente, estou participando do concurso "O melhor post do mundo", da Limetree, com um texto que publiquei aqui no blog, Ode to Uri, mas que na verdade foi escrito no Grãozinho de Bico (meu outro blog) uns poucos dias antes dele nascer. 


Esse concurso irá escolher, dentre os 10 finalistas, o melhor post, que ganhará uma viagem a NY!! Para estar entre os 10 finalistas, preciso de muitos votos. Tenho estado em verdadeira campanha para conseguir votos entre a minha família, meus amigos e os amigos deles, tenho tipo muito apoio e muita ajuda, mas infelizmente tem muita gente que se acha mais esperta do que todo mundo e acha que o caminho mais fácil e desonesto pode levar mais longe, Espero que a coordenação do concurso faça alguma coisa, mas enquanto isso não acontece, conto com os votos de vocês!! Cada voto é muito importante e me ajuda muito!


Pra votar é super simples:

É só clicar no link abaixo, curtir a página do Limetree e depois clicar em "vote" no texto (clicar so em "curtir" nao conta como voto - vc vai ver se deu certo se o numero de votos mudar). È rapidinho mesmo, meninas!!
Beijos e muito obrigada pela atenção e ajuda de vocês!


http://bit.ly/L1kFPX