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segunda-feira, 4 de março de 2013

"Quem conhece a gaita já sabe quem está chegando..."

Publiquei esse texto semana passada no Mães Internacionais, mas essa história é tão especial na nossa vida que vale a pena registrar por aqui também!


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O Uri, meu filho que acaba de completar 2 anos, já tem uma grande paixão: o Júlio, personagem principal do Cocoricó, programa exibido pela TV Cultura.

Tamanha paixão tem um culpado: a mãe. Eu sempre gostei do programa, acho que é de uma qualidade incrível, tem humor sem ser bobo, ensina (muito) sem ser chato, não “emburrece” nem infantiliza as crianças. Assim, a mãe preocupada com o Português do pequeno israelense (e com a qualidade do que ele assiste), sempre soube que iria apresentar a turma do Paiol pra ele.

Quando ele fez um aninho, ganhou uns DVDs do Cocoricó de uma amiga brasileira aqui em Israel, cujos filhos nunca deram atenção a eles. E foi amor à primeira vista. Tão pequeno, o Uri olhava fascinado pra TV, dançava com a música de abertura e chorava quando colocávamos qualquer outro DVD, pra minha alegria e a do meu marido, que se rendeu aos encantos da turminha também.

O Júlio virou Lúlio (e continua sendo até hoje) e foi o primeiro nome que o Uri aprendeu na vida. Não foi o do pai, o da mãe ou de algum amigo da creche, foi o do Lúlio.

E aí que quase um ano depois, viajamos, eu e ele, pro Brasil. Desde que marquei a passagem, comecei a procurar na internet o calendário de shows do Cocoricó, pois queria muito levar o Uri pra conhecer os ídolos ao vivo, eu sabia que ele adoraria e me emocionava só de pensar na carinha dele quando anunciassem “Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando...”

Não achando nenhuma programação de shows, e com a data da viagem chegando, resolvi ser cara de pau e escrever pra TV Cultura. Perguntei se eles poderiam me informar quando haveria show em São Paulo ou na região de Campinas e que, no caso de não haver mais shows, perguntei se poderia ir com o Uri conhecer os estúdios do paiol (mãe, essa cara de pau!). Algumas horas depois, recebi um email muito atencioso de um funcionário, o F.(vamos manter a privacidade dele, né?), dizendo que os shows foram realmente cancelados (o contrato acabou e não foi renovado) e que ele averiguaria a possibilidade de visitarmos as gravações do programa.

Viajamos pro Brasil e com a correria toda de se viajar com um bebê sozinha por tantas horas, acabei esquecendo do Lúlio, do Cocoricó, da TV Cultura e de várias outras coisas. Mas qual não foi minha surpresa ao abrir meus emails, já em Campinas, e ver uma mensagem do F. dizendo que poderíamos sim visitar o estúdio!

O próximo passo foi descobrir como chegar lá, tanto o endereço, como o meio de transporte, pois iríamos pra São Paulo na semana seguinte, mas sem carro – e cá pra nós, São Paulo não é uma cidade muito fácil de se circular, ainda mais com bebê e sem carro.

Mas como eu tenho as melhores amigas do mundo, um esquema tático foi armado e conseguimos! Estávamos hospedados na casa de uma amiga, na zona sul da cidade. Outra amiga querida, a Fernanda, veio nos buscar e nos levou pra um shopping do outro lado da cidade, que ficava bem perto da Água Branca, onde fica a TV Cultura. Como a Fernanda tinha que trabalhar à tarde, outra amiga, a Karina, veio nos buscar nesse shopping e nos acompanhou até o paiol (e foi a melhor compania que poderiamos ter escolhido pra isso).

Como nada poderia ser tão simples assim, quando saímos do shopping, pra passar a cadeirinha de bebê do carro de uma pro da outra, descobrimos que não tínhamos anotado em qual estacionamento a Fernanda tinha deixado o dela! Sim, foi um erro primário, que nos resultou em 40 minutos de busca do carro perdido, e um pouco de aflição, pois a gravação já estaria começando, mas não perdemos o bom humor.

Outra aventura foi encontrar a TV Cultura! O GPS da Karina se perdia, andava em curvas, errava tudo. Achei um mapa da região no meu celular e conseguimos! Chegamos à Cultura às 3:30, as gravações terminariam em meia hora. Ainda tivemos que esperar a liberação do estacionamento, esperamos o F. nos encontrar e lá fomos nós!

Fomos orientadas a não tirar fotos dos bichos “mortos” (sem o manipulador) e a manter o silêncio, afinal, eles estavam gravando. Munidas de chupeta, biscoito polvilho e muita reza pra manter o Uri quietinho e não atrapalhar, sentamos atrás de um monitor. Ele até que ficou em silêncio durante a gravação da primeira cena, sem entender muito o que acontecia, já que os personagens estavam gravando numa parte que a gente não podia ver do estúdio e ele estava assistindo na “televisão”, como em casa. Mas era pedir demais que um menino tão pequeno, perto dos seus ídolos, não ficasse emocionado e não começasse a demonstrar isso. Na gravação da segunda cena ele se agitou, falou, apontou... Resolvemos esperar lá fora então.

Esperamos pouco, uns 10 minutos apenas, tempo suficiente pra conversar um pouco com o F., agradecer umas 800 vezes pela atenção e ainda, de quebra, ganhar um pacote cheinho de presentes do Cocoricó – um DVD, um jogo, um livro pra colorir, adesivos.

Logo nos chamaram de volta ao estúdio e o Uri foi recebido pelo seu amigão – O Lúlio! A emoção era tanta que ele nem reparou no Fernando Gomes, o manipulador do boneco. Ele olhava encantado, extasiado, apaixonado. Confesso que, antes de chegar, tive um pouco de medo da reação dele ao ver as pessoas manipulando os bonecos, não queria estragar a fantasia dele, mas a verdade é que ele estava tão encantado que realmente não percebeu.

Fomos recebidos com muito carinho, principalmente o Uri. Fizeram questão de conversar com ele, tirar fotos no cenário, receber e dar beijos. Na saída, a mãe aqui ainda pediu um autógrafo pro Lúlio, pra guardar pra posteridade.

Se eu já gostava do Cocoricó, hoje eu sou fã fervorosa. Aliás, não só dele, mas dos manipuladores e dos funcionários da TV Cultura. Fomos recebidos, desde o primeiro email enviado, até o porteiro dos estúdios, com uma atenção e simpatia incomparáveis. A minha fiel escudeira Karina e eu ficamos impressionadas com tanto carinho! Se nos tivessem deixado apenas conhecer o estúdio vazio, se tivessem somente tirado fotos com a gente, já teria bastado. Mas fizeram muito mais do que isso. Realizaram, com muita ternura, o sonho que um menininho nem sabia que tinha! E deixaram uma mãe extasiada... Com a sensação de que ela tem sim super poderes e que sempre vai fazer o impossível pra ver esse sorriso no rosto do filho...





E aqui vão dois videos curtinhos e cortados, mas a emoção e a surpresa eram tamanhas que ninguém raciocinava direito:





quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quem cuida do seu filho em Israel?


Esse é outro post que fez parte de uma Blogagem Coletiva do Mães Internacionais (originalmente no Grãozinho de Bico) e resolvi transferir pra cá.

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A licença maternidade paga em Israel é de míseras 14 semanas (3 meses e meio). Depois disso, se a mãe desejar, as empresas têm que aceitar que ela tire até os seis meses do bebê, mas ela não receberá mais pagamento por esse mês e meio. Após os 6 meses, fica a critério da empresa aceitar uma extensão ou não. Nem vou entrar no mérito do que é justo e o que não é, do quanto dói deixar o filho pequenininho e voltar para o trabalho e do quanto eu queria morar na Estônia, onde a licença maternidade pode chegar a 3 anos!!!

Então, chegada a hora maldita as mães têm algumas opções de cuidados pros bebês.

A comunidade russa (enorme no país), e muitos israelenses também, optam em deixar com a vovó. Na cultura russa isso é bem comum, minhas amigas do trabalho deixam os bebês com as babushkas e eu vejo um monte delas passeando com carrinhos por ai. Essa, pra mim, seria a opção ideal (tirando a de eu poder ficar em casa até o o primeiro aniversário dos meus filhos). Na minha opinião, até 1 ano de idade, o bebê não necessariamente precisa de contato com outros bebês, não precisa de muitos estímulos fora os que são dados pela mãe, se essa realmente passar um tempo de qualidade com o seu filho. Tipo aula de inglês, de música ou de sei lá o q, na minha opinião, é bobeira antes de 1 ano. Contato com outras crianças é legal, principalmente depois de uns 9, 10 meses, mas se a mãe tiver um círculo de amigas com filhos da mesma idade, se levar sempre no parquinho, se procurar atividades para bebês (no shopping na esquina de casa, tem encontros semanais e gratuitos para mães e bebês, com atividades que estimulam o desenvolvimento deles), a escolinha não é realmente fundamental.

Quem, como eu não tenha a safta (vovó, em Hebraico) por perto, mas ainda acha q o bebê deve receber um cuidado 1:1 nos primeiros meses, apela pra babá (ou metapelet). Aqui em Israel, a metapelet pode estar na sua casa ou na casa dela mesmo. Se for na sua casa, ela é, a priori, contratada pra cuidar do bebê, não da casa. Você pode combinar que ela cuide da roupinha dele e faça a comidinha dele enquanto ele dorme, mas não mais do que isso. Se vc quiser que ela faça qualquer outra coisa, tem que pagar a parte, o que é muito justo. O salário de uma metapelet varia, vai de 2 mil e poucos shekels (mil e poucos reais), a uns 5 mil, dependendo do número de crianças, da quantidade de horas trabalhadas por dia, e do que ela vai fazer na sua casa e pro bebê.

Dá também para deixar o bebê na casa da babá, se ela preferir e se você concordar (e ainda por cima achar estranho ter alguém enfiado na tua casa o dia todo). Essa é uma ótima alternativa também, desde que a babá escolhida seja uma pessoa de extrema confiança e que tenha indicações. Nas duas opções, vale combinar todos os detalhes, os horários, o que pode e o que não pode fazer com o bebê e em geral, principalmente se for na casa dela, porque a gente tende a se sentir menos à vontade e não fala desde o início, ai acontecem coisas que te desagradam, mas você acaba não falando nada. Por exemplo: Você combina com a babá o período de 9 às 16. Estando na casa dela, você até imagina que tudo bem ela fazer o almoço e comer enquanto o bebê dorme. Isso é normal, isso é aceitável. Porém, chegar na casa da babá e encontrar o teu filho, que já engatinha, preso no carrinho (sempre detestei carrinho dentro de casa, criança tem que ficar livre, aqui o carrinho fica do lado de fora, meu filho nunca ficou sentado no carrinho em casa), na cozinha com ela, enquanto ela limpa a casa com litros e litros de água sanitária. Isso não é OK!!!! Não é OK porque você não paga a babá pra limpar a casa dela quando poderia estar brincando, passeando ou cuidando do teu bebê e é menos OK ainda porque manter um bebê num ambiente fechado com cheiro de água sanitária é perigoso. Então, aprenda comigo: Combine tudo, escreva, converse, pergunte, teste. Não tome como certo que a babá vai pensar como você e querer o melhor pro teu filho. Talvez o melhor dela não seja tão bom assim. E fale tudo que te incomodar, desde sempre, pras reclamações não se acumularem e tudo ficar pior. E isso vale para babás israelenses, russas, brasileiras, argentinas, filipinas...

Os pais que não têm condições de ter uma metapelet, podem contar com uma outra opção: Algumas mães de bebês que podem ficar mais meses em casa mas que desejam aumentar a renda familiar, pegam mais um bebê pra cuidar junto com o seu. De novo, é uma ótima alternativa se você conhecer essa mãe, ou tiver muitas e excelentes indicações dela. E de novo, combine TUDO.

Há outras pessoas que resolvem cuidar de 3 a 4 bebês em suas casas. A isso se dá ao nome de mishpachton . Eu não sei dizer se há algum regulamento ou fiscalização para os mishpachtonim (plural de mishpachton), ou se quem quiser abre o seu e pronto. Já ouvi histórias horripilantes sobre eles, da cuidadora que espanca criança, de comida de pouca qualidade, de crianças jogadas em frente à TV o dia todo. Por outro lado, já ouvi falar de cuidadoras cuidadosas (há!) e carinhosas, lugares limpinhos e próprios pros pequenos, enfim, é a opção pra quem não quer ainda colocar o seu filho numa creche com muitos bebês.

As creches (ou ganim) aqui podem ser públicas ou privadas. Geralmente, as públicas, as gratuitas, começam aos 3 anos de idade da criança. Antes disso, há creches de entidades beneficentes que têm um bom desconto na mensalidade. Para isso, a mãe tem que provar q a renda familiar é mais baixa e o desconto é dado de acordo a isso. Esses ganim são muito concorridos não só por esse fator econômico, mas pela qualidade nos cuidados com as crianças (segundo contam). 

Nós pagamos pro Uri o equivalente a 1250 reais, pro período de 7 às 4 (se quiséssemos até às 5 seria 50 reais mais caro) de domingo à quinta e 7 às 12 às sextas feiras. Nesse preço estão incluídas 3 "refeições" - café da manhã (que pra gente seria mais um lanche da manhã, porque é "tarde", 9 e pouco, e ele toma café da manhã em casa), almoço e um lanchinho à tarde (não considero refeição porque ele sempre chega em casa morrendo de fome), algumas aulinhas extras por semana (yoga e esporte para crianças pequenas e musicalização) e só. Fraldas, lenços umedecidos, creme pra assadura, leite artificial (se for o caso) são mandados pelos pais.

Há ganim bons e ruins, como em todo lugar, eu acredito. Os espaços podem ser grandes, arejados e arrumados, mas também pequenos e bagunçados. Há ganim com camêras que filmam tudo e os pais podem ver os filhos pela internet, há ganim que mandam fotos pros pais das atividades dos pequenos com uma certa frequência, há ganim onde tudo é uma bagunça. Tem que saber procurar e acima de tudo, ter recomendações de gente conhecida.

Ainda pra essa faixa etária (até os 3 anos), há ganim religiosos, russos, bilingues (inglês e hebraico). Esses ganim têm uma certa fiscalização do governo, mas não são administrados por ele. A partir dos 3 anos, a criança vai pro gan trom-trom hová ("creche pré-pré obrigatória") e aí sim é o governo que manda e fiscaliza, há um planejamento a ser seguido, que é igual para todos e ele é Hebraico. Mesmo se a criança for para o gan onde só se falava russo até essa idade, ela terá que ir ao gan hová "nacional" quando for a hora. Esse gan é gratuito e funciona até às 13 ou 14 horas. Se os pais precisam que a criança fique até o final da tarde, pagam pelo tza'aron (falo dele aqui embaixo).

Aos 6 anos eles começam a escola, que é pública também (há escolas particulares, mas elas são as bilingues, as internacionais, enfim, as "especiais"). No ensino fundamental (até a 5a série de quando nós estudávamos - já me perdi com as mudanças na nomeclatura no Brasil ) as crianças estudam só na parte da manhã e um ou outro dia saem um pouco mais tarde.

Pras mães que trabalham e não têm onde deixar os filhos (maiores) na parte da tarde, há os tza'aronim, tanto nas escolas quanto fora delas. São lugares onde as crianças almoçam, passam a tarde, têm ajuda pra lição de casa, às vezes atividades como pintura, artesanato e brincadeiras dirigidas.

A minha opinião sobre o sistema, baseado no que vivemos até agora com o Uri (1 metapelet e 2 ganim particulares) ? Talvez por falta de sorte, talvez por exigência minha (confesso, sou chata), mas não estou satisfeita. com a metapelet, além de outros problemas que não têm a ver com ela (era longe demais), faltou comunicação no começo, faltou pontuar muitas coisas e eu acabei não falando de coisas que me incomodavam desde o começo, fui deixando passar e depois elas ficaram insustentáveis pra gente.

O primeiro gan que ele foi era longe demais (20 minutos pra ir, 20 pra voltar, mais os minutos que passávamos lá, quase 1 hora perdida de manhã e à tarde) e era ruim. As cuidadoras não paravam no emprego (forte indicativo de um mau local de trabalho). Eu tinha a impressão que meu filho ficava jogado no chão o dia todo, salvo quando comia ou dormia, e não era estimulado de maneira alguma. Eu não gostava das cuidadoras, não confiava. Enfim, não era bom. Ainda assim, demorou 6 meses pra eu me convencer de que o problema era o gan, não eu e a minha exigência.

Ai encontramos esse novo gan, na rua de baixo de casa, o que tranformou a nossa vida para melhor, temos muito mais qualidade de vida com o Uri, de manhã e à tarde (e até hoje eu e o marido nos perguntamos onde estávamos com a cabeça de colocar o nosso filho em dois lugares tão longes - a metapelet e o outro gan). Eu gosto muito de duas das 3 cuidadoras fixas, são mais velhas, são mães e se preocupam pra valer com o bem-estar das crianças. A terceira cuidadora é a dona do gan e responsável pela parte "pedagógica". Eu gosto dela, acho que ela faz um trabalho legal com as crianças, mas já a peguei gritando, o que eu não gosto. Fora que às vezes eu sinto que ela é um pouco falsa, fala as coisas que eu quero ouvir. Uma coisa que me incomoda bastante é às vezes chegar e a filha da dona (uma pirralha de 22 anos antipaticíssima e sem o menor appeal com as crianças) estar cuidando deles porque as outras cuidadoras já não estão. A comida é OK, mas o cardápio não varia muito e o pior, na minha opinião, é que oferecem doces pras crianças, pão com chocolate no lanche, Bamba e balas nas festinhas. Isso vai muito contra o que eu e o marido queremos e ensinamos ao Uri, mas recentemente, vendo meu filho deixar um bombom derreter na mão por falta de interesse e se acabar de gritar porque acabou o melão cortadinho no potinho dele, percebi que o nosso trabalho está feito, meu filho pode até comer um doce ou outro na creche (mesmo com toda a minha indignação com isso), mas só de não termos porcarias em casa - pelo menos não ao alcance dele - e ele vendo muitas coisas saudáveis por aqui, já adaptou o paladar. 



Além disso, eu percebo que o Uri aprende bastante coisa no gan, tanto no convívio social - guardar os brinquedos, aprender a dividir, a escutar comandos (como o de sentar e escutar) como músicas e palavras em Hebraico (coisa que não aprende em casa). Um dia, do nada, o vejo cantando musiquinhas em Hebraico, fazendo gestos, e percebo que ele tem sim um mundo "dele", longe dessa casa e da nossa influência.

De qualquer forma, pelo q eu ouço por aqui, apesar de diferente, o ensino em Israel é bom. Quer dizer, se compararmos às melhores escolas particulares do Brasil, claro que ele sai perdendo, mas sendo o ensino fundamental público, ele é bastante razoável. Quanto às creches, eu sinto sim falta de uma boa creche particular pro Uri, dessas ueq eu vejo nos blogs por ai. Aqui o negócio é diferente, não tem tanto capricho, mas como eu sei que me dedicaria à educação dele em casa de qualquer maneira, me forço a não ficar me lamuriando e não tentando comparar muito

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O parquinho dos bebês

Eu tinha proposto mostrar alguns parques daqui de Israel, mas depois do Sportek, acabei não mostrando mais nenhum.

Mas me redimo e mostro hoje outro parque que fica bem pertinho daqui de casa, ao qual nós vamos bastante. Eu e o meu marido o chamamos de "parquinho dos bebês", ou "parque dos prédios" (porque ele fica entre 2 prédios, parece até o playground particular deles). 

"Parquinho dos bebês" porque realmente ele é o mais propício para crianças menores. O chão é de grama artificial, os brinquedos são mais baixos e mais adaptados aos pequenos engatinhantes e recém-andantes e como ele fica numa área menor e mais fechada, é menos atrativa a crianças maiores andando de bicicleta, coisa que me deixa bem nervosa em outros parques, porque meu filho ainda não se dá conta e anda pra lá e pra cá sem prestar atenção ao movimento e muitas vezes as próprias crianças de bicicleta (patins, patinete e afins) são pequenas e não tomam cuidado com os pequenos pelo caminho. Então nesse parque eu fico mais tranquila quanto a isso. 

Além disso, o parque tem uma cobertura legal, o que garante menos sol no longo verão insuportavelmente quente dessa terra. Por outro lado, essa cobertura não tem iluminação e agora no outono e no inverno, quando o dia é mais curto, o parque fica escuro bem cedo, o que é um ponto negativo dele.

Outra coisa que nos incomoda muito é a falta de cidadania e de respeito de alguns (ou muitos) frequentadores do parque, que sujam o chão todo com casquinha de semente de girassol (mania nacional), pacotes de salgadinho, bitucas de cigarros e até fraldas sujas!!! A prefeitura limpa sempre os parques, mas já aconteceu de chegarmos, nos depararmos com a catástrofe e a sujeira e darmos meia volta... Não consigo entender como, em primeiro lugar, alguns pais fumem tão perto de crianças. Se nós estamos em algum parquinho e vem alguém fumar perto dos brinquedos, pedimos pra se afastar. Eu acho que é nosso direito, e principalmente das crianças (e dane-se se acharem ruim). Além disso, esse é um (dos muitos) parques tão bonitos, tão planejados e tão curtidos por aqui, tanta gente no Brasil gostaria de poder levar os filhos num lugar tão legal e tão perto de casa, por que, por quê, meu D-us, não valorizar e não ajudar a cuidar? Juro, eu não entendo.

Mas enfim, nós levamos o nosso filho nesse parque desde os 7, 8 meses de idade, quando ele só engatinhava a gente muitas vezes o deixava solto pelo chão, junto com outros bebês. Hoje em dia ele corre e sobe em tudo e a gente fica por perto garantindo que ele não vá cair de algum brinquedo mais alto. 

Agora as fotos...

Tem uma área meio separada com algumas "estátuas" de bichos pras crianças subirem:




A parte dos brinquedos, coberta








jogo da velha!




domingo, 7 de outubro de 2012

Festa das Nações & outros eventos em Sukkot

No post anterior eu comentei que durante a semana de Sukkot as crianças têm férias nas escolas e há uma grande variedade de atividades e eventos para elas e para as famílias nesse período no país inteiro.

Esse ano aproveitamos esses eventos um pouquinho, já que o Uri já está maior e curtindo mais e podendo sair um pouco da sua rotina de estar na cama antes das 7:40 da noite.

Então na 3a passada eu o levei a um showzinho em um centro comercial aqui na esquina de casa. Era um evento de um dos quatro planos de saúde do país que aconteceu durante a semana toda, cada dia era uma atividade diferente para as crianças, tudo de graça, bem legal.

Nesse dia tinha um show de uma "palhaça" (ela se entitulava palhaça, mas esqueceu de pôr a fantasia), umas pessoas de perna de pau e um teatrinho de bonecos. Nós encontramos 2 amiguinhas do Uri da escola e foi uma tarde diferente e engraçadinha (mas nada de mais). Ele correu e se divertiu e é o que importa.







Dai no dia seguinte fomos numa festa maior, promovida pela prefeitura, em um parque lindo daqui de Netanya (preciso voltar lá de dia e tirar umas fotos pra colocar aqui, já tinhamos ido umas vezes, mas não chegamos a ver 1/3 dele).

Eu já tinha visto propaganda dessa festa no ano passado, mas não fomos porque ele era bem pequeno, então esse ano eu insisti para que fóssemos e foi muito legal!

Pela propaganda (que eu li errado) era uma "Festa das Nações". Eu imaginei as festas desse tipo que eu ia no Brasil, barraquinhas de comidas típicas, shows de dança e pronto. Sempre gostei desse tipo de festa (call me tacky), achei que seria algo do mesmo estilo.

Mas não era. Era uma festa sobre as comunidades judaicas ao redor do mundo (na Diáspora) e sobre a chegada deles em Israel.

Logo que chegamos percebemos que estava tudo super bem montado, super arrumado. Havia vários stands de várias entidades judaicas aqui em Israel e em outros lugares do mundo, muitas coisas interativas, jogos para crianças de várias idades, exposições, shows para crianças e adultos. Tinha várias apresentações de crianças dançando, principalmente em inglês e em russo. Ah, e uma sukká enorme, com decorações típicas de um monte de países, mas não conseguimos entrar porque a fila estava enorme e o nosso filho ficou impaciente.

As barracas de comidas típicas deixaram a desejar, eu acho que a prefeitura poderia ter reunido as comunidades presentes na cidade e incentivado um maior número de barraquinhas. Mas ok, tinha os básicos - hamburguer e hot dog, batata frita, comida chinesa, crepe francês, pizza, pipoca, refrigerante.

Uma coisa que eu (a eterna teacher) adorei foi que logo na entrada ganhamos um "passaporte" de papel, com bandeiras, perguntas e lacunas para preencher. Eu achei que era alguma coisa pra responder em casa e logo enfiei no bolso do carrinho do bebê. Mais tarde eu e o meu marido percebemos que aquilo na verdade era um jogo para crianças maiores, que precisavam passar pelos stands e cartazes de vários países, participar de uma atividade em cada um deles e depois preencher os dados que eram pedidos no passaporte, e ai ganhavam um carimbo da "alfândega". Achei muito legal essa idéia de ensinar judaísmo, história judaica e geografia fora da sala de aula. Ponto pra prefeita de Netanya!

o "passaporte"

As placas com informações sobre as comunidades judaicas em diversos países e algumas atividades:




                                               
                                                           as crianças super participando - achei demais!

Enfim, nos divertimos muito, a família inteira. A única pena é que com o término do horário de verão, escureceu bem rápido e logo voltamos para casa, aproveitando menos do que gostaríamos. Esse tipo de festa, para mim, seria programa para um sábado inteiro, aproveitando as atividades, vendo tudo com calma e aprendendo várias coisas. Ah, e as fotos e as gravações em vídeo ficaram ruins, mas dá pra ter uma idéia.






"vou dar um pulinho no Brasil e já volto"


Uma atividade que mostrava quantos judeus há em muitos países do mundo: 





Esse era o stand do Birthright, uma entidade que tem como objetivo ajudar a trazer jovens judeus a Israel por 10-15 dias a preços bem simbólicos (ou de graça em alguma países). Segundo eles, todo judeu tem direito a vir conhecer Israel, um direito de nascença (birth right). Eles já promovem essas viagens há 13 anos e trouxeram centenas de milhares de jovens de todo o mundo pra cá. Meu marido e eu fizemos esse programa. Eu, inclusive, vim no primeiro grupo que saiu do Brasil!



E criancinhas russas cantando e dançando - achei fofo e se fosse meu filho eu estaria chorando.




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Blogagem Coletiva - Laços de família

Minhas primas moraram fora do Brasil quase que desde sempre e nós passamos anos da nossa infância e adolescência trocando cartas, postais, cartões e bilhetinhos entre a gente. A nossa maior alegria era quando alguém ia ou vinha de onde eles estavam (Recife, Fortaleza, Bolivia, Honduras, Espanha) e trazia pacotes e mais pacotes de cartas e fotos, que tinham sido escritas durante semanas, contando como ia a vida delas, como estava a escola, as primeiras paixões, as viagens que elas faziam e etc.

Essa era a nossa única forma de comunicação, ligações internacionais eram caras e só eram feitas nos aniversários e outras datas especiais. Às vezes chegavam também fitas de vídeo com as aventuras da família, às quais nós (eu e minha irmã mais nova) assistíamos muitas e muitas vezes. Outras vezes eram fitas cassete, com os hits em Espanhol do momento, com falas e propagandas de rádio mal gravadas, e tudo era motivo de festa para gente, tudo era visto como a possibilidade de estarmos perto, mesmo que tão longe. 

Além da gente, eu me lembro do meu avô carregando as fotos dos netos "estrangeiros" pra cima e pra baixo, mostrando pra todos os amigos na padaria e na lotérica, contando orgulhoso do que via quando ia visitá-los, esperando ansioso por um fax do meu tio (que quase sempre dava problema, chegava cortado, a tinta acabava, mas era o ápice da modernidade no começo dos anos 90).

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Vinte anos depois, hoje eu me vejo longe do meu país, criando meu filho longe da família. E isso é triste. Eu vejo o tempo passando e a minha mãe perdendo os pequenos momentos do dia-a-dia da vida do neto, as gracinhas, as palavras novas, os abraços e os beijos melados que só uma criança de um ano e meio sabe dar. 

Quando decidi me mudar para Israel, filhos, apesar de estarem nos planos e nos sonhos, ficavam longe da minha realidade. Quando eu me vi grávida e sem ninguém para me acompanhar nos ultrassons, sem ninguém pra fazer compras comigo, percebi que quando da minha vinda, essas pequenas alegrias não estavam na minha cabeça e que hoje elas são importantes sim.

Mas não fico me lamuriando, eu fiz as minhas escolhas e não me arrependo delas, e como não há maneira de termos tudo na vida, vamos levando e tirando o melhor de todas as situações. Não tendo outra alternativa, fico felizes com que temos. 

E graças às maravilhas da modernidade e da tecnologia, hoje temos muito mais recursos do que apenas fitas de vídeo ou cartas escritas à mão!!

Eu sempre adorei registrar todos os momentos da gravidez e chegada do Uri para que ele um dia possa ver como foi querido desde sempre, como as pessoas vibravam com a vinda e a vida dele. Comecei um blog e nele contei (e conto) com detalhes sobre tudo o que aconteceu desde que ele foi concebido, para que todos, mesmo de longe, possam acompanhá-lo e expressar seu carinho por ele. Um dia quero imprimir os posts do blog e dar pra ele de presente. 

Colecionei todos os emails, mensagens, cartões, recados e comentários no facebook desde o dia em que descobri a gravidez e colei tudo em um caderno decorado. São fotos de US, poemas escrito pela bisavó, mensagens de amigos. Me deu muito trabalho fazer isso, mas foi uma forma legal de registrar esses momentos pra mim e pra ele, tenho certeza de que um dia ele vai gostar de ver o carinho de pessoas de longe para com ele. Eu mesma peguei o caderno outro dia e me emocionei com a expectativa de todo mundo, realmente, é uma delícia recordar esses momentos. Hoje em dia eu guardo mensagens e cartões em datas especiais, como o primeiro aniversário, não dá mais para salvar, imprimir, recortar e colar todos os recadinhos!






Fora isso, eu coloco muitas fotos e muitas atualizações da nossa vida no facebook, maldito e bendito facebook! Eu às vezes sinto que me exponho demais, mas essa é a maneira da família de longe acompanhar o que acontece por aqui.

Eu tenho uma irmã no Brasil e outra que trabalha num navio e cada dia está num lugar. Tenho primas nos Estados Unidos, no Brasil e na Espanha (as das cartas), que por sua vez têm filhas, que são as únicas priminhas do Uri. Meu marido tem família no Uruguai, um irmão em Israel, outro na República Dominicana e outra em Cuba. Fora os amigos... Ou seja, o Uri tem tios espalhados por todo canto e para que eles possam estar a par do q acontece na nossa vida, o facebook é uma maravilha.

Tem também o Skype e vira e mexe tem algum tio vendo o Uri comer, brincar e fazer gracinhas. No começo ele não entendia e ficava mudo, hoje em dia ele interage, "conversa", manda beijos e faz tchau. O iphone também me deixa mandar fotos, vídeos e mensagens instantâneas pra muita gente, contar os detalhes mais (in)significantes e nos aproxima muito da família e dos amigos de longe.

A minha mãe não é uma pessoa nada tecnológica, não tem e nem sabe usar um computador, então ela conta com a boa vontade do meu tio e das minhas irmãs para ver fotos e videos do neto e para promover conversas no Skype quando dá. 

Hoje em dia, as ligações internacionais são muito mais baratas (além das que podem ser feitas gratuitamente no computador ou smartphones, como no Viber ou FaceTime), um minuto para o Brasil pode ser mais barato do que um minuto dentro de Israel mesmo. Eu ainda tenho mais sorte, pois minha conta de telefone é paga pela empresa. Eu não abuso, mas sei que posso ligar sem custo algum para quem eu quiser (e a empresa sabe disso, antes que me chamem de aproveitadora). A nova onda do Uri é pegar o telefone e "conversar" com quem está do outro lado. Tirando o "auô" e o "taaaau... byyeee", não se entende muito o q ele diz (mas minha mãe deve achar que é Hebraico fluente), mas ele faz a alegria de muita gente. 

Não falo tanto quanto gostaria com a minha família porque todos são ocupados e o fuso horário atrapalha muito, mas entre mensagens no facebook, um comentário numa foto, uma ligação no Skype e outra no telefone, todos nos comunicamos minimamente bem.

Outra coisa que nós usamos muito por aqui são fotos. Eu gosto muito de porta-retratos, minha casa está cheia deles e nós sempre mostramos fotos pro Uri, ensinamos quam é quem e aos poucos ele vai "convivendo" com a família, nem que seja a estática, conversa com eles, aponta, ri, dá beijos.


As portas de entrada em Israel são de ferro, sempre, por motivos de segurança e como uma maneira de segurar o fogo no caso de um incêndio. Assim, temos um grande painel de ímãs à nossa disposição. Quando o Uri começou a engatinhar, coloquei ímã em uma foto da minha mãe e em uma da minha irmã e o ensinei quem era a vovó e quem era a titia. Ele aprendeu a reconhecê-las e era só falar em uma delas que ele apontava pra porta, desde uns 9 meses. E de vez em quando a gente o pega dando uns beijos nas duas... Meu objetivo era aos poucos encher a porta de fotos, mas confesso que deixei passar.

Em janeiro vamos pela primeira vez ao Brasil, eu e ele. Acho que como ele já vai estar perto dos dois anos, vai entender melhor, se socializar, formar laços com a parte da família que está lá, e a gente vai fortalecê-los na volta. Em junho passado fomos à Espanha visitar as minhas primas e até hoje ele "fala" delas. 

E assim vamos levando... Sempre morrendo de saudades, às vezes com o coração apertado, mas sempre fazendo possível para estarmos "juntos". 



Quer saber como outras expatriadas garantem o convívio dos pequenos com as famílias? Clica aqui!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Das coisas boas de Israel - Tahine (ou tchina)

Os árabes e o resto do mundo a chamam de tahine. Nós aqui em Israel a chamamos de tchina - o "ch" tem som de "rr" aspirado e a sílaba tônica é a 1a, mais ou menos assim: t-rrí-na.

Tchina é uma pasta de gergelim q além de ser super gostosa, é versátil e nutritiva.Rico em cálcio e sem glúten, ele pode ser consumido por pessoas com alergia ao leite, intolerância à lactose e celíacos. O gergelim é o único ingrediente da tchina, e como ele contém uma grande quantidade de óleo - cerca de 50% do peso da semente, mais do que a soja e as nozes - depois de trituradas, as sementes transformam-se numa pasta oleosa, densa, de cor bege, riquíssima em sabor e com inúmeros usos na cozinha.


Em qualquer mo mercado, a gente compra um pote de tchina pastosa, como esse ao lado, q geralmente mostra bem a quantidade de óleo que o gergelim tem - uma pasta bege escura assenta, enquanto uma parte de óleo fica por cima. ah, e podemos encontrar tchina preparada com gergelim "normal" ou com gergelim integral. O gosto, pra mim, é o mesmo.

 Ai tem q preparar o molho, o q é super fácil: É só misturar a pasta com água (gelada), suco de limão, sal e outros temperos (alho, salsinha, páprica) e ir misturando aos poucos até q fique na consistência que você quiser (pode ser que você tenha que adicionar mais tchina ou mais água até dar o ponto certinho).

 Esse molho fica gostoso em saladas, em cima de uma beringela ou pimentão assados (adoro), em cima de kibe (de bandeija ou frito), como um dip pra mergulhar palitos de cenoura, pimentão, pepino, e claro, aompanhando outros pratos típicos dessas bandas, como o hummus, o falafel e o schwarma (falarei deles um dia).

 Tem gente q adiciona a tchina em bolos e tortas (eu nunca fiz) e por ser um alimento muito nutritivo, as crianças o comem desde bem cedo. Na primeira creche que meu filho frequentou, batiam tchina com as papinhas de frutas dos bebês (fica bom, eu já experimentei).

Enfim, essa é uma das minhas aquisições gastronômicas nessa terra. É fácil de preparar, é gostosa e é nutritiva.

 Não tem tchina onde você mora? Ou tem e é muito caro? Nesse blog tem uma receita e outras curiosidades sobre ela.

 Aqui, um video bem antigo q eu e meu marido fizemos pra ensinar a minha irmã a preparar o molho de tchina.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

Blogagem Coletiva - Mães Internacionais - Mãe de Dois (ou mais)

Eu sempre sonhei em ter muitos filhos, cinco para ser precisa. Ai cresci, vi que não era tão fácil como eu imaginava e planejei ter três. Mas resolvi me casar com um homem mais novo, tive meu primeiro filho mais velha do que a maioria (com 34 anos) e acho que vamos parar no segundo, que deve começar a ser planejado no ano que vem. Hoje em dia eu sei que ter filho (bem criado) dá trabalho e muitos gastos, principalmente nos primeiros anos, mesmo com toda a alegria que uma criança traz à uma casa. É triste ter que decidir o tamanho da família baseado nas condições financeiras, mas infelizmente, essa é a realidade. Outra razão que me faz desistir do terceiro é que não temos ajuda de ninguém por aqui, nem da família nem de ninguém com os cuidados da casa, então não sei se conseguiríamos. Mas não sou amarga nem ressentida por isso não. Imagino a casa com 2 crianças correndo e brincando (e brigando), um casal ou dois meninos, e acho que deve ser muito legal!


Aqui em Israel o número de crianças numa família diminui muito nos últimos anos. Hoje em dia é bem comum um casal ter dois filhos, no máximo três. O que eu vejo acontecer é terem dois filhos meio que na sequência (um ano e pouco ou dois de diferença) e ai dar um tempo e ter o terceiro depois de vários anos, geralmente quando o menor já está com cinco anos e já faz parte do sistema público de educação.


Isso faz sentido. Até os três anos, as creches em Israel são particulares, na sua maioria. (há outros tipos de cuidados pra crianças, falerei deles num post em breve). Eu pago quase 500 euros por mês de creche (das 7 às 4 da tarde) pro meu filho. Ele fará três anos em fevereiro de 2014, mas só poderá começar na creche pública no início do próximo ano letivo, em setembro, com 3 anos e meio. Ou seja, ainda tenho dois anos e 12000 euros pra pagar até ele ir pra creche pública. Se eu tivesse outro filho agora, o valor seria dobrado. E outra, a creche é pública até 1 e pouco da tarde, depois disso, se os pais trabalham e não podem ficar com a criança, eles têm que pagar por um serviço extra, que cuida das crianças até às 4 ou 5. Ou seja, é público e não é. Ai, se nessa época chegar um terceiro bebê, dá pra gastar uma boa grana em educação por ano. Fora isso tem as roupas, a fralda, o leite em pó (claro, se o bebê não é amamentado), os brinquedos, os remédios (q D-us não permita), o carro maior, a casa maior, os gastos com diversão. Eu acredito que o preço da creche é o que pesa mesmo no orçamento familiar, mas não podemos esquecer das outras coisas.


Acontece que, no judaísmo, a família é ponto central na vida de uma pessoa e durante muitas gerações as famílias tinham muitos filhos, que se reuniam (e se reúnem ainda) na casa dos pais toda 6a feira à noite pro jantar de Shabbat. Eu imagino que a famosa pressão "E ai, o nenê é pra quando?" é maior aqui do que no Brasil. Poucos são os casais que esperam muitos anos para ter filhos e menos ainda são os que decidem não ter filhos, ou ter um só. Estou tentando me lembrar aqui e acho que não conheço um filho único por ai, da minha geração ou da geração atual.


A rapidez em ter filhos também tem sua razão de ser. Israelenses terminam o colégio e vão pro exército, 2 anos pras meninas, 3 anos pros rapazes, em média. Saem do exército com uns 21 anos, trabalham por vários meses, juntam dinheiro, vão viajar pelo mundo e só voltam meses ou até um ano depois. Aí vão estudar e só depois começam a sua vida "adulta". Claro que isso varia de pessoa pra pessoa, mas na média, a história é essa. Nessa, a pessoa já está com 20 e muitos anos e não começou a sua carreira ainda. Conhecem alguém legal no meio do caminho e vão morar juntos. Quando resolvem se casar, por volta dos 30 anos, já moraram juntos por um tempo, já são mais velhos, não precisam esperar mais pra planejar um bebê, diferente dos casais brasileiros que namoram, cada um na casa dos seus pais, aí casam e começam a se cuirtir, deixando os planos pro bebê mais pra frente.


Outra coisa interessante é que já que as pessoas casam mais tarde e resolvem ter filhos mais rápido, quem não consegue em um ano (em média, claro), já pode partir pra tratamentos de fertilidade que são custeados pelo governo. Se eu não me engano, o governo paga o tratamento hormonal, as inseminações e uma FIV. Mais do que isso, eu acho que a pessoa paga uma parte. (Não tenho dados precisos sobre isso, se alguém que esteja por aqui souber, por favor, deixe um comentário!). 


Tirando o preço das creches particulares, ter um filho em Israel é mais barato do que no Brasil. A saúde (incluindo dentistas) é publica até os 18 anos, e há um acompanhamento de crescimento e vacinas super eficaz e gratuito também. Na maioria das cidades há muitas opções de lazer para as famílias, parques, atrações e etc. O índice de violência urbana é quase nulo, não há sequestros, as crianças maiores podem ir brincar sozinhas na pracinha sem problema algum, os pais não vivem com medo de sair às ruas com os pequenos. Criança aqui é criança, a publicidade pra elas é infinitamente menor do que no Brasil, a erotização precoce não existe, as crianças, meninos ou meninas, estão preocupadas em brincar, brincar e brincar (e comer Bamba!). 


Curiosamente, os pais aqui têm mais trabalho. Ok, não levamos a vida louca que uma família brasileira leva, trânsito, violência e etc, mas também geralmente não temos muita ajuda com as crianças e com os filhos. Há casais abençoados que têm os avós por perto, que sempre ajudam e há muitos como nós, que se viram nos 30 e dão conta de tudo. Da casa, do trabalho, das compras, da comida, da roupa, das crianças. Quase não há babás fora do horário de trabalho dos pais (salvo as babysitters que ganham por hora e que garantem a saúde mental do papai e da mamãe) e o máximo dos luxos e ter faxineira uma vez por semana. Os pais (maridos) geralmente são parte integrante da família e fazem a sua parte na criação e nos cuidados com os filhos, fazem compras, limpam a casa e tudo mais que uma mulher faz também. 


As famílias fazem muitos passeios juntos, as crianças vão pros restaurantes, vão pro shopping, vão pra todo canto com os pais, já que não temos com quem deixá-los, e no nosso caso, nem queremos. Nós gostamos muito de ter a companhia do Uri com a gente, gostamos de mostrar o mundo pra ele, mesmo ele sendo tão pequeno. Fora que, com a vida corrida durante a semana, quando finalmente temos um tempo em família, queremos aproveitar os três. 


***


almoçando com a Oprah.. rsrs.. imagem do Google
Isso tudo que eu falei acima se referia à população judaica não religiosa de Israel, os hilonim. Em se tratando de árabes e judeus religiosos, o número de crianças se multiplica. Não sei a razão disso na cultura árabe, mas pros judeus religiosos, quanto mais filho, melhor. Além disso, eles recebem uma ajuda do governo que os laicos não recebem, não pagam impostos, têm creches públicas sempre e mais um monte de benefícios (assim até eu). As mulheres geralmente não trabalham fora e passam a vida entre carregar a barriga, parir, criar os que já pariu e cuidar da casa. Eu tive o Uri num hospital super religioso aqui da cidade (o único) e lá eu vi várias mulheres com a minha idade no sexto - isso - sex-to filho! E nesse um ano e meio entre o parto e hoje, elas já devem ter tido pelo menos mais um, ou estão com o próximo embutido já. É, pois é. 


Em Jerusalém e em bairros religiosos pelo país você pode cruzar com várias famílias com 5, 6 ou 7 filhos e muitos deles vestem as crianças iguais, só mudando o número da roupa. 






Quer saber como são as famílias em outros países? Vai lá no site das Mães Internacionais! 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Ode to Uri



Meu filho,


Amanhã é a data prevista do seu parto. Amanhã é aquele dia que calculamos, 9 meses atrás, como sendo o dia em que você viria ao mundo, talvez um pouco antes, talvez um pouco depois, mas nosso ponto sempre foi o dia 14 de Fevereiro, Valentine's Day, o dia universal do amor.

Como sonhamos com essa data, meu amor!! Quanto tempo faltava pra ela chegar e eu e o teu pai já te amávamos tanto... Já planejávamos a tua chegada, a tua vida, a tua personalidade, a tua rotina, a tua aparência, as coisas que faremos com você. Planejamos e sonhamos esses 9 meses inteiros, sempre sabendo que na verdade, tudo vai ser muito diferente de qualquer coisa q tenha passado por nossas cabeças.

Um dia você terá a verdadeira noção desse amor infinito e inexplicável que nós sentimos por você. Afinal, é fruto do nosso amor. É a fusão do Ariel e da Luciana, e o "resultado" de tudo de melhor que há em nós. Mas você, acima de tudo, é VOCÊ, o nosso Uri, a nossa luz, nosso filho brilhante, cheio de luz, iluminado. Vai nos ensinar que não importa o que eu e o papai imaginarmos, você virá ao mundo para escrever a sua própria história, pra ser quem desejar ser.

Nós prometemos te amar e te proteger muito, a vida toda. Mas também prometemos te mostrar e te ensinar que nem tudo nessa vida é fácil e que muitas vezes, nossas maiores conquistas vêm dos nossos maiores esforços. Nos esforçaremos para criar um homem forte, responsável por seus atos e por suas palavras, fiel a seus valores e aos seus queridos.

Mas, acima de tudo, meu filho, queremos que você seja feliz. Muito feliz, cada vez mais.

Queremos que saiba q a felicidade está em valorizar o q temos e não em sonhar com o inatingível e o impossível, que pode te trazer a frustração e o desânimo. Construa o teu caminho, pedra após pedra, e saiba que nós estaremos do teu lado, segurando a tua mão e te pegando no colo, se necessário for. Entenda que muitas vezes, nosso apoio não te será óbvio e te trará revolta, mas tenha sempre em mente que nós teremos como principio somente a tua integridade, a tua felicidade e a tua segurança.

A vida não é simples, meu amor. Mas como é bom viver! Como é abençoado sentir e escrever cada etapa da nossa história, com suas partes boas e difíceis. E se você encontrar, como a mamãe encontrou, companheiros de jornada e de alma, vai ver que tudo se tornará mais fácil, mais bonito, mais feliz. Procure se aproximar de pessoas boas e eles te guiarão como anjos, a quem você chamará de amigos.

Que você tenha a inocência e o bom coração do teu pai, Uri. E que você herde a minha tenacidade e a minha força em colocar amor e intensidade em todos os meus passos.

Que você ame os animais e veja neles um amor puro e sem preços. Que você queira aprender muito, e sempre, sobre tudo, e que a curiosidade te leve por mundos e experiências fascinantes. Que encontre os mais diferentes tipos de pessoas na vida, e que elas te ensinem q ninguém é melhor do q ninguém, ninguém é mais do que ninguém.

Ame, meu filho, ame muito. Sonhe muito e nunca deixe ninguém rir dos teus sonhos. os sonhos são o ponto de partida das conquistas, acredite em mim. Chore e sofra quando necessário, mas saiba q nós viemos ao mundo para sermos felizes, e busque sempre a tua felicidade.

Há 9 meses você cresce dentro de mim, se desenvolve, se forma. E aqui fora, há 9 meses duas pessoas estão crescendo e se formando pais. Nós três estamos prontos.


Quando você quiser, é só me dar um toquinho, que eu vou lá no hospital te buscar!!

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* Ai está... o nome do Grão de Bico é Uri (que soa como Yuri, mas sem o Y). Uri é um nome hebraico que significa "minha luz", "iluminado", "brilhante". É um nome curto e forte, como eu queria, mas também suave e doce. O som de Uri se parece com Ari e tem um significado bem parecido com Luz(iana). Eu já gostava desse nome há anos, e ele estava planejado pro segundo filho, o que viesse depois de Noam. Mas, por algum motivo, o Uri virá primeiro.

Um dos motivos pelos quais eu gosto tanto desse nome é a música abaixo, da Noa, minha cantora favorita. Abaixo vai a letra e a tradução, em Inglês. (Ok, há 2 coisas na música que não combinam com o nosso Uri - o fato do menininho da música ser moreno e ter cachinhos, coisa q eu não consigo imaginar num filho meu - mas teremos a prova logo, e o fato de o Uri da música ter sido sonhado e esperado por alguém q aparentemente não podia ter filhos, o que, graças a D-us, não é o meu caso.)


Transliteração:


Ben lu hayah li
Yeled katan
Shchor taltalim venavon
Le'echoz beyado velifsoa le-at
Bishvilei hagan
Yeled katan
Uri ekra lo
Uri sheli
Rach vetsalul hashem hakatsar
Resis neharah
Leyaldi hashcharchar
Uri ekra lo
Uri ekra
Od etmarmer kerachel
Od etpalel kechanah beShiloh
(Od) Achake
Lo

Tradução:
I wish I had a son
A little boy
Bright, with black curly hair.
I would take his hand in mine
And stroll slowly, slowly
Through the garden...
Little boy.

Uri, I’d call him
My Uri!
How gentle and clear this tiny name
A glimmer of joy
For my little boy,
Uri, I’d call him
Uri, I’d call.

But I am still bitter as Rachel
I am still praying as Hannah in Shiloh,
I am still waiting for him.
I will
Wait.