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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Receita de hummus


Hummus (ou hommus) é outro prato típico israelense herdado dos primos árabes, e nada mais é do que uma pasta de grão-de-bico e tahine. Hummus é um alimento bastante nutritivo, contendo uma grande quantidade de proteínas, fibras, gordura mono-insaturada e ferro. Hummus, em hebraico, quer dizer "grão-de-bico".


Hummus é outra paixão nacional. Na maioria das casas que eu conheço, ele faz parte da lista de compras do super assim como o requeijão no Brasil. As crianças adoram, os bebês comem desde muito cedo, os adultos não vivem sem.

Eu confesso que não era muito fã não, principalmente dos que se compra pronto no supermercado (aqui temos uma área do super só dessas pastinhas, que israelense chama de "salada" - hummus, tahine com salsinha, salada de beringela, salada de pimentões e mais um monte - AMO). Eu não via graça nenhuma nele, achava seco, não entendia esse amor todo.

"Oi, sou vendido no super e não sou gostoso não" 

Mas ai um dia eu fiquei com vontade de ir numa "hummusiá", um restaurante que basicamente só serve hummus, com variações - hummus com grão-de-bico, hummus com um tipo de feijão, hummus com pinhole. Geralmente também tem ovo cozido, pepino em conserva, tomate e cebola. E só. Esses restaurantes são bem pequenos e a galera costuma dividir as mesas, ou seja, se você está com o seu marido em uma mesa com 4 lugares, pode crer que outro casal pode vir e sentar junto. Estranhissimo, mas acontece, costume local e só em hummusiá.




Dai que eu fui com o meu marido em uma hummusiá em Jaffa (Yaffo) e ai sim eu entendi o amor todo pela "pastinha". O gosto do hummus fresquinho e natural é outro. E é bom!

Há um tempo o marido veio com a idéia de fazermos hummus em casa e uma receita. Não levei fé, mas tentamos e não é que o negócio é bom e muito, muito fácil? O único probleminha é que não dura muito na geladeira (uns 4 dias), mas dá pra congelar numa boa.

Então a receita é assim:

Pra uma xícara de grão-de-bico cozido, junta uma xícara de tahine (receita aqui pra quem não achar no supermercado), o quanto bastar de água pra dar o ponto de pasta (usamos a água do grão de bico), suco de meio limão (ou mais, dependendo do gosto), sal e temperos (alho, páprica e salsinha) à gosto. Bate tudo no liquidificador e pronto! Claro que dá pra aumentar a receita, observando as proporções.

Nós aqui usamos grão-de-bico enlatado ou aqueles pré-cozidos congelados. Eu descongelo em água fervente e uso essa água na receita. Mas dá pra usar grão-de-bico cozido, aí tem que deixar um pouco de molho antes.

Dá pra comer com pão sírio (pita) ou até com legumes (cenoura, pepino, pimentão) em tiras.

Ah, e não esquece de um fio de azeite generoso por cima.

Faz e me conta!




Obs 1: Eu não consigo responder comentários por aqui (não sei porquê), então deixa seu email pra que eu não pareça mal educada e ignore o que você escreve!! :-)

Obs 2: Fotos do google.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Exemplificando o atendimento médico em Israel

(e seu lado bom e ruim).

Falei sobre a pediatria em Israel nesse post (q na verdade englovbou a Medicina aqui em geral) e hoje exemplifico. 

Há algumas semanas vinha sentido duas dores chatas, fortes e incômodas. Uma delas é na lombar, já havia teomado várias caixas de remédio, já tinha colocado bolsa de água quente (mesmo com o calor infernal), já passei alguns tipos de pomadas, cremes e géis, e nada resultou.

A outra dor era "interna", na região dos óvarios. Fui ao ginecologista, que me examinou, não encontrou nada de errado, e me deu uma guia para um exame de urina e um ultrasson dos rins.

Alguns dias depois, não aguentando mais de dor nas costas, corri na minha Médica da Família (Clinica Geral) e pedi uma injeção de relaxante muscular. Como o laboratório fica na mesma clínica, aproveitei e fiz o exame de urina que o ginecologista havia pedido.

A dor nas costas não melhorou, só piorou na verdade, e acabei tendo que marcar ortopedista. Tenho um ortopedista muito bom, Dr. Dotan, mas conseguir consulta com ele é muito dificil, provavlemente eu só conseguiria para daqui a uns 2 meses, então marquei com qualquer um que tivesse um horário livre nos dias seguintes.

Então numa 3a feira eu sai de casa às 8 e pouco para a consulta com o ortopedista que era às 9. No caminho, a enfermeira do ginecologista me liga, dizendo que o meu exame de urina acusou a presença de duas bactérias e que o ginecologista já tinha deixado prontas uma receita de antibiótico e uma guia pra outro exame de urina (pra depois do tratamento) e ela queria saber quando eu poderia ir buscar. Como o prédio do ginecologista era do lado do prédio do ortopedista, passei por lá antes da consulta, peguei as guias e ainda consegui dar uma palavrinha com o médico, que me explicou o que a enfermeira tinha encontrado.

Cheguei ao ortopedista, tive que esperá-lo terminar uma conversa (particular) no celular por 20 minutos, entrei no consultório fedendo a cigarro (o consultório é super limpo, o fedido era ele), expliquei o que eu sentia, ele examinou minha coluna, receitou um (outro) analgésico, eu perguntei se ele achava que medicina alternativa (acunpuntura) poderia ajudar, ele acha que não, mas me deu encaminhamento para fisioterapia (eu ainda acho que ele deveria ter me mandado fazer um raio-x). Atravessei a rua, entrei no prédio da fisioterapia (o mesmo do ginecologista), supliquei por uma massagem naquela hora mesmo, no começo a secretária explicou que não tinha como mesmo, todos os fisioterapeutas estavam super ocupados, mas um deles passou e viu a minha cara de desespero e conseguiu me encaixar entre um paciente e outro, me colocou num aparelho que dava choques bem fraquinhos por uns 20 minutos e depois fez massagem. Quando sai de lá (como a Phoenix, renascida das cinzas), ainda marquei mais 7 sessões (o médico indicou que o meu tratamento seria de 8) e paguei o equivalente a 14 reais (o tratamento todo). 

Continuo com as sessões de massagem e aparelhos (choques e ondas) e as dores estão 60% melhores. A clínica da fisio é ótima, tem Pilates, os fisioterapeutas são super competentes e atenciosos, tudo limpinho e arrumado. 

Enfim, isso é um exemplo. Em duas horas fui atendida por 3 profissionais. Adoro a atenção do meu ginecologista, não gostei do ortopedista (mas ele serviu pro que eu precisava) e acho muito legal a clínica de fisio e os profissionais de lá. Não garanto que aconteça assim em todas as clínicas, com todos os médicos e em todas as ocasiões. Mas em geral, estou muito satisfeita com o tratamento que recebemos, como disse no outro post, e resolvi escrever esse pra ilustrar. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pediatria em Israel

Esse aqui é mais um post que foi publicado no Nosso Grãozinho de Bico em uma das Blogagens Coletivas e agora vai ser adaptado e atualizado aqui. 


Aqui em Israel, não existe a hipótese de você marcar um pediatra antes do bebê nascer, como acontece no Brasil, pra pedir orientações. Primeiro q vc não vai conseguir, pq os planos de saúde vão pedir pra vc dar o nome do bebê (e o número do RG) na hora da consulta, e segundo pq mesmo q vc conseguisse, ia chegar no pediatra sem o bebê, pedindo orientação e ele ia rir da tua cara. Israelense é prático, não tem paciência, gosta de fatos e não de suposições. 


Quando fomos liberados da maternidade, nos pediram pra marcar uma consulta com o pediatra quando o Uri tivesse 10 dias. Foi nossa 1a saída de casa, eu e ele. A consulta era às 8 da manhã, cedo assim porque pedem pra você avisar quando for marcar q é um recém nascido, assim eles te dão a primeira consulta, pra evitar q o bebê fique exposto à crianças doentes na recepção. Logo cedinho, não tem espera, o ar está mais limpo e livre de doenças, e a clínica mais vazia. Acho legal e inteligente. 

Mamãe registra tudo - a 1a ida ao pediatra
(e a 1a saída de casa) - foi uma emoção!
Foi uma operação de guerra e tanto conseguir chegar às 8 horas com ele lá na clínica, eu já tinha deixado a bolsa dele preparada na noite anterior, massacumé, mãe recém parida, perdida de tudo, recém nascido sem horários, enfim, acho q eu levantei umas 5 da manhã pra dar conta de prepará-lo, tomar café,me arrumar, sair e chegar no horário (e a clínica fica a 10 minutos andando daqui). 

Ai chegamos lá, a doutora (eu marquei qualquer um q atendia no dia, não fazia diferença pois não conhecia nenhum) me pergunta como foi o parto, com quantos kilos ele nasceu, quanto mediu, se eu amamentava, bla bla bla, e ia anotando no computer, fazendo uma espécie de ficha pra ele. Depois, olhou pra mim e perguntou se eu queria q ela o examinasse ou se tínhamos acabado por ali mesmo. Como assim, dotôra? Claro q eu queria q ela examinasse!!! Aí ela pediu pra eu tirar a roupinha (as 12 camadas de roupinha q a mãe pôs no RN q saía pela 1a vez de casa, no inverno) e mal olhou na cara dele (como pôde? Tão lindo! rsrs). Virou ele pra lá e pra cá, examinou tudo, pesou, mediu, viu os reflexos e só. "Pode vestí-lo". Depois de uns 15 minutos pra vestir o pequenininho, eu pergunto com qual frequência devemos visitá-la (pensando q eu tava no Brasil) e ela responde "Espero q nunca. Você não precisa vir se ele estiver bem, só se estiver doente e espero q ele nunca fique". OK, eu também. Achei q a médica poderia ter sido mais atenciosa, procurei outros médicos nas vezes em q o Uri ficou doente, mas acabei voltando várias vezes nela porque ela atende por mais tempo e em horários mais convenientes pra mim. Com o passar do tempo eu passei a gostar mais dela, que é sim super prática, não fica procurando outros problemas, responde o q a gente pergunta, mas é carinhosa com ele (mais do q na primeira consulta) e se interessa mais. Vai ver q ela acha recém nascidos sem graça e prefere um bebê maior q já puxe o estetoscópio e o cabelo dela. 



Isso é a cultura daqui, os pediatras não estão ai para fazer a médicina preventiva, eles cuidam de quem está doente. Quem checa o peso, a altura, o desenvolvimento e dá as vacinas é um centro comunitário chamado, em hebraico Tipat Chalav - Gotinha de Leite. 


Eu vou nesse Tipat Chalav desde a gravidez. Quando eu estava grávida era pra pesar, medir pressão, glicose na urina, checar se eu fiz todos os exames, mandar eu pedir pro médico algum q faltasse, anotar tudo na caderneta de gestante, etc. Ela havia me pedido para avisá-la quando o Uri nascesse, e assim eu fiz. Na verdade demorou mais de 10 dias pra eu conseguir falar com ela, mas logo em seguida ela marcou uma consulta e lá fomos nós.


A enfermeira, a mesma de quando eu estava grávida, se chama Tamar e eu não sou muito chegada nela não. Ela tem bafo. Tá rindo? Chega perto dela. Até o Uri, o garoto-sorriso, não é muito fã dela também (certeza q  é por causa do bafo). Mas, tirando a halitose dela, ela faz a sua parte. A gente ia lá a cada 10 dias no primeiro mês, depois fomos aos 2, 3, 4 e 6 meses e agora só quando tiver vacina. Lá ele toma as vacinas, é pesado, medido, tem o desenvolvimento checado, o q eu acho meio q um erro, já q cada criança se desenvolve a seu ritmo e não é num ambiente artificial, com alguém com bafo de bode, depois de tomar vacina, de ser despido e pesado e esticado, q o Uri é o mesmo Uri e faz as mesmas coisas q ele faz em casa. Mas enfim, só uma vez ela cismou q ele deveria sustentar a cabeça qdo de bruços (com 2 meses) e quis q eu voltasse lá antes do tempo (prova de recuperação!), mas depois dessa ela sempre se surpreende e diz q ele está avançado pra idade dele. Por outro lado, se alguma criança tem alguma limitação séria é até bom q ela o avalie e encaminhe pra um acompanhamento mais especializado. Alguém tem q fazer, né? Se o médico não acompanha, a bafuda tá ai pra isso. Tá, retiro o q eu disse sobre não servir pra nada ficar vendo o desenvolvimento.  Além disso, ela veio uma vez aqui em casa quando ele tinha uns 3 meses, para "checar" se o bebê vivia em boas condições. Pode ser visto como invasão de privacidade, mas eu não me incomodei tanto assim, é uma forma do país se interessar pelos bebês, dar apoio, dar orientações. 


Eu até acho legal ele tomar vacina e fazer o acompanhamento nesse centro, porque é um lugar super limpinho e arrumado, e as crianças q vão lá estão saudáveis (pra tomar vacina não pode estar doente, né?). Acho mais legal do q ficar indo nas clínicas do convênio, já q cada convênio tem sua clínica e pode acontecer de todas as especialidades estarem no mesmo lugar e você ficar na sala de espera com o teu bebê e não só deixá-lo exposto às doenças ds outros bebês doentes, quanto dos adultos e velhinhos tossindo, espirrando e vai-lá saber o q mais perto dele. 


Aqui o sistema de saúde é semi-público. Difícil explicar, mas funciona mais ou menos assim: Governo paga uma parte, o teu trabalho outra, e você outra, de acordo com o q vc ganha. Isso pro serviço básico, mas vc pode ter uns planos especiais (em média uns 15 a 20 dólares por mês, por pessoa), q te dá desconto em remédio (e o desconto é ótimo  na maioria dos remédios), exames de graça e otras cositas más. Consultas com pediatra, clínico geral e ginecologista você não paga nada, e com especialistas você pode pagar uns 7 reais a consulta. 

Não existe ligar pro médico no meio da noite, porque aliás, nem médico pra chamar de nosso a gente tem (tirando gine e clínico geral). Passou mal de madrugada? Vai pro PS (ou chama médico em casa, pagando 35 reais a visita).  Se eu sinto falta de pediatras como no Brasil? Sim e não. Talvez eu sinta falta de uma consulta um pouco mais detalhada, mais explicações, principalmente quando o Uri era menor. Por outro lado, o sistema daqui funciona e é justo para todos. Não acho justo pagar um absurdo de convênio sendo q já pagamos tantos impostos, gosto de saber q todos no país estão usufruindo de uma saúde de qualidade e digna. Não sou do tipo de pessoa que ligaria pro pediatra de madrugada por uma febre, então essas coisas não me fazem falta não. 




terça-feira, 31 de julho de 2012

A Terra do Leite e do Mel ... de tâmaras!

Hoje logo cedo eu falei pro meu marido: "O dia em que formos embora de Israel, eu levo uma caixa de silan comigo". Silan é como chamamos por aqui o mel de tâmaras, uma das coisas mais gostosas que você só encontra (ou encontra mais facilmente) nos supermercados dessa região do mundo. 


O silan parece um melado mas menos espesso e menos enjoativo. É marrom escuro e é feito somente de tâmaras e água. Eu aprendi com uma nutricionista daqui que ele é o adoçante natural que menos mal causa pro organismo , muito menos do que todos os tipos de açúcar e o mel. Claro, é mais engordativo do que adoçantes artificiais, mas não tem aquele gostinho amargo que os químicos têm. É cheio de nutrientes, como potássio, ferro e magnésio. 


Aqui em casa a gente usa silan pra um monte de coisas: No iogurte, na granola, no sucrilhos, nas frutas mais azedas, no molho pra salada, no tempero daquela asinha de frango salgada e doce. Já comemos com queijo também e já usamos em algumas receitas. Dá pra colocar no sorvete, na panqueca, na receita de bolos e biscoitos. Enfim, é uma delícia, um dos meus queridinhos em Israel. 


Minha mãe foi apresentada a essa maravilha quando chegou em Israel e hoje me faz mandar um pote toda vez que alguém vai pro Brasil. Levei de presente pras minhas primas na Espanha e elas adoraram também. 


Não é muito baratinho não, um pote de tamanho médio pode custar uns 15 reais, mas é mais barato do que um pote com a mesma quantidade de mel. 



Enfim, é uma dica para quem encontrar dates syrup nos supermercados por ai (acho que em supermercados de produtos orgânicos seja mais fácil de encontrar). Quem não encontrar, pode fazer em casa, achei a receita aqui (nessa foto parece mais líquido do que o que eu compro). Quem quiser comprar online, ou quiser mais idéias de receitas, tem aqui. 








Obs: Isso não é um post publicitário. É somente o meu registro de uma das minhas israelidades favoritas!